Publicado 16/09/2020 - 11h54 - Atualizado 16/09/2020 - 13h20

Por Alenita Ramirez/AAN


Divulgação

Uma suposta ameaça por parte da Prefeitura de Hortolândia de desocupação da área onde barracos pegaram fogo, nesta terça-feira, levou os moradores a fecharem a Rua do Martim Pescador, que acessa a Invasão Nina, no Jardim Boa Esperança, na manhã desta quarta-feira (16).
Segundo os moradores, por volta das 8h, funcionários da prefeitura chegaram no local com máquinas e ameaçaram a retirar as famílias à força. A medida seria uma espécie de represália ao fato de as famílias que foram afetadas pelo incêndio, se recusarem a ir para o abrigo, oferecido pelo município. “As famílias não querem sair daqui, pois a comunidade fez um mutirão para ajudá-los a reconstruir suas moradias”, disse uma das lideranças da ocupação, Cristiane de Souza Carapie.
Segundo ela, no local vivem cerca de 500 famílias, algumas há, pelo menos, sete anos. Na noite da segunda-feira, um incêndio, supostamente criminoso, atingiu cinco barracos. Ninguém ficou ferido.
Para impedir a entrada das máquinas, os moradores fecharam a rua com brinquedos das crianças e realizam uma ação social, com corte de cabelo e outros serviços. O objetivo é chamar a atenção da sociedade e afastar do local os funcionários da prefeitura.
Em nota, a Prefeitura de Hortolândia informou que o incêndio ocorreu em uma Área de Preservação Permanente (APP), onde havia uma reocupação, com cerca de 25 pessoas. Ainda conforme o órgão municipal, a Secretaria de Inclusão e Desenvolvimento Social forneceu a elas alimentação, roupas e colchões e alguns desses itens também foram doados por terceiros.
Ainda segundo a Prefeitura, as secretarias de Inclusão e Desenvolvimento Social e de Educação, Ciência e Tecnologia levaram os moradores para ficarem abrigados provisoriamente na Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Jd. Boa Esperança “José Roque de Moura”, que fica próxima ao local do incêndio e as pessoas foram cadastradas no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) para que consigam dar entrada e fazer as novas vias dos documentos perdidos.
A Secretaria de Habitação disse que a APP foi reocupada no final de janeiro deste ano e que na ocasião orientou e informou às pessoas que não é permitido morar em uma APP. “Para não as deixar desassistidas, técnicos da Habitação conversarão com elas para avaliar, caso a caso, a concessão de auxílio-aluguel e cadastro em programas habitacionais. Famílias que estavam em outras ocupações na região já foram atendidas”, frisou.
A Prefeitura ainda disse que a Defesa Civil fez vistoria no local do incêndio e que a causa do incêndio é desconhecida e que cabe aos Bombeiros solicitar perícia no local. O incêndio foi combatido por bombeiros de Hortolândia, Campinas e Americana e contou ainda com apoio da Polícia Militar. “A área onde ocorreu o incêndio será limpa pelas Secretarias de Serviços Urbanos e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável”, informou via nota.

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Alenita Ramirez/AAN