Publicado 11/09/2020 - 09h27 - Atualizado 11/09/2020 - 09h27

Por Francisco Lima Neto/AAN

Engenheiro Coelho, Morungaba, Artur Nogueira e Itatiba estão há pelo menos 8 dias sem mortes

Cedoc/RAC

Engenheiro Coelho, Morungaba, Artur Nogueira e Itatiba estão há pelo menos 8 dias sem mortes

A suspensão temporária de testes com vacinas é absolutamente normal, principalmente, quando os testes clínicos estão na fase 3. De acordo com Luiz Carlos Dias, Professor Titular do Instituto de Química da Unicamp, membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro da Força-Tarefa da Unicamp no combate à Covid-19, não é momento para pânico e sim, cautela.
De acordo com ele, os comitês têm total independência para paralisar os testes, principalmente, nesses casos de manifestação adversa, com uma resposta imune que atinge a medula. "É normal paralisar momentaneamente o estudo para que o comitê possa avaliar se o efeito adverso está ligado à candidata vacinal - já que só pode ser chamada de vacina depois de estar aprovada -, ou se já era uma condição prévia da pessoa. Pode não ser nada grave ou pode ser grave se for constatado que a reação adversa aconteceu por causa da candidata vacinal", aponta.
"É preciso muita cautela. A vacina só é aprovada se não tiver efeito colateral grave ou muito adverso. Essa parada nos testes provavelmente não foi a primeira e não deve ser a última. Isso é absolutamente normal e deve ocorrer com as demais candidatas vacinais também. A sociedade não está acostumada a acompanhar esses ensaios clínicos, mas é corriqueiro isso acontecer", explica.
De acordo com o professor, nesse momento de suspensão dos testes, o comitê avalia a causa do efeito adverso verificado no voluntário. "Se for comprovado que o efeito é da candidata vacinal aí há o risco de o estudo não continuar. A fase 3 é o ensaio definitivo, mas mesmo que seja aprovada na fase 3, ela continua sendo estudada. Tem medicamentos que já foram retirados do mercado depois de aprovados, isso também pode acontecer com as vacinas", ressalta.
Dias explica que ninguém pode afirmar que essa candidata vacinal de Oxford não vá funcionar. "Ela é feita com vírus atenuado, ela provoca imunidade, mas é preciso comprovar a segurança. Somos 212 milhões de pessoas no Brasil. Se a reação adversa for de uma em um milhão, significa que se todos tomaram, 212 pessoas estarão correndo risco. Pode até ser considerado um número baixo, mas quem vai correr o risco?", questiona.
Ele ressalta que as vacinas, no geral, não podem funcionar apenas para determinados grupos, é preciso funcionar para a população em geral. "Os comitês são tão sérios que apenas um voluntário com reação adversa foi suficiente para suspender o estudo que ocorre no mundo todo", diz.
Contudo, ele não acredita que os testes com essa possível vacina serão atrasados. "Depende muito de quanto tempo o comitê vai demorar para avaliar o que aconteceu. Mas acredito que não deve atrasar o cronograma, mas a fase 3 precisa de muito cuidado. Tudo já está sendo feito de forma acelerada, ninguém imaginava que em setembro já teríamos candidatas vacinais na fase 3. Se essa questão for resolvida logo não deve atrasar muito não", defende. 
Cientistas brasileiros testam spray nasal contra o vírus
Cientistas da USP e da Unicamp estão desenvolvendo uma vacina por spray nasal contra a Covid-19. A vacina traz diversas vantagens em relação ao método injetável, incluindo a atuação direta na mucosa nasal, que é uma das principais portas de entrada do novo coronavírus no organismo humano. Dessa forma, a perspectiva é que aconteça a eliminação do vírus já no canal de entrada. A vacina está em fase de testes pré-clínicos, em camundongos, e segue para a etapa de escalonamento da produção, realizada na Unicamp.
O escalonamento da produção, conforme a professora Laura de Oliveira Nascimento, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unicamp, que encabeça esse processo, é o momento em que se busca testar se a vacina, desenvolvida em escala laboratorial, pode ser produzida em maior escala, processo que é essencial quando se pretende lançar comercialmente. "Existem hoje diversas formulações de vacinas eficazes publicadas e em escala laboratorial. Mas nós sabemos que o escalonamento nem sempre é viável e por esse motivo diversas vacinas não são comercializadas, por não serem escalonáveis", elucida.
O Correio questionou como está o andamento, mas a assessoria do Hospital de Clínicas da Unicamp informou que novas informações só serão disponibilizadas quando a fase da Unicamp for encerrada. (FLN/AAN)

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Francisco Lima Neto/AAN