Publicado 25/09/2020 - 10h59 - Atualizado 25/09/2020 - 11h01

Por Da Agência Anhanguera de Notícias

Cecília Pavani direcionou parte de seu trabalho à introdução do uso do jornal em sala de aula

Cedoc / RAC

Cecília Pavani direcionou parte de seu trabalho à introdução do uso do jornal em sala de aula

Considerada uma pioneira na estratégia que estabeleceu a leitura de jornais como ferramenta de ensino — especialmente nas escolas públicas —, a professora Cecília de Godoy Camargo Pavani ganhou uma homenagem especial ontem. O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), sancionou o projeto aprovado na Câmara, e o nome da professora passará a identificar o Centro de Conhecimento da Água (CCA), um espaço inovador inaugurado no final de agosto pela Sanasa. Reúne exposição científica, cultural e permite grande interatividade para os visitantes, especialmente para crianças e adolescentes.
Localizado na Rua Visconde de Congonhas do Campo, 567, no Parque São Martinho, o CCA oferece conhecimento, de forma lúdica, da história e dos processos de tratamento de água. Esse conhecimento é transmitido de uma forma que atrai fortemente o interesse das crianças — o foco principal do extenso trabalho da professora.
Formada em Letras pela PUC-Campinas, Cecília Pavani fez mestrado na área da Psicologia Escolar, mas apesar de ter optado pelo Magistério, sempre foi apaixonada pelo Jornalismo, meio em que cresceu.
Além de o avô materno ser o então diretor do Correio, a mãe dela, também chamada Cecília, foi uma das primeiras mulheres a ter espaço como redatora de jornais na cidade. Criou, por exemplo, o Correio Feminino, suplemento voltado às mulheres que circulou entre 1965 e 1987.
Em 1992, Cecília, perto de se aposentar como professora, decidiu direcionar sua carreira para uma atividade que, desde que iniciara no Magistério, sempre ocupou espaço em sua prática pedagógica: o uso do jornal em sala de aula.
Daquele momento até sua morte, em 18 de novembro de 2017, seriam 25 anos de atuação à frente do Correio Escola, depois transformado em Correio Escola Multimídia.
Nesse período, o projeto realizou cursos, concursos e atividades de desenvolvimento social para diferentes públicos, que incluíram professores e estudantes de todos os níveis, além de grupos como mulheres de terceira idade, doentes e pessoas com deficiência visual.
A Educação e o Jornalismo eram duas paixões que Cecília conseguiu aliar a partir do Correio Escola. Ela, inclusive, reconheceu em entrevista concedida em 2012, que desejou ser jornalista, o que não foi possível, já que, à época do vestibular, em 1968, não havia curso da área em Campinas, tampouco era comum mulheres estudarem fora.
“Eu conheci a professora Cecília quando ela começou com o projeto Correio Escola e vi a preocupação dela com a necessidade de conscientização dos alunos em relação à educação ambiental”, disse o vereador Luiz Carlos Rossini (PV), autor do projeto que deu o nome da professora ao Centro do Conhecimento da Água.
“Eu a acompanhei em diversos projetos educacionais e quando foi inaugurado o Museu, imediatamente pensei no nome dela para o espaço. Na hora me veio à cabeça o nome dela, pelo legado que ela deixou voltado para a Educação, que é o foco do Museu”, explicou ele.
“Na verdade, temos de eternizar a memória de pessoas como ela, que estejam preocupadas com a Educação, em especial a educação ambiental, porque isso garante o futuro de nossas crianças, para que possam se transformar em cidadãos do mundo”, acrescentou. “Fiquei muito feliz quando o prefeito acolheu a nossa proposta e sancionou o projeto aprovado pelos vereadores”, finalizou Rossini.
“A escolha da professora Cecilia Pavan recai numa figura excepcional, cuja justa homenagem é digna de aplausos”, disse o presidente da Sanasa, Arly de Lara Romêo. “O Museu da Água está muito ligado ao processo de Educação. Creio que haverá uma integração de todos os modelos com as principais atividades ligadas a crianças, jovens e adultos, além de educadores, todos ligados à área de água e saneamento”, acrescentou ele.
Família
“Nós da família ficamos bastante satisfeitos com essa lembrança e agradecemos aqueles que contribuem para perpetuar o nome da Cecília. Ela deixou um legado extraordinário para a Educação, com seus propósitos pedagógicos, convicções de projetos e firmeza de caráter. Para nós fica a saudade, mas a certeza de que fez de sua vida uma vocação para a melhoria do ensino”, afirma o diretor superintendente do Correio Popular, Marco Aurélio Matallo Pavani, marido de Cecília.

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