Publicado 22/09/2020 - 06h15 - Atualizado 22/09/2020 - 11h55

Por Henrique Hein

Os números do endividamento do campineiro só não foram piores por conta do auxílio emergencial

Wagner Souza / AAN

Os números do endividamento do campineiro só não foram piores por conta do auxílio emergencial

O índice de inadimplência registrado em Campinas aumentou 6,71% entre os meses de março e agosto deste ano na comparação com o mesmo período de 2019, segundo dados divulgados ontem pela Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic). No ano passado, 153.054 carnês, boletos e cartões deixaram de ser pagos pelos clientes entre o terceiro e o oitavo mês do ano. Em 2020, no mesmo período, esse número passou para 163.330.
De acordo com o levantamento, a falta de pagamento dos compromissos resultou em um aumento de R$ 7,4 milhões no valor total da dívida das famílias campineiras. O montante saltou de R$ 110,2 milhões para R$ 117,6 milhões entre os meses de agosto de 2019 e 2020, respectivamente. As formas de pagamentos mais utilizadas entre março e agosto deste ano foram: os cartões de crédito (45%), os boletos bancários (35%) e os carnês (20%).
Segundo Laerte Martins, economista e diretor da Acic, a inadimplência só não teve um aumento maior no período da quarentena por causa de algumas medidas emergenciais adotadas pelo Governo Federal e alguns órgãos responsáveis pelo setor. A principal medida citada por ele foi a da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC), que no dia 17 de abril ampliou o prazo para inscrição de devedores nos serviços de proteção ao crédito de 10 para 45 dias.
Passados os 90 dias do adiamento das inscrições, o montante de carnês, boletos e cartões saltou para 46.195 em julho, elevando consideravelmente a quantidade de títulos vencidos e não pagos. No entanto, os números de julho de 2020 foram 16,69% menores do que os registrados no mesmo mês de 2019, que somaram 55.447 títulos inadimplentes.
Outras medidas que contribuíram para o não crescimento acelerado da inadimplência em abril, maio e junho, segundo o economista, foram a liberação dos abonos emergenciais para a população de baixa renda, pelo Governo Federal, e a liberação de empréstimos e financiamento, pelas instituições financeiras, em auxílios às micro e pequenas empresas.
Para Laerte, a publicação da medida provisória que prorrogou o pagamento do Auxílio Emergencial por mais quatro meses no Brasil - de R$ 300,00 — deverá ajudar a diminuir os números da inadimplência nos próximos meses na cidade. "É possível que isso dê uma melhora no poder compra de alguns consumidores e eles acabem pagando os carnes atrasados, o que traria uma tendência de queda no nível de inadimplência", disse ele.

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Henrique Hein