Publicado 30 de Setembro de 2020 - 22h03

Por AFP

Armênia e Azerbaijão rejeitaram, nesta quarta-feira, apelos internacionais por um cessar-fogo e o início de negociações, no quarto dia de combates intensos em Nagorno Karabakh - enclave separatista armênio em território azeri.

Por volta da meia-noite de hoje em Stepanakert, capital da república autoproclamada, foram ouvidas duas explosões de origem desconhecida, em meio ao barulho de sirenes. Durante o dia, os ruídos dos combates na frente não chegavam à cidade, que, segundo autoridades locais, foi bombardeada no último domingo.

Rússia e França pediram esta noite a interrupção total dos combates. "Vladimir Putin e Emmanuel Macron solicitaram às partes em conflito que interrompam completamente o mesmo e, o quanto antes, reduzam a tensão e mostrem a máxima moderação", anunciou o Kremlin após uma conversa telefônica entre os presidentes russo e francês.

Antes, o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, havia proposto aos colegas de Armênia e Azerbaijão que concordassem em negociar para pôr fim ao conflito entre as duas repúblicas em torno da região de Nagorno Karabakh, e reiterado o chamado por um cessar-fogo.

A diplomacia russa denunciou, nesta quarta-feira, que combatentes da Síria e Líbia foram enviados para a área do conflito em Nagorno Karabakh.

"Combatentes dos grupos armados ilegais, especialmente da Síria e Líbia, estão sendo enviados para a área de conflito em Nagorno Karabakh para participar dos combates", afirmou a diplomacia russa, acrescentando estar "profundamente preocupada com os acontecimentos, que podem gerar uma escalada da tensão no conflito" e em toda a região.

- "Retirada total" -

Após visitar militares feridos em um hospital, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, afirmou que dará continuidade à luta até uma "retirada total, incondicional e sem prazo" das forças armênias, segundo imagens exibidas pela TV.

Antes, a diplomacia do país havia informado aos mediadores do conflito, os países do Grupo de Minsk (Rússia, França e Estados Unidos), formado dentro da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que Baku estava determinada a manter sua "operação militar legítima".

O primeiro-ministro armênio, Nikol Pachinian, fechou as portas para negociações imediatas, poucas horas depois da votação unânime do Conselho de Segurança da ONU por uma declaração que pede o "fim imediato dos hostilidades e a retomada de negociações construtivas".

Putin e Macron, por sua vez, declararam-se dispostos a aprovar um comunicado, em nome dos presidentes do Grupo de Minsk, que exigiria o "fim imediato" das hostilidades e a abertura de uma mesa de diálogo.

- Balanços parciais -

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