Publicado 27/08/2020 - 14h12 - Atualizado 31/08/2020 - 14h47

Por Marcelo Sguassábia

Paranoias pandêmicas - como ficam os retratos falados?

Divulgação

Paranoias pandêmicas - como ficam os retratos falados?

O dilema da ANARFA - Associação Nacional dos Autores de Retratos Falados.
Se antes os assaltantes e assemelhados usavam máscaras para não serem reconhecidos, agora usam também para não serem contaminados. Faz sentido, ladrão também é gente e preza pelo próprio bem-estar.
Ocorre que o fato de usarem máscaras os confundem com milhares de outros indivíduos de biotipo semelhante, e que ganham a vida honestamente. Como todos os bípedes do planeta andam saracoteando por aí com a cara encoberta nos últimos meses, o reconhecimento é missão impossível.
O dilema se estenderá, sem dúvida, às Secretarias de Segurança Pública - que, dentre outras atribuições, emitem os RGs. Com todos usando máscaras, as fotos dos documentos de identidade por questão de coerência também devem ter o cidadão mascarado, já que é assim que ele anda pelas ruas e desta forma deverá ser identificado. A situação chega a ser paradoxal: para cometer com "segurança" um delito, o meliante deverá tirar a máscara e mostrar o rosto, a fim de não ser reconhecido!!!!! Alguém já parou pra pensar nisso?
Ficamos exponencialmente mais vulneráveis. Tampouco é válido o argumento de "situação transitória" para o uso da máscara , já que o bicho parece ter vindo de mala e cuia, para ficar uma boa temporada.
Legítima representante da categoria, a Associação Nacional dos Autores de Retratos Falados teme, por motivos óbvios, um desemprego galopante dos associados. Sinais característicos da boca, do nariz e do queixo deixam de denunciar a provável identidade da pessoa. Restariam apenas os olhos e o cabelo como identificadores, e consequentemente os retratos falados perderiam muito de sua efetividade como instrumento de investigação.
Aí surge outra questão: as máscaras igualam a todos, milhões de indivíduos usam máscaras semelhantes na cor e no formato. Como resolver isso?

Escrito por:

Marcelo Sguassábia