Publicado 25/08/2020 - 09h51 - Atualizado 25/08/2020 - 11h14

Por Gilson Rei

No período da pandemia aumentou o consumo diário de cigarros

Leandro Ferreira/AAN

No período da pandemia aumentou o consumo diário de cigarros

Instituições que tratam do câncer de pulmão em Campinas iniciaram ontem uma semana de alertas para lembrar da importância do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto. Um pulmão inflável gigante foi instalado próximo à Lagoa do Taquaral, para alertar sobre os danos do tabaco e tentar diminuir o consumo de cigarros nestes tempos de pandemia por Covid-19.
O tema tornou-se imprescindível porque a situação de isolamento social e de incertezas provocada pela pandemia, incentivou ainda mais o hábito de fumar, junto com o crescimento dos níveis de estresse, angústias, incertezas e de outros fatores que “empurram”pessoas ao maior consumo de tabaco. Pesquisas realizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) confirmaram que 30% dos homens e 38% das mulheres fumantes passaram a consumir dez cigarros a mais por dia, no mínimo, desde o início da pandemia.
Dentre as ações para reverter este quadro, um pulmão inflável gigante do Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia foi instalado na Avenida Dr. Heitor Penteado, em frente à Lagoa do Taquaral, na varanda do Instituto do Radium. O protótipo tem mais de seis metros de altura e chama a atenção para os malefícios causados pelo tabaco. Parte do pulmão inflável demonstra doenças causadas pelo ato de fumar e pela exposição passiva ao fumo.
Renata Sasse, diretora executiva do SOnHe, disse que o objetivo é de alertar a população e aos que passam pela Lagoa do Taquaral sobre os males causados pelo fumo à saúde, principalmente por ser uma das principais causas do câncer nos pulmões. Sasse destacou que, além disso, publicará uma série de vídeos de especialistas nas redes sociais do SonHe, alertando para os malefícios do cigarro.
Vinicius Conceição, oncologista do SonHe, explicou que o tabagismo e a exposição passiva ao tabaco são importantes fatores de risco para o desenvolvimento de tumor no pulmão. “Em cerca de 85% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco”, disse.
Dados da Organização Mundial da Saúde, informam que 7 milhões de mortes ao ano ocorrem por doenças causadas pelo cigarro, sendo 12% dessas mortes em fumantes passivos. Só no Brasil são 400 mortes por dia pelo tabaco, o que causa um impacto gigantesco na saúde e na economia.
O Vera Cruz Hospital intensificou também atividades para lembrar a data. Ronaldo Macedo, pneumologista do hospital, disse que a pesquisa de aumento no consumo de cigarros na pandemia é muito preocupante. Segundo Macedo, o consumo do cigarro caminha junto ao de bebidas alcóolicas, que também aumentou no período. “A preocupação é com as duas dependências, que andam em paralelo e aumentam as consequências, caso a pessoa venha contrair a Covid-19”, afirmou.
O médico lembrou que, além disso, fumar e beber em maior quantidade podem agravar quadros alérgicos, condições cardiovasculares adversas, doenças agudas e até tumores. Segundo ele, quem fumou por 30 anos, continuará tendo chances de desenvolver doenças nos 30 anos seguintes em consequência do cigarro.

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Gilson Rei