Publicado 06/08/2020 - 08h01 - Atualizado 06/08/2020 - 08h01

Por Maria Teresa Costa

A vacina chinesa testada no Brasil se mostrou eficiente nas duas primeiras fases de estudos científicos

Cedoc/RAC

A vacina chinesa testada no Brasil se mostrou eficiente nas duas primeiras fases de estudos científicos

O Hospital de Clínicas da Unicamp começará a testar a vacina chinesa contra o coronavírus a partir de hoje, em 500 voluntários da área de Saúde. Além da Unicamp, outros quatro centros de pesquisa do Estado começam a testar a Coronavac até sábado, informou ontem o governador João Doria (PSDB). Os testes integram a fase três dos estudos clínicos, que avalia a eficácia do imunizante.
Ontem, as vacinas começaram a ser aplicadas em profissionais da saúde na Universidade de Brasília (UnB) e, hoje, no Hospital das Clínicas da Unicamp. Amanhã, as ações serão iniciadas no Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, e na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto. No sábado, será vez do Hospital São Lucas da PUC do Rio Grande do Sul.
Com isso, já são dez centros de pesquisas integrando a terceira fase dos testes com 9 mil voluntários. A Unicamp informou que os detalhes dos estudos clínicos serão divulgados hoje, em entrevista à imprensa. Na universidade, os estudos serão coordenados pelo infectologista Francisco Aoki. Pelo protocolo, metade dos voluntários receberá a vacina e a outra metade, placebo. Cada paciente receberá duas vacinas repetidas em 14 dias para trabalhos técnicos e revisão dos dados. Ao todo, os voluntários serão acompanhados durante 12 meses.
Depois, haverá mais dois meses de desenvolvimento de trabalhos técnicos para que se chegue a uma conclusão sobre a vacina. Mesmo com a aprovação do resultado, ainda não se sabe quando a vacina estará à disposição do público. Na fase 3, a vacina é administrada a uma grande quantidade de indivíduos, normalmente milhares de pessoas, para que seja demonstrada a sua eficácia e segurança, ou seja, se a vacina é capaz de proteger os indivíduos com o mínimo possível de reações adversas.
A vacina foi desenvolvida pela a farmacêutica Sinovac Life Science e a testagem é uma parceria com o Instituto Butantan. Caso o imunizante seja aprovado, a Sinovac e o Butantan vão firmar acordo de transferência de tecnologia para produção em escala e fornecimento gratuito ao SUS (Sistema Único de Saúde). Os passos seguintes serão o registro do imunizante pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e distribuição em todo o Brasil.
O governador disse que recursos federais não estão sendo utilizados para viabilizar os testes e produção da vacina. O governo fez um chamamento ao setor privado, e já conseguiu R$ 96 milhões, com meta de chegar a R$ 130 milhões necessários para aquisição de equipamentos e operacionalização para dobrar a capacidade de produção da vacina, que é de 120 milhões de doses por ano contra o agente da Covid-19. O Instituto Butantan avalia que sua incorporação ao sistema de saúde deva ocorrer mais facilmente.
O laboratório asiático já realizou testes em cerca de mil voluntários na China, nas fases 1 e 2. Antes, o modelo experimental aplicado em macacos apresentou resultados expressivos de resposta imune contra o coronavírus.

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Maria Teresa Costa