Publicado 01/08/2020 - 12h23 - Atualizado 01/08/2020 - 12h23

Por AFP


A peregrinação a Meca, reduzida este ano pelo coronavírus, deixou menos emissões de carbono, menos lixo e mais gestos amigáveis com o meio ambiente, o que poderia abrir caminho para um "haje verde".

Além de uma dor de cabeça logística e de segurança, a peregrinação costuma ser uma das maiores reuniões religiosas do mundo e um desafio para o meio ambiente.

A presença de milhões de fiéis de todo o mundo em um curto período de tempo e em um espaço limitado gera uma tsunami para o meio ambiente: poluição atmosférica gerada por dezenas de milhares de carros de transporte, milhares de toneladas de resíduos de todos os tipos e um consumo excessivo de água.

Este ano, o ar é mais respirável no haje, a peregrinação muçulmana à Meca, do qual milhares de fiéis participaram.

Mas para a ecologista Nuhad Awad, o impacto no meio ambiente é mais determinado por "nosso comportamento coletivo" do que pela quantidade de pessoas.

No haje deste ano, "tudo está limpo e há poucos trabalhadores municipais para coletar o pouco de lixo", constata Azim Allah Farha, natural do Afeganistão que já fez a peregrinação várias vezes, no Monte Arafat, a 20 km ao leste de Meca, uma das paradas rituais essenciais do trajeto.

Rahim Fajredin, um funcionário do serviço de coleta de lixos, lembra das centenas de toneladas de lixos que os fiéis deixaram nos últimos anos no Monte Arafat, onde passam um dia para pedir a misericórdia de Deus.

No ano passado, cerca de 2,5 milhões de fiéis participaram do haje.

Até recentemente, o meio ambiente não estava entre as preocupações das autoridades sauditas.

Mas em 2018, o conselho da cidade de Meca lançou um programa de triagem do lixo e começou a contemplar sua reciclagem.

Este ano, apesar da drástica limitação do número de peregrinos, o município implantou mais de 13.000 agentes de limpeza nos locais sagrados.

Enormes quantidades de resíduos sólidos serão armazenadas e sua reciclagem está prevista como parte de um projeto em estudo.

"O haje deste ano, embora ocorra em um momento difícil para todo o planeta, pode ser motivo de esperança", disse Nuhad Awad, que colabora nas campanhas do Greenpeace no Oriente Médio e na África do Norte.

"Dá uma ideia do que poderia ser (...) uma peregrinação verde", disse à AFP.

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