Publicado 05/07/2020 - 09h00 - Atualizado 03/07/2020 - 17h48

Por Eduardo Martins/Especial para a Metrópole

A bicicleta acoplada ao rolo de treino se tornou uma alternativa de exercício para fazer em casa durante a quarentena

Leandro Ferreira/AAN

A bicicleta acoplada ao rolo de treino se tornou uma alternativa de exercício para fazer em casa durante a quarentena

A pandemia do novo coronavírus obrigou as pessoas a mudar a rotina e a buscar uma solução para cada nova situação que se apresentava. Em meio a um cenário de incertezas e aflições, a bicicleta foi a alternativa encontrada por muita gente, tanto no campo do trabalho como na manutenção da boa forma física neste período de isolamento social. Assim, a adesão à magrela é crescente tanto para quem perdeu o emprego e buscou uma renda por meio do delivery como para quem preferiu evitar o transporte público por medo de ser contaminado pelo coronavírus.
Os praticantes de atividades físicas também embarcaram nas bikes e, com as academias fechadas, passaram a percorrer distâncias pelas ruas das cidades enquanto outros preferem pedalar parados em suas casas com uma forcinha dos aplicativos de última geração. Toda essa movimentação gerou 50% de aumento nas vendas de bicicletas no mês de maio passado, comparado ao mesmo período de 2019, segundo a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas, a Aliança Brasil.
Em ambiente virtual
O oncologista Guilherme Redi é apaixonado por esportes desde a infância e sempre teve a prática de exercícios físicos como parte de sua vida. Antes da pandemia, o clínico planejava comprar uma bicicleta de estrada e, para não ficar parado durante o isolamento, garantiu a bike, mas também adquiriu um rolo de treino e baixou o aplicativo Zwift para poder fazer exercícios em casa.
O médico explica que acopla o rolo ao eixo traseiro da bicicleta, liga na tomada, aciona o bluetooth e, através do aplicativo, espelha a imagem na TV, computador ou Ipad. Além disso, é necessário realizar um cadastro com os dados pessoais e a plataforma começa a fazer uma simulação como se estivesse pedalando na rua de qualquer lugar do planeta.
“Se o aplicativo está em uma subida, ele simula o esforço da subida e troca de marcha. Aparece meu avatar na TV e posso pedalar como se estivesse presente em grandes cidades espalhadas pelo mundo. Além disso, exibe toda a listagem de outras pessoas que estão conectadas no aplicativo e passam por você. Aparece nome da pessoa, país e dá até para conversar”, conta.
Guilherme afirma que tem observado no aplicativo muitas pessoas pedalando ao mesmo tempo durante a pandemia e encara isso como uma motivação a mais para fazer a atividade física em casa e ao mesmo tempo se divertir e interagir pela plataforma.
“Um puxa o outro, pode conversar, tem como fazer um treino que você pedala por um tempo sem trocar de marcha, seguindo o que o programa manda, com mais ou menos carga. Dá para montar treinos para você em cima disso e pode fazer até vários treinos com o que você tiver interesse”, frisa.
O médico conta que o seu educador físico adaptou um treino funcional para ser realizado em casa, feito de forma intercalada com a bicicleta. Ele destaca que isso também é produtivo e que o investimento está sendo válido para a sua rotina.
“Acho que foi um dos melhores investimentos que fiz nos últimos tempos. Pode ser uma bike mais simples, desde que seja possível pedalar com o rolo. Comecei a pedalar e acho que não paro mais. No rolo, começo aquecendo e aí faço alguns tiros de resistência maior. Pedalo pelo menos três vezes por semana”, pontua.
Guilherme ressalta que a paixão pela bicicleta foi tão grande que isso até chamou a atenção da esposa que começou a fazer exercícios com a bike. “Ela tinha alugado uma, não conseguia ficar mais de meia hora, e aí peguei outra bike que acho que ela vai conseguir fazer exercício por mais tempo. Para fazer em casa, não é só ligar a TV e ter a garantia que vai pedalar. Você consegue fazer muito mais do que você faria normalmente na bicicleta. É um vídeo game de adulto”, finaliza.
Vendas de bikes aumentam 50%
A bicicleta se tornou o meio de locomoção de muitas pessoas que querem fugir do transporte coletivo e buscam uma forma mais segura de trabalhar em meio ao relaxamento das normas de isolamento social. Segundo dados da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas, as vendas de bikes apresentaram alta de 50% no último mês de maio, comparando números do mesmo período do ano passado.
“O que se pode concluir deste levantamento é que a pandemia e o processo de saída dela estão oportunizando, ao mercado de bicicletas, acesso a um público novo, que está buscando uma nova forma de se locomover. Tanto para fugir das aglomerações no transporte público, quanto do alto custo e do estresse de se deslocar de carro”, comenta Giancarlo Clini, presidente da Aliança Bike.
De acordo com o levantamento realizado pela associação, os modelos mais procurados, e que motivaram esse crescimento significativo nas vendas, são das chamadas bicicletas de entrada. São modelos com preços entre R$ 800,00 e R$ 3.000,00 e que servem para deslocamentos dentro das cidades. Nesta pesquisa, foram consideradas apenas vendas nas lojas de bicicleta físicas e em e-commerces. Os grandes magazines estavam fechados no momento do levantamento.
Gabriel Almeida, gerente de vendas da ProSport Bike de Campinas, afirma que as vendas de bicicletas na loja mais que dobraram durante a quarentena. O lojista também destaca que o rolo de treino é um equipamento que muitas pessoas também estão procurando.
“A procura pelo rolo de treino é algo absurdo. Esse produto ficava até meio que encalhado na loja antes da quarentena e muitas pessoas nem pensavam em comprar para fazer treino em casa. Agora ele está se esgotando nos estoques da loja e dos fabricantes”, garante.
Fabrício Antunes, proprietário da loja Eurocycle Bike Shop de Campinas, estava preocupado com a crise no início do período de isolamento social, mas destaca que desde abril a procura por bicicletas também está sendo grande e garante que as vendas aumentaram em ao menos 30%.
“A procura foi grande, o pessoal estava sem opção de esporte, as academias estão fechadas e a bike é um esporte ao ar livre que oferece menor risco de pegar a doença. Muita gente partiu para a bike. O mercado de ciclismo e rolo vendeu muito, acabou muito rápido e o pessoal não estava tão preparado”, afirma.

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Eduardo Martins/Especial para a Metrópole