Publicado 30/07/2020 - 07h59 - Atualizado 30/07/2020 - 07h59

Por Francisco Lima Neto

Na Praça Arautos do Paz, personal cuida das alunas ao ar livre: atividade física faz bem para o corpo, para a mente e para o bolso dos instrutores

Leandro Ferreira/AAN

Na Praça Arautos do Paz, personal cuida das alunas ao ar livre: atividade física faz bem para o corpo, para a mente e para o bolso dos instrutores

Por conta da proibição do funcionamento das academias devido ao novo coronavírus, muitos alunos e professores tiveram de buscar alternativas para se manter ativos, seja pelo condicionamento físico ou pela saúde mental. Nesse contexto, as praças foram redescobertas como opção para a prática de esportes e convívio.
Uma das pessoas que recorreram ao ar livre para a prática de esportes é a administradora de empresas Roberta Bubulla, de 39 anos. Ela sempre praticou atividade física em academia. "Com o fechamento da academia eu fiquei dois meses parada. Nesse período tive crise de depressão. Eu já tinha o diagnóstico antes, estava controlada, mas como parei a atividade física, reapareceu" conta.
Ela recebe acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, com médicos e psicólogo. Por orientação deles, passou a fazer atividade física na Praça Arautos da Paz. "Sentia muita falta de praticar atividade e no meu caso é prescrição médica. Na academia eu há tinha personal, quando ele foi para a praça eu fui também", diz.
Robson Marques, de 40 anos, personal trainer de Roberta, teve de se adaptar e oferecer aulas na praça. "Passei a fazer isso na quarentena porque muitos alunos não queriam aula on-line porque é monótono. Gostam de pegar peso. Dou aula na Arautos da Paz todos os dias", conta. Para isso, Marques investiu R$ 3 mil em equipamentos. Mas não se arrepende. "Consegui muitos alunos e estou ganhando mais agora do que na academia. Quase duplicou a minha renda", comemora.
Flávia Franco, de 37 anos, também administradora, ficou sem a opção da academia e passou a praticar muay thai ao ar livre. "Uma amiga tava fazendo aulas com personal. Vi na rede social e pedi o contato. Já tem um mês e não quero largar mais. A atividade faz toda a diferença, até no humor. Tenho dores nas articulações, mas quando faço atividade deixo de sentir e tenho mais pique para as minhas filhas gêmeas de cinco anos", afirma.
Ela ainda pratica musculação no condomínio quando não tem ninguém na academia e pedala ao ar livre. "Quando as academias reabrirem não sei se vou ter coragem de voltar antes de ter uma vacina. Ao ar livre é bom porque o risco é menor e a gente mantém distanciamento", garante.
Diego Rodrigues, de 33 anos, professor da administradora, diz que sempre deu aula ao ar livre para quem não tem espaço em casa ou prefere a praça, mas viu o número de alunos crescer nesse período. "Nesses últimos meses aumentou bastante. Acredito que vão continuar com essas aulas mesmo depois da pandemia porque estão gostando”, diz.
De acordo com ele, a renda também cresceu, já que recebe mais pelas aulas particulares do que pelas academias. Ele faz questão de manter as medidas de higiene. "Sempre limpo os equipamentos entre uma aula e outra e sempre estou de máscara. Quando possível também troco de roupas entre as aulas", explica.
A personal trainer Cristiane Oliveira, de 45 anos, se reveza entre as aulas no Centro de Convivência e Largo Santa Cruz. O trabalho dela é focado em pessoas mais velhas. "Voltei a dar aula nas praças há um mês. Antes estava só on-line, mas a aluna mais nova tem 52 anos. É um público que não gosta tanto do virtual e tem desvio postural", conta.
Ela tem alunas que procuraram a atividade por recomendação médica. "É um público em que o trabalho é voltado à mobilidade e ao convívio. É importante que vejam outros ambientes, tenham contato com outras pessoas, é quase uma aula meio terapia ", garante.
Campinas está, atualmente, na fase laranja do Plano São Paulo. As academias só devem retomar as atividades na fase Amarela. De acordo com a Associação Brasileira de Academias, ao menos 145 das 414 academias que funcionam na região (35%) já encerraram suas atividades em definitivo desde o início da quarentena.

Escrito por:

Francisco Lima Neto