Publicado 25/07/2020 - 09h55 - Atualizado 25/07/2020 - 09h55

Por Da Agência Anhanguera

Em cidades onde operam aeroportos internacionais, como Viracopos de Campinas, a incidência se revela maior

Leandro Ferreira/AAN

Em cidades onde operam aeroportos internacionais, como Viracopos de Campinas, a incidência se revela maior

Uma pesquisa realizada em conjunto por 15 instituições brasileiras – entre elas a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – e entidades britânicas analisou a dispersão do novo coronavírus no Brasil, detectando cerca de 100 introduções distintas do vírus no País. Classificado como o maior estudo de vigilância da Covid-19 na América Latina, até agora, o trabalho sequenciou 427 genomas da doença de 21 estados, apontando que a maior parte das inserções foram identificadas nas capitais com maior incidência de vôos internacionais, como São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Rio de Janeiro. 
O trabalho rendeu publicação na última quinta-feira, na Science, uma das revistas acadêmicas mais prestigiadas do mundo. Professor e coordenador do Laboratório de Estudos de Vírus Emergentes (LEVE) do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, José Luiz Proença Módena, que esteve envolvido com sua equipe no desenvolvimento da análise, esclarece que os dados mostram que o vírus foi inserido no País, principalmente por pessoas que estavam voltando da Europa e dos Estados Unidos. “A partir dessa introdução maciça, antes dos eventos de contenção e de isolamento social, o vírus se disseminou principalmente em três grandes grupos, que tiveram maior sucesso e que se espalharam no Brasil”, acrescenta.
Nesses conjuntos preponderantes, que englobaram 76% dos vírus detectados até abril, Módena observa que foram identificadas mutações associadas a formas graves da Covid-19. "Todos eles têm uma mutação pontual na proteína spike, que é uma proteína associada à patogenicidade, com a doença mais grave e com aumento da carga viral", disse.
A maior parte das introduções do vírus no Brasil ocorreu nas capitais com maior incidência de vôos internacionais, como São Paulo. Apenas uma pequena parcela resultou nas linhagens que se dispersaram no País por transmissão comunitária, ou seja, por transmissões cuja origem da infecção não é possível de rastrear e que circulam entre pessoas que não viajaram.
Região
Em Campinas e região, Módena destaca que houve um esforço grande do LEVE e de profissionais da área de saúde da Unicamp: equipe do Laboratório da Patologia Clínica e Núcleo de Vigilância Epidemiológica do Hospital de Clínicas (HC), profissionais do Centro de Saúde da Comunidade (Cecom) e profissionais do Hospital de Sumaré.
O esforço “possibilitou com que conseguíssemos sequenciar, de Campinas, de 66 genomas completos do vírus que ajudaram na construção dos dados”.
Isolamento
Os resultados demonstram que intervenções como o fechamento das escolas e do comércio no final de março, embora insuficientes, ajudaram a reduzir a taxa de transmissão do novo coronavírus. Inicialmente, essa taxa foi superior à três, o que significa que uma pessoa transmitia o vírus para outras três. Após as medidas, os valores caíram para entre um e 1,6, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. Para controlar a epidemia, entendesse necessária a queda do índice para menos de um.

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