Publicado 21/07/2020 - 07h49 - Atualizado 21/07/2020 - 07h49

Por Maria Teresa Costa

A vacina chinesa Coronavac, se aprovada nos testes, será produzida também pelo Instituto Butantan

Cedoc/RAC

A vacina chinesa Coronavac, se aprovada nos testes, será produzida também pelo Instituto Butantan

A vacina chinesa Coronavac, contra a Covid-19, começará a ser testada amanhã no Hospital de Clinicas de São Paulo em 890 voluntários médicos e paramédicos. As vinte mil doses chegaram na madrugada de ontem em São Paulo e começarão a ser distribuída aos 12 centros brasileiros que participarão dos testes clínicos do imunizante com nove mil voluntários. O HC da Unicamp é um desses centros e deverá iniciar os testes dentro de 20 a 30 dias, assim que a estrutura do local estiver pronta, e vistoriada pela equipe do Instituto Butantan.
O estudo clínico da vacina no HC da Unicamp envolverá 500 profissionais de saúde, que são voluntários para a terceira fase dos testes, segundo informou, na semana passada, o coordenador do projeto, Francisco Aoki. Metade dos voluntários receberá placebo e outra metade, a vacina. Esse estudo avaliará a eficácia e segurança contra a Covid-19.
A Coronavac é desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech. O governador João Doria (PSDB) disse ontem, em live, que a estimativa é concluir todo o estudo da fase 3 de testes em até 90 dias. Procedimentos similares, informou, serão feitos em outros centros de pesquisas brasileiros. Os testes serão acompanhados por uma comissão de pesquisadores internacionais, informou. "Se tivermos sucesso, a vacina será produzida no Instituto Butantã, já no início do ano, com mais de 120 milhões de doses", disse.
O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse que o Brasil poderá ter a primeira vacina a ser usada em massa e essa perspectiva é muito favorável. "A vacina hoje é a mais avançada em termos de histórico, porque é uma tecnologia já conhecida, o que nos dá uma vantagem competitiva. Não que estejamos numa competição. A competição é contra a epidemia. Essa vantagem nos dá uma esperança de vacinar a nossa população", afirmou. Covas disse que o site do governo, onde os voluntários fizeram a pré-inscrição, recebeu até sábado mais de 1 milhão de acessos. "Isso mostra a importância deste projeto e a importância dos centros de pesquisa que participam", disse.
Experimento de Oxford produz boa resposta imune
A vacina experimental para a Covid-19 da AstraZeneca, desenvolvida na Universidade de Oxford, é segura e produziu resposta imune em ensaios clínicos iniciais em voluntários saudáveis, informaram cientistas da instituição ontem. 
O imunizante testado por Oxford, chamado AZD1222, não provocou efeitos colaterais graves e desenvolveu respostas imunes a anticorpos e células T, de acordo com o estudo publicado na revista médica The Lancet. Os resultados referem-se às fases 1 e 2 de testes. A terceira etapa está sendo testada em 50 mil pessoas, incluindo 5 mil brasileiros.
"Esperamos que isso signifique que o sistema imunológico se lembre do vírus, para que nossa vacina proteja as pessoas por um período prolongado", disse o principal autor do estudo, Andrew Pollard, da Universidade de Oxford. "No entanto, precisamos de mais pesquisas ", explicou.
A vacina de Oxford está entre as principais candidatas na luta contra a Covid-19, ao lado de outras em ensaios de estágio intermediário e final. Outro imunizante em estágio avançado de teste é a coronavc, da chinesa Sinovac Biotech.
A AstraZeneca assinou acordos com governos de todo o mundo para fornecer a vacina, caso ela se mostre eficaz e obtenha aprovação regulatória. A vacina pode ter registro aprovado em junho de 2021. Normalmente, a vacina levaria 18 meses para ser aprovada. Mas os cientistas estão confiantes de que conseguirão encurtar este período para 12 meses se os resultados forem positivos. Essa redução é possível porque a vacina está sendo testada simultaneamente em 50 mil pessoas em todo o mundo, um número recorde. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem atualmente 163 substâncias candidatas a vacina contra a covid-19 em desenvolvimento em todo o mundo. Também segundo a OMS, a de Oxford é a que se encontra em estágio mais avançado de testes. (Estadão Conteúdo)

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Maria Teresa Costa