Publicado 19/07/2020 - 10h57 - Atualizado 19/07/2020 - 10h57

Por Daniel de Camargo

Um dos diferenciais do sistema Helpbox, integrado por uma caixa de resposta por voz e uma pulseira com sensores, é a não utilização de celulares: acompanhamento em tempo real

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Um dos diferenciais do sistema Helpbox, integrado por uma caixa de resposta por voz e uma pulseira com sensores, é a não utilização de celulares: acompanhamento em tempo real

Em tempos de pandemia, em que o isolamento social é apontado por muitos especialistas como a principal arma para combater o avanço da Covid-19, uma startup campineira com menos de um ano de existência desponta no mercado nacional oferecendo uma solução de monitoramento inteligente para a população idosa — pessoas com idade a partir de 60 anos, que são mais suscetíveis a complicações da doença.
Por meio de um sistema intitulado Helpbox (caixa de ajuda, em tradução livre), que integra uma caixa de resposta por voz e uma pulseira com sensores, a empresa permite ao cliente o acompanhamento das atividades dos idosos em tempo real. O aplicativo disponibiliza identificação de queda, monitoramento da frequência cardíaca, cruzamento de dados clínicos do assistido, controle de sono e uma central de atendimento 24 horas.
Um dos fundadores e sócio da startup, que leva o nome do produto, Adriano Goes, engenheiro elétrico formado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), frisa que o serviço prestado é preventivo. Contudo, em caso de alerta, primeiro são contactados os familiares e, em seguida, se necessário, os atendimentos de emergência. Acrescenta que para dar celeridade aos procedimentos, em alguns casos até os vizinhos são cadastrados como contatos.
Goes revela que a ideia surgiu em dezembro de 2019, a partir de uma necessidade familiar. O engenheiro tem uma avó, de 91 anos, que mora sozinha. Segundo ele, em decorrência de compromissos, entre eles profissionais, não é possível dar a assistência devida. “Não sabíamos se ela tinha dormido ou se alimentado bem. Hoje, sei que ela tem uma rotina: acorda às 7h, vai cuidar dos seus passarinhos e depois toma café”, comentou. Completa que qualquer anormalidade no padrão seguido para execução das tarefas diárias gera um questionamento se alguma coisa aconteceu. Neste caso, é estabelecida conexão por meio da caixa de voz para checar se está tudo bem com o idoso.
Ainda sobre o sistema, aponta que um dos diferenciais é a não utilização de celulares, considerando que alguns idosos tem dificuldade com esse tipo de aparelho. O Helpbox foi projetado para ser prático, assegura. Os sinais captados na pulseira são enviados para a caixa, onde são inicialmente processados.
Posteriormente, os dados são destinados para uma central de inteligência artificial em nuvem, onde ficam armazenados. Compilados, geram gráficos e relatórios. Dentre seus colaboradores, informa Goes, há profissionais da saúde, que interpretam essas informações.
Após testar a funcionalidade em um protótipo, ele e o sócio Cícero Luís Junior, formado em engenharia da computação também na Unicamp, conseguiram um investidor que aportou R$ 300 mil. Com o recurso, lançaram algumas unidades para usuários pilotos. No momento, já são mais de 100 idosos assistidos em São Paulo, diversas cidades do interior paulista e outros estados. O foco atual é impulsionar o marketing da empresa para obter clientes em todo o Brasil. Uma expansão internacional, entretanto, já é planejada, uma vez que há convite para operações na Argentina, Chile e Colômbia. A mensalidade do plano para um usuário sai por R$ 179, e não há taxa de adesão ou tempo de fidelidade.
“A pandemia potencializou muitos problemas, impedindo a visita dos familiares aos idosos. Então, nossos clientes estão isolados sim, mas sozinhos não. O Helpbox se tornou uma companhia para eles. Recentemente, um idoso comentou comigo que espera nossa atendente dar bom dia para ele, pela manhã, para poder conversar com ela. Isso nos gera gratidão porque estamos ajudando no bem-estar dessas pessoas, não somente trabalhando para mitigar os efeitos de uma possível queda, por exemplo”, encerrou Goes.

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Daniel de Camargo