Publicado 13/07/2020 - 14h54 - Atualizado 13/07/2020 - 15h07

Por Maria Teresa Costa

A vacina é baseada na manipulação em laboratório de células humanas infectadas com o coronavírus

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A vacina é baseada na manipulação em laboratório de células humanas infectadas com o coronavírus

O processo de inscrição de nove mil voluntários que participarão dos estudos clínicos da Coronavac começa nesta terça (14) e a previsão é que, a partir de segunda-feira (dia 20), os 12 centros de pesquisas, entre eles a Unicamp, que participarão fase 3 do estudo, iniciem os testes exclusivamente em profissionais da saúde que atuam no atendimento de pacientes com Covid-19. Essa fase vai verificar eficácia, segurança e o potencial do medicamento para produção de respostas imunes ao coronavírus nos nove mil voluntários. 
No endereço www.saopaulo.sp.gov.br/coronavirus/vacina será possível acessar a plataforma de triagem onde responde algumas perguntas iniciais para saber se o candidato corresponde aos critérios de recrutamento.
Para participar da pesquisa, os voluntários precisarão ter mais de 18 anos, não ter infecção prévia, ou seja, que não tenham se infectado pelo coronavírus, não participar de outros estudos clínicos, não ter outras doenças ou outras alterações que impeçam a aplicação de vacina. Grávidas não poderão participar dos testes clínicos.
Segundo o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, os dados serão encaminhados aos centros que analisarão os candidatos. “Na semana passada o projeto foi aprovado pela Conep e os 12 centros participantes também já tiveram os protocolos clínicos aprovados e agora iniciamos um processo de conscientização da sociedade. Os voluntários serão incluídos nos centros de forma absolutamente sigilosa", disse.
A vacina da Sinovac é baseada na manipulação em laboratório de células humanas infectadas com o coronavírus. Ela é produzida com fragmentos “desativados” do coronavírus para inoculação em humanos. Com a aplicação da dose, o sistema imunológico passaria a produzir anticorpos contra o agente causador da Covid-19.
Nas fases 1 e 2 dos testes, realizados com mil voluntários na China, 90% dos pacientes demonstraram imunidade após receber o imunizante, segundo Covas. Na fase 1, os testes medem potenciais efeitos colaterais, sua intensidade e diferentes dosagens para tentar achar o equilíbrio entre a dose mais eficaz para neutralizar o vírus sem que cause dano a quem se vacinou. Também é avaliada a resposta imunológica. Na fase 2, os testes são feitos com centenas de pessoas para avaliar como o organismo responde à vacina, ter informações mais claras sobre a eficácia da vacina, se os anticorpos produzidos são os esperados e se ela realmente tem potencial para imunizar os voluntários contra o vírus.
O acordo feito com o laboratório chinês Sinovac prevê a disponibilização de 60 milhões de dose até 2021 para o início imunização da população, quando a vacina estiver liberada. Os critérios de aplicação na população serão definidos pelo Programa Nacional de Imunização.
O protocolo de testagem prevê que a cada pessoa que receber a dose da vacina, outra receberá placebo (formulação sem efeito farmacológico) e os dados serão avaliados por uma organização internacional e divulgados após o final da pesquisa ao Instituto Butantan.
Além da Unicamp, participarão do teste da vacina, o Centro de Pesquisa do Hospital de Clínicas de São Paulo, o Instituto Albert Einstein, Instituto de Infectologia Emilio Ribas, o Hospital Municipal de São Caetano do Sul, a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, a Universidade Federal de Brasília, Instituto de Infectologia Evandro Chagas do Rio de Janeiro, a Universidade Federal de Minas Gerais, o Hospital São Lucas da PUC do Rio Grande do Sul e o hospital da Universidade Federal do Paraná.

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Maria Teresa Costa