Publicado 11/07/2020 - 10h19 - Atualizado 11/07/2020 - 12h00

Por Maria Teresa Costa

Carmino de Souza é secretário de Saúde de Campinas

Cedoc/RAC

Carmino de Souza é secretário de Saúde de Campinas

O secretário de Saúde, Carmino de Souza, informou que os números de novos casos confirmados na semana e as curvas de ocupação de leitos de UTI indicam que Campinas atingiu um platô na pandemia, termo utilizado pelas autoridades de Saúde quando há uma estabilização da evolução dos índices. Segundo ele, a expectativa é que, em três semanas, casos confirmados e mortes comecem a reduzir. Campinas chegou ontem a 11.536 casos confirmados e 437 mortes pela Covid-19.
Isso só ocorrerá, disse, se as medidas de distanciamento, isolamento social, uso de máscaras e álcool em gel continuarem a ser adotadas pela população. "Não é porque estamos vendo uma estabilização dos números que podemos relaxar. Agora, mais do que nunca, é necessário que essas medidas sejam ampliadas", informou.
A estabilização da evolução dos índices também está ocorrendo no Estado. O governador João Doria (PSDB) informou quedas nos números óbitos por duas semanas sucessivas e, pela primeira vez desde o início da pandemia. "É uma conquista importante, mas não significa que vamos relaxar nas medidas e nem promover distensão total e absoluta. É hora de atenção redobrada para manter o Estado no platô e com controle sobre a doença", afirmou.
A relação entre novos casos e mortes aponta para uma taxa de letalidade de 4,9%, a menor da pandemia no Estado. Segundo Doria, a evolução das infecções pelo novo coronavírus vem regredindo nas duas últimas semanas na Capital e Grande São Paulo, e Litoral e Interior estão caminhando para a estabilização.
O coordenador do Centro de Contingência da Covid-19 no Estado, Paulo Menezes, afirmou que há preocupação com a possibilidade de uma nova onda de avanço da doença, como ocorreu em algumas cidades e países que tiveram retomada das atividades. "Sempre há um risco, mas tudo indica que estamos caminhando de forma segura", disse.
A estabilização da evolução nos números da pandemia é baseada no cálculo da média móvel de casos e mortes nos últimos sete dias divididos por sete. Assim, por esses cálculos, Campinas teve na semana de 4 a 10 de julho, 2.227 novos casos confirmados e mais 82 mortes — média diária de 318,14 novos casos e 11,7 óbitos.
Em função do tempo de incubação do coronavírus, os técnicos recomendam comparar a média móvel mais recente com a de 14 dias atrás. Assim, de 19 de junho a 3 de julho, a cidade registrou 4.965 casos e 169 mortes, media diária de 337 casos e 11,5 mortes.
Nessa comparação, especialistas entendem que variações no número de mortes ou de casos de até 15%, para mais ou para menos, caracterizam estabilidade da doença no período. "A dinâmica da doença em outros locais mostra que ela tem um curso de oito semanas e, dependendo da ação que foi adotada antes da estabilização, há uma queda nos registros de casos e mortes", afirmou Carmino. Ou seja, as atitudes tomadas hoje terão reflexos na curva de evolução da Covid-19 nas próximas semanas.
Artista presta homenagem a profissionais
O artista contemporâneo Gustavo Nénão, conhecido internacionalmente por suas pinturas usando a técnica grafiiti fine art, escolheu o Hospital de Clínicas da Unicamp para expressar apoio aos profissionais da Saúde no enfrentamento do coronavírus. Utilizando somente sprays especiais importados, segundo a Assessoria de Imprensa do hospital, Nénão levou 16 horas para concluir a pintura que tem um efeito 3D e está localizada no principal corredor do hospital, no terceiro andar.
Nénão conta que é a primeira pintura que realiza dentro de um hospital e isso traz boas lembranças da infância, já que o pai também é médico. "Eu lembro que a hora mais feliz do meu dia era quando meu pai chegava em casa, após algum plantão ou de seu consultório, pois sabia que sua missão era salvar vidas. E cá estou dentro de um hospital em momento tão importante na vida de todos vocês. Se alguém aqui tem agradecer sou eu pelo que vocês estão fazendo nesse momento. Muito obrigado por essa oportunidade única", comentou Nénão.
Com mais de 26 anos de carreira, Gustavo Nénão, graduado em Comunicação Social pela PUC, já apresentou suas obras em importantes galerias de 39 países. Sua última apresentação foi no museu de arte Zentrum Paul Klee, em Berna, capital da Suíça. Dividindo sua agenda entre a Europa e a América do Norte e do Sul, recentemente Nénão acertou a criação de trabalhos exclusivo para a McLaren até o final de 2021.
Em 2014, Nénão foi o único brasileiro escolhido pela ex-primeira dama norte americana, Michelle Obama, para participar da exposição Taking Back the Streets, na famosa galeria ArtBeam, em Nova York. Foram duas obras, uma obra feita em Campinas e enviada para NY e outra original de 70 x 100, exposta no interior do local. A obra selecionada para ilustrar a entrada do ArtBeam mostrava uma criança soltando pássaros de dobradura ao invés de bolhas de sabão. Nénão conta que cada desenho demora entre oito e 15 horas para ser finalizado no local, além de mais alguns dias para a criação e confecção da base em menor escala para orientação. As informações são da Assessoria de Imprensa do HC Unicamp.

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Maria Teresa Costa