Publicado 09/07/2020 - 07h43 - Atualizado 09/07/2020 - 07h43

Por Maria Teresa Costa

Infraestrutura montada no complexo esportivo do Ibirapuera: ocupação de leitos será regulada pela Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde de SP

Van Campos/Estadão Conteúdo

Infraestrutura montada no complexo esportivo do Ibirapuera: ocupação de leitos será regulada pela Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde de SP

O Hospital de Campanha montado no Complexo do Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo, está à disposição para receber pacientes de Covid-19 da região de Campinas, anunciou ontem o governador João Doria (PSDB). A autorização para as transferências começou a valer ontem. A medida visa aliviar a pressão regional por leitos para pacientes infectados com o novo coronavírus em Campinas. O prefeito Jonas Donizette (PSB) informou que Campinas não deverá enviar pacientes para São Paulo — a transferência de doentes da região para o Ibirapuera permitirá que a estrutura da cidade consiga dar conta do atendimento aos moradores do Município.
A unidade funciona de portas fechadas e tem 268 leitos para casos menos graves — são 240 de baixa complexidade e 28 de UTI. Ontem, segundo o governo, 146 pacientes estavam internados na unidade que, desde a inauguração, em 1° de maio, recebeu 1.667 pacientes e 1.191 receberam alta. Houve nove mortes nesse período.
O governo chegou a oferecer ao prefeito Jonas Donizette (PSB) a transferência para Campinas do Hospital de Campanha do Pacaembu, desativado na semana passada, mas o prefeito recusou, alegando que levaria muito tempo para o início da operação, uma vez que haveria necessidade de desmontar esse hospital, montá-lo aqui e ainda existia a discussão de como seria o custeio da unidade.
Jonas pediu então que o governo repassasse recursos para poder comprar leitos para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) na rede privada. Para Jonas, era essencial que o Estado viabilizasse um equipamento de grande porte para atender a região.
Segundo o governador, o hospital do Ibirapuera receberá preferencialmente pacientes da região de Campinas, mas irá também atender outras regiões. A decisão, afirmou, permitirá o atendimento correto dos pacientes, sem aumento de custos para montar uma unidade na cidade. "Não precisaremos gastar dinheiro público montando um hospital na região. Será mais barato providenciar o transporte adequado dos pacientes para São Paulo", disse.
A alta taxa de ocupação hospitalar foi definitiva para que as 42 cidades da região saíssem da fase laranja e retornassem à fase vermelha, a mais restritiva, do Plano SP de retomada das atividades. Ontem, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a taxa estava em 80,3% — taxas acima de 80% colocam as regiões automaticamente na fase vermelha do plano, onde apenas serviços essenciais podem funcionar.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, a recepção de pacientes da região de Campinas no Hospital de Campanha do Ibirapuera está sendo possível pela baixa ocupação de leitos de UTI da unidade, de 55%, que ocorre pela evolução positiva da epidemia na cidade. "Os investimentos nesse hospital, de mais de R$ 10 milhões, serão agora direcionados para os pacientes da região de Campinas. A parceria entre o hospital do Ibirapuera e os prefeitos se dará no transporte dos pacientes", afirmou. As prefeituras cuidarão desse transporte. Na semana passada, o governo do Estado anunciou o envio para Campinas de uma ambulância preparada para o transporte de pacientes graves.
A ocupação de leitos no Ibirapuera será regulada pela Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross) no Estado. Os leitos do hospital de campanha foram disponibilizados ontem para a central de vagas, que a partir de agora será a responsável pelo direcionamento de pacientes da região a São Paulo. A recepção dos pacientes, disse Vinholi, começa nos próximos dias.
Além da possibilidade de encaminhamento de pacientes ao hospital do Ibirapuera, moradores da região de Campinas, segundo o governo do Estado, contam também 662 novos leitos de UTI criados em serviços de referência regionalizada, com foco no enfrentamento à pandemia. Também foram enviados 174 respiradores a unidades municipais, estaduais e filantrópicas localizadas na área do DRS (Departamento Regional de Saúde).
Transferências abrem vagas para município
O Hospital de Campanha do Ibirapuera, em São Paulo, não deverá receber pacientes com Covid-19 de Campinas, informou o prefeito Jonas Donizette. Segundo ele, com o atendimento de pacientes da região, a pressão por leitos será reduzida e Campinas terá condições de oferecer cuidados aos moradores infectados pelo novo coronavírus. Essa unidade garantirá atendimento para cerca de 6,5 milhões de pessoas das 42 cidades que integram a direção regional de saúde.
A taxa de ocupação de leitos de UTI ontem em Campinas ficou em 88,65%, sendo a maior pressão no SUS municipal, com 97% dos leitos ocupados, seguida do SUS estadual com 91% e particular, de 80%.
Segundo o prefeito, a medida é essencial para liberar leitos para pacientes de Campinas, que majoritariamente são ocupados pela região — um quarto dos internados atualmente na Unicamp e um percentual menor no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) moram no Município.
"Essas cidades têm sistema de transporte para pacientes graves e conhecimento nessa área, coisa que não temos. Com a disponibilidade do Ibirapuera, seus pacientes não viram mais para Campinas", afirmou.
No sábado e na segunda-feira, Jonas conversou com os prefeitos da região e a proposta do Ibirapuera, segundo ele, foi bem acolhida. "É um desafogo para pacientes de gravidade intermediária em nossos hospitais", disse o secretário municipal de Saúde, Carmino de Souza.

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Maria Teresa Costa