Publicado 01/07/2020 - 12h57 - Atualizado 01/07/2020 - 13h20

Por Maria Teresa Costa

Vários hospitais e centros de pesquisa do Estado estarão engajados no estudo da vacina que, se mostrar eficaz, será produzida pelo Butantan

Cedoc/RAC

Vários hospitais e centros de pesquisa do Estado estarão engajados no estudo da vacina que, se mostrar eficaz, será produzida pelo Butantan

O Hospital de Clínicas da Unicamp vai participar dos testes clínicos com uma potencial vacina contra a Covid-19, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac. A testagem será coordenada pelo Instituto Butantan, que já cadastrou nove mil voluntários para o estudo. Vários hospitais e centros de pesquisa do Estado estarão engajados no estudo da vacina que, se mostrar eficaz, será produzida pelo Butantan.
O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, acredita que o estudo clínico deverá começar na próxima semana. Também na próxima semana, o Estado vai divulgar os critérios de inclusão de candidatos na pesquisa.
Além da Unicamp, participarão do teste da vacina, o Centro de Pesquisa do Hospital de Clínicas de São Paulo, o Instituto Albert Einstein, Instituto de Infectologia Emílio Ribas, o Hospital Municipal de São Caetano do Sul, a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, a Universidade Federal de Brasília, Instituto de Infectologia Evandro Chagas do Rio de Janeiro, a Universidade Federal de Minas Gerais, o Hospital São Lucas da PUC do Rio Grande do Sul e o hospital da Universidade Federal do Paraná.
O acordo com a empresa chinesa prevê testagem em nove mil voluntários no Brasil e fornecimento de doses até junho de 2021 se a imunização se provar eficaz e segura. A vacina é chamada de CoronaVac pela farmacêutica chinesa e já foi administrada com sucesso em cerca de mil pessoas na China nas fases clínicas um e dois – antes, já havia sido aprovada em testes de laboratório e em macacos. Com o controle da pandemia na Ásia, a empresa sediada em Pequim buscava cooperação com outros países para dar sequência à etapa final de testes.
O ensaio clínico vai verificar eficácia, segurança e o potencial do medicamento para produção de respostas imunes ao coronavírus nos nove mil voluntários. O Butantan vai preparar centros de pesquisa para condução dos estudos em todo o Brasil.
Se a vacina for aprovada, a Sinovac e o Butantan vão firmar acordo de transferência de tecnologia para produção em escala industrial tanto na China como no Brasil para fornecimento gratuito ao SUS (Sistema Único de Saúde).
A vacina da Sinovac é baseada na manipulação em laboratório de células humanas infectadas com o coronavírus. Ela é produzida com fragmentos “desativadas” do coronavírus para inoculação em humanos. Com a aplicação da dose, o sistema imunológico passaria a produzir anticorpos contra o agente causador da Covid-19.
É o mesmo princípio usado em outras vacinas globalmente bem-sucedidas, como as do sarampo e poliomielite. O Butantan é o principal produtor de soros e vacinas do Brasil e possui expertise reconhecida em todo o mundo em tecnologias de imunização.

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Maria Teresa Costa