Publicado 28/07/2020 - 12h52 - Atualizado 28/07/2020 - 12h52

Por AFP


O projeto internacional Iter, no qual 35 países tentam desenvolver a fusão de hidrogênio para produzir energia limpa, deu um novo passo nesta terça-feira (28), com o início da montagem de seu reator no sul da França.

"Com a fusão, a energia nuclear pode ser promissora para o futuro", oferecendo-nos "energia limpa, descarbonizada, segura e praticamente sem desperdício", disse o presidente da França, Emmanuel Macron, em um vídeo divulgado durante a cerimônia em Saint-Paul-lès-Durance, onde o programa ocorre.

Também em uma mensagem de vídeo, o presidente sul-coreano, Moon Jae-In, elogiou "o maior projeto científico da história da humanidade" e este "sonho compartilhado de criar energia limpa e segura até 2050".

Este projeto foi iniciado por um tratado de 2006 e envolve 35 países - toda União Europeia (mais o Reino Unido), Suíça, Rússia, China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos.

Uma alternativa ideal aos combustíveis fósseis, como petróleo, gás, ou carvão, que emitem CO2, a fusão de hidrogênio também pode substituir a energia nuclear.

A fissão atômica (que consiste em dividir um átomo de urânio, produzindo criptônio, bário e um excedente de energia) gera resíduos radioativos que persistem dezenas de milhares de anos.

Por outro lado, a fusão (que se baseia na união de dois átomos de hidrogênio, produzindo um de hélio e um excedente de energia) "não gera resíduos duradouros", explicou o CEO da Iter, Bernard Bigot.

Outra vantagem é que os combustíveis necessários para essa fusão, extraídos da água e do lítio, estão disponíveis e, segundo Bigot, "um grama de combustível libera tanta energia quanto oito toneladas de petróleo".

O problema da fusão é que ela requer temperaturas e pressões, às quais nenhum material consegue resistir. Com isso, o processo deve ser confinado dentro de um campo magnético - algo que nunca foi feito antes.

Nos últimos meses, vários componentes deste reator experimental, chamado "Tokamak" - alguns deles da altura de um prédio de quatro andares e pesando várias centenas de toneladas - foram trazidos da Índia, China, Japão, Coreia do Sul e da Itália.

Os elementos estão chegando gradualmente, mas as milhões de peças desse quebra-cabeça tridimensional ainda precisam ser montadas. Este trabalho deve durar até 2024 e empregar 2.300 pessoas.

O reator gigantesco deve permitir reproduzir a fusão de hidrogênio que ocorre no coração das estrelas.

Especificamente, essa fusão será obtida elevando a uma temperatura de cerca de 150 milhões de graus uma mistura de dois isótopos de hidrogênio transformados em plasma, o quarto estágio da matéria.

Iter poderia começar a produzir plasma no final de 2025, ou no início de 2026, e o reator poderia atingir a potência máxima em 2035.

Como reator experimental, Iter não vai gerar eletricidade. Na melhor das hipóteses, será necessário esperar até 2060 para ter a primeira conexão à rede elétrica de um reator de fusão derivado do Iter.

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