Publicado 21/06/2020 - 11h05 - Atualizado 21/06/2020 - 11h05

Por Da TV Press

Fátima Bernardes é uma das estrelas da TV Globo

Divulgação

Fátima Bernardes é uma das estrelas da TV Globo

O entretenimento tornou-se a grande área de atuação de Fátima Bernardes nos últimos anos. À frente do descontraído Encontro com Fátima Bernardes, a jornalista foi deixando para trás a engessada bancada do Jornal Nacional, onde ficou por 13 anos. No entanto, a chegada da pandemia do novo coronavírus fez com que Fátima reencontrasse seu lado jornalístico com mais força. O avanço do Covid-19 abriu ainda mais espaço para o factual ao longo do matinal. Apesar de lidar com um assunto denso e complexo, a apresentadora trabalha para manter entretenimento e “hard news” em equilíbrio durante esse momento atípico da sociedade.
“O Encontro sempre teve o pé no factual. Agora, o assunto principal é a pandemia. Então, todos os nossos assuntos são relacionados à pandemia, mas eu não me sinto mais próxima do ‘hard news’, eu me sinto mais próxima dessa forma de tratar a atualidade, com um pouco mais de tempo, de um jeito diferente, olhando sempre o lado humano. O restante do programa continua bem leve, porque eu acho que as pessoas também precisam disso nesse momento. Elas estão mais dentro de casa, então é preciso levar um pouco de respiro para essa manhã”, explica.
No dia 25 de junho, o Encontro com Fátima Bernardes completa oito anos no ar. Após alguns ajustes e, inclusive, mudanças na direção, o matinal encontrou um lugar próprio nas manhãs da Globo. Para a apresentadora de 57 anos, a produção cresceu a partir da maior interatividade do público com o programa. “A gente está discutindo assuntos que as pessoas estão falando dentro de casa, na porta da escola, no cafezinho do trabalho, no ônibus ou na viagem de trem. Acho que o que funciona é a gente estar perto do nosso público, com os ouvidos abertos para aquilo que ele está tratando, para aquilo que ele está pensando e falando”, valoriza.
TV Press - Logo no começo da pandemia, o Encontro saiu do ar por um mês. Como você enxergou a volta do programa no cenário atual?
Fátima Bernardes - Ficamos fora do ar por um motivo muito nobre. Sabemos da importância de levar informação para os brasileiros de forma objetiva e muito clara, com médicos tirando dúvidas, recomendando que as pessoas fiquem em casa, mostrando dados etc. E o que está acontecendo é muito sério, informação ajuda a salvar vidas. Então, era importantíssimo que o espaço fosse ocupado pelo Combate ao Coronavírus. Agora é um momento de a gente poder conversar sobre como a nossa vida está sendo transformada por conta dessa pandemia. A ideia da volta do Encontro é que a gente aborde aspectos diferentes das dúvidas do dia a dia e que a gente seja um respiro nas manhãs do público.
Com a pandemia, o Encontro tem aberto bastante espaço para o “hard news”. Como vocês gerenciam esse equilíbrio entre o entretenimento e o factual?
O Encontro, desde seu nascimento, tem um pé no factual. Teve até mais logo no começo, depois a gente enveredou muito para o entretenimento, mas sempre com a preocupação de estar fazendo algo da atualidade. A gente variava sempre com personagens importantes que tivessem aparecido no noticiário. Agora, o assunto principal é a pandemia. Então, todos os nossos assuntos são relacionados à pandemia, mas eu não me sinto mais próxima do “hard news”, eu me sinto mais próxima dessa forma de tratar a atualidade, com um pouco mais de tempo, de um jeito diferente, olhando sempre o lado humano.
Recentemente, o programa ganhou mais tempo de duração na grade. Como você recebeu essa notícia?
Quando estreei o Encontro meu desejo era que ele se tornasse necessário para quem estivesse em casa pelas manhãs. Mas jamais imaginei que ele seria tão necessário como no momento atual. Eu estou muito feliz e muito orgulhosa dessa equipe que vem fazendo um programa diferente, mas muito interessante e que está se conectando com o público.
No período em que o Encontro ficou fora do ar, você e sua equipe seguiram trabalhando e buscando pautas?
No momento, eu acho que a gente seguiu observando o que estava acontecendo, tentando entender que pandemia era essa. Acho que no primeiro momento o principal trabalho era dar conta de tantas informações. Depois que passamos das primeiras semanas, já começamos a pensar no retorno, a maneira como tratar o assunto mantendo o DNA do programa. Então, começamos a discutir pautas, fazemos reuniões virtuais, e toda a equipe atuando para trazer esse conteúdo para o programa, até porque agora a gente está duas horas no ar. É um programa que realmente precisa de muita produção e essa equipe é guerreira, pois são duas horas por dia com pessoas entrevistadas e ninguém faz isso sozinho. É uma equipe muito moldada para virar o programa de um dia para o outro, para se adaptar a uma novidade que surgiu, para mudar o programa minutos antes de ir ao ar. É uma equipe com muita experiência nisso o que me deixa muito tranquila, o que é ótimo.
Como está sendo a preparação para o programa e a produção de pautas?
Toda a rotina de concepção do programa continua com a equipe completa trabalhando de casa. Estamos aproveitando tudo o que a gente está vivendo para pensar como podemos levar isso para o palco. Na operação do programa em si, nos Estúdios Globo, temos equipe reduzida e todos seguindo as orientações de segurança recomendadas pelos órgãos de saúde.
Em meio a uma pandemia, você e sua equipe estão tendo a preocupação de buscar pautas mais leves e positivas?
A ideia não é que a gente busque pauta positiva, acho que a gente tem de abrir espaço para aquilo que está sendo mais difícil para as pessoas: qualquer assunto ligado ao auxílio emergencial, às dificuldades para receber esse dinheiro, como as pessoas estão fazendo para sobreviver, as dificuldades de se manter em casa, as dificuldades entre os casais. A nossa pauta está muito voltada para esse universo que agora é dentro da casa. Então, a ideia é essa. Claro que a gente busca no restante do programa coisas divertidas que também estão acontecendo. Se a internet está fazendo o desafio do pudim, a gente vai tentar desenformar um pudim. Se a brincadeira é dançar com o espelho, a gente vai dançar com o espelho, pois outras coisas estão acontecendo além da pandemia, mas tudo sempre dentro da possibilidade de realizar isso dentro de casa.
Por conta das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o programa retornou ao ar sem plateia. Como você está lidando com essa nova dinâmica?
Nos dois últimos programas já estávamos sem plateia ou com plateia reduzida. É muito diferente, porque a nossa plateia não é só espectadora. Ela sabe que pode participar a qualquer momento, ela conta histórias, é realmente tem uma participação efetiva. Acho que esse é um grande diferencial do programa. O telão me ajuda a entrar em contato com esse público e espero que através do telão a gente possa manter essa característica do programa tão importante, que é a plateia.
No próximo dia 25 de junho, o Encontro completa oito anos no ar. Que balanço você faz do matinal desde a estreia?
Acho que ele foi evoluindo de acordo com a minha evolução também. Evolução no sentido de desligamento de uma tarefa e de uma função altamente jornalística de “hard news” no principal telejornal, para outra postura profissional que é dessa pessoa que se diverte com o público. Então, quanto mais eu consigo me divertir com o programa, eu acredito que o público também se diverte. Eu acho que a evolução do programa foi indo nessa direção. E o que eu consigo ver que ajudou muito nisso foi - além da música que traz essa leveza, essa brincadeira - a presença da plateia.
Intimidade preservada
Bailarina clássica formada na adolescência e início da vida adulta, Fátima Bernardes deixou a dança de lado para se dedicar ao jornalismo. Porém, ao ingressar no curso de Comunicação, não passava pela cabeça da apresentadora o alcance e a fama que ganharia ao longo de sua carreira. “Quando eu comecei a fazer o Jornalismo, eu não imaginei que isso aconteceria comigo, mas já são tantos anos que isso já virou o natural da minha vida. Eu já tenho muito mais tempo de televisão do que mais da metade da minha vida. Eu, hoje, aprendi a conviver com isso, nem sempre é boa essa exposição, ela é difícil, ela cobra de você uma coerência muito frequente e permanente”, aponta.
Após deixar o jornalismo e se aventurar pelo entretenimento, Fátima viu a curiosidade por sua vida ganhar novos ângulos e alcance. Principalmente após anunciar a separação de William Bonner, apresentador e editor-chefe do Jornal Nacional. Atualmente, ela namora o deputado federal Túlio Gadêlha, de 32 anos. “Todos nós temos nossas falhas, mas também se eu não conseguisse trabalhar com isso seria impossível trabalhar no que eu faço, então eu não vejo essa minha ida para o entretenimento como uma grande mudança. Desde o início houve um grande interesse em tudo. Eu virei apresentadora, o que aumenta a curiosidade sobre a pessoa, porque o repórter aparece em um telejornal, depois aparece no outro e o apresentador está no mesmo dia naquele mesmo horário na casa do público, então eu me acostumei ao longo da vida com isso”, explica.
Outra rotina
Com o retorno do programa ao ar, Fátima modificou sua rotina nesse período de isolamento social. A apresentadora tem saído de casa apenas para comandar o matinal direto dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Após o fim da produção, ela retorna ao lar, de onde comanda as reuniões virtuais de pré e pós-produção. “Por volta das 14h30, eu já estou em uma reunião com a equipe de fechamento do programa já tratando do fechamento do dia seguinte. Depois disso, vou ler, fazer atividade física, vou cozinhar, colocar roupa para lavar, varrer casa... Tem muita coisa. À noite, depois do jantar, dou uma olhada no roteiro final que já está fechado. É basicamente isso, fazendo um monte de coisa como todo mundo”, afirma.

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