Publicado 21/06/2020 - 10h46 - Atualizado 21/06/2020 - 10h47

Por Daniela Nucci

Os animais domésticos são uma distração durante a quarentena

Divulgação

Os animais domésticos são uma distração durante a quarentena

Além das chamadas de vídeo com amigos e familiares, as pessoas estão buscando nos animais de estimação um pilar emocional para encarar de uma forma mais positiva o isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus. De acordo com a veterinária Juliana Gramasco D'Agostino, o convívio com os bichinhos proporciona relaxamento.
“Ele ajuda a dar uma sensação de prazer, bem-estar, e a pessoa acaba por ter até uma preocupação com o próprio animal esquecendo um pouco de que está presa em casa”, diz. Segundo ela, os animais também são ótimos para interagir e acalmar as crianças. “Nessa quarentena, sem poder sair, a criança fica incumbida de cuidar do animal e acaba se distraindo e, consequentemente, mais calma”, explica Juliana.
Pensando nisso, há um mês a professora Aline Gabos aumentou sua família com a chegada de Jake, um cachorrinho de 5 meses. Em virtude do isolamento, ela teve a chance de poder adotá-lo por meio da ONG Amor de Bicho. “Já estávamos pensando em adotar um cachorro porque mudamos para uma casa e quando nos vimos na situação da quarentena foi o momento ideal. Passamos pelo processo da entrevista e conseguimos o Jake. Ele é bem dócil e trouxe para as crianças e para nós também muita alegria. Meu marido perdeu o emprego de 10 anos devido à quarentena e a chegada de Jake ajudou muito. Todos se distraem, brincam e queremos trazer bem-estar para ele, mas no fundo ele que traz para a gente. Sentir o carinho dele, cuidar da alimentação, ter uma rotina de dar comida, água, limpar a sujeira, de poder passear, acompanhar as vacinas e cuidados ajuda a desligar desse estresse e dessa vibração tão pesada que estamos vivendo. Podemos mergulhar num universo de puro amor”, diz Aline.
Presente para todos
Outra que adotou na mesma ONG uma cachorrinha para encarar a temporada caseira foi a publicitária Milene Batista da Silva. Seu filho Lucas Batista Vasconcelos, de 9 anos, estava se sentindo muito sozinho e triste e a ideia foi transformadora. “Ele é filho único e está longe de seus amigos. Não pretendíamos ter um animal. Por causa dele mudamos de ideia. E o presente foi para todos”, diz Milene. Durante a quarentena, a família tem mais tempo para cuidar da Nina, que adora os brinquedos de Lucas. “Ela requer mais cuidados que os de raça. Ela sofreu maus tratos e por isso queremos dar o melhor. O amor que ela tem por nós é absurdo, não quer sair de perto. Dorme com meu filho”, comenta a publicitária. “Agora é a melhor época para uma adoção responsável. O tempo que temos para administrar a adaptação é excelente”, completa.
Um mês antes de entrar na quarentena, a agente de turismo Paula Alexandra Mota Zanni Otaviano nem imaginava como a adoção de sua gatinha Nala, de 5 meses, ajudaria tanto com seus dois filhos em pleno isolamento. Lucas, de 8 anos, e Maria Eduarda , de 4, passam grande parte do tempo brincando com a gatinha e aliviam a ansiedade na companhia do animal. “Foi a melhor coisa que fizemos. Nem imaginávamos que iríamos passar por uma quarentena e ela ajuda muito. O Lucas cuida dela e fica mais relaxado, assim como a Duda. Fora as brincadeiras e o que a gatinha apronta dentro de casa. Todos acabam se divertindo e esquecemos um pouco desta pandemia”, diz Paula.
Na linha de frente dentro dos hospitais, a enfermeira da Unidade de Emergência do HC da Unicamp Juliana Andrioli Nucci encontrou em seus dois pets - os irmãos da raça Spitz Alemão, Chico e Bento, de 2 anos - o alívio e amparo na hora de chegar em casa. “Com o início da pandemia, meus pais ficaram com muito medo de ter contato comigo e eu de poder passar algo para eles. A única pessoa que tinha contato era o meu namorido Guilherme, que por ser médico e trabalhar no mesmo hospital que eu, entendia um pouco os meus sentimentos. Nós que trabalhamos na linha de frente, passamos por um sentimento enorme de solidão”, diz Juliana, que faz triagem de pacientes com suspeita de Covid-19 o tempo todo.
 
A enfermeira conta que no início da pandemia, a primeira impressão que tinha era de se sentir “suja”, contaminada, e só os pets eram seu pilar emocional. “Me sentia muito mal. E o fato de eu saber que não poderia passar o vírus para os meus cachorros e o carinho deles de estar sempre ao meu lado, preenchia o vazio de estar longe de todos. Os animais não julgam. Eles te aceitam da forma que você é e são muito fiéis”, completa Juliana.
Cheios de atenção e amor, os dois gatos da raça Persa da publicitária e administradora Maria Teresa Rímoli reinventam a rotina dentro de casa em plena quarentena. “Tenho a felicidade de conviver com os pets desde os meus três aninhos. Meus dois gatos são muito especiais, emanam energia de luz, amor e harmonia desde o amanhecer. Nesta época de isolamento social, eles reinventam com criatividade e alegria diversas formas de chamar a atenção e encaramos a vida de outra forma”, diz a publicitária.
Ativador da mente, exercício físico e união familiar
Para a psicóloga Bruna Gabriella Baldasso, os animais de estimação contribuem muito para o desenvolvimento emocional tanto para os adultos, mas principalmente em crianças. “Eles trazem companhia tanto para os dias bons como para os dias ruins. Fornecem uma sensação de diminuição de solidão. O fato de estarem dispostos a dar e receber carinho, ficar seguindo dentro de casa, pertinho todo o tempo, nos passam uma sensação de apoio e nos tiram do sentimento de solidão porque enchem a casa de vida e trazem a capacidade de podermos ser felizes”, diz Bruna.
Para ela, são naqueles momentos de risos frouxos por causa da bagunça que eles fazem que esses fiéis companheiros ajudam a combater a depressão graças à troca de afetividade entre humanos e animais. “Isso aumenta a produção de serotonina e dopamina, responsáveis pela sensação de prazer e alegria. A relação traz ainda uma sensação de bem-estar e conforto, e isso provoca uma diminuição nos níveis de cortisol, conhecido como hormônio do estresse, que em níveis elevados causa inúmeros problemas de saúde”, explica a profissional. Segundo Bruna, o animal consegue fazer essa diminuição e também incentiva a prática de exercícios.
“A criança acaba correndo um pouco atrás e tendo que se movimentar. O animal é um ótimo ativador da mente e de exercício físico, principalmente dos idosos e crianças, com relação às necessidades dos animais, como colocar a ração, os cuidados básicos, arrumar as coisas. O senso de responsabilidade é uma ótima lição de comprometimento, principalmente para as crianças”, conta a psicóloga.
Outro benefício que os animais provocam é a união familiar. “O trabalho do animal é feito em parceira e isso gera uma união familiar. No final do dia, tem uma historia para contar, uma quantidade maior de assunto porque tem as façanhas do animalzinho e gera uma boa relação familiar e de amizade, principalmente nesta pandemia, em que os dias estão mais entediantes e o animalzinho ajuda muito a superar o sentimento de solidão e o tédio, provocando um movimento emocional físico e mental na gente”, finaliza Bruna

Escrito por:

Daniela Nucci