Publicado 21/06/2020 - 10h31 - Atualizado // - h

Por Daniela Nucci e Kátia Camargo

A professora de publicidade Rita Lunardi aproveitou o tempo livre para colocar um papel de parede que, na verdade, é um adesivo

Arquivo pessoal

A professora de publicidade Rita Lunardi aproveitou o tempo livre para colocar um papel de parede que, na verdade, é um adesivo

Para driblar a mesmice de ficar dentro de casa em virtude do isolamento social, a quarentena tem se mostrado uma medida muito eficaz para desenvolver várias aptidões que não faziam parte do cotidiano. Como dar aquela repaginada na decoração e encontrar soluções criativas e práticas para preservar a saúde mental e controlar a ansiedade. Com iniciativas simples, muitas pessoas transformam o seu lar e, de quebra, se sentem melhor neste momento tão turbulento. Como é o caso da professora de publicidade Rita Lunardi, de 55 anos. O gosto pela decoração e a arte de fazer reformas foi passada por uma pessoa especial: seu pai.
“Sempre gostei de fazer esse tipo de trabalho em casa e aprendi com meu pai. Já coloquei prateleira, pintei móveis e até troquei resistência de chuveiro”, diz Rita. Nesta quarentena, a professora aproveitou o tempo livre para colocar um papel de parede que, na verdade, é um adesivo. Rita teve a ideia antes mesmo da quarentena, mas estava atarefada para fazer a reforma. “O material chegou em casa antes da pandemia, mas me faltava tempo.
E na verdade demorei um tempão para botar a mão na massa. Não conseguia colocar uma rotina nas minhas tarefas”, confessou. Até que a disposição chegou. “Peguei um dia e me propus a fazer. Demorei umas cinco horas, colei errado, retirei, comecei de novo, até que deu certo”, disse a professora. O resultado foi gratificante. “Dizer que eu posso fazer e mudar o ambiente, deixando do meu jeito, me dá uma satisfação imensa”, comenta Rita, que já tem outra atividade para os próximos dias. “Vou colocar um espelho e quadros no quarto de visita. Já comprei o material e uma broca que estava faltando para furar parede”, conta, empolgada.

Desafio cumprido à risca
Outro que se animou em reformar um ambiente da casa foi o empresário do ramo contábil Anderson Roberto Marioto, de 39 anos. A motivação partiu graças à esposa Lidiane Galvão Marioto que queria muito mudar uma das paredes da cozinha com pastilhas. “Analisamos como seria o procedimento e aceitei o desafio. Levou uma semana para ser feito, tive de conciliar com as rotinas do dia a dia e fazer somente de final de semana, seguindo algumas dicas que pesquisamos na internet. Isso ajudou bastante no desempenho do trabalho. Sempre gostei de fazer algumas mudanças no visual de casa, até mesmo para repaginar, mas com crianças pequenas é um grande desafio”, diz Marioto.

Hortaliças em vasos na sacada
Privado das atividades do cotidiano e da mudança repentina devido ao isolamento da pandemia, o empresário e publicitário Vitor Matos Gouvêa, de 33 anos, resolveu mudar sua rotina. “Depois de pesquisas e consultas on-line, decidi cultivar hortaliças em vasos na sacada do apartamento. Com certeza uma atividade que valeu muito a pena. Além de saudável é muito gratificante acompanhar a germinação das sementes e o desenvolvimento das mudinhas”, diz Gouvêa. Segundo ele, além de preencher parte do dia arejando a mente, logo terá as próprias hortaliças orgânicas. “Mesmo dentro de apartamento ficamos em contato com a natureza. Valeu muito e recomendo”, comenta o publicitário, que também adotou a Nina, uma linda gatinha!

Novo jeito do olhar dentro e fora
O distanciamento físico fez com que a bióloga, pedagoga e professora de Ensino Superior Vanda Cristina Minini, 52 anos, passasse a criar aptidões que não faziam parte do seu dia a dia. Ela destaca que essas mudanças passaram a fazer parte de sua jornada de forma muito positiva. Para ela, esses novos hábitos adquiridos neste período entraram para sempre em sua rotina.
“No começo tive muito medo da pandemia, por isso pensei que precisava melhorar minha alimentação para aumentar minha imunidade. Fui orientada por um médico a incluir frutas, verduras, legumes, tubérculos e especiarias na minha alimentação diária. Além disso, retirei o excesso de comida processada, pães, bolos, massas, bebidas açucaradas que faziam parte da minha rotina. Mas, o maior aprendizado foi ir para a cozinha. Eu não sabia cozinhar e hoje me surpreendo ao fazer novos pratos. Essa mudança de hábito está me fazendo muito bem, me mostrando novas habilidades que eu nem sabia que tinha. Como consequência também emagreci neste período de quarentena. Ao ingerir essa alimentação saudável passei a me sentir bem melhor fisicamente e percebi o que realmente meu corpo precisa”, conta.
Ela relata que após fazer as pazes com a cozinha começou a olhar para as plantas e flores que tem em casa. “Sempre gostei de ter uma casa florida, mas no começo da pandemia não estava olhando para as plantas. Foi então que comecei a montar uma pequena horta de temperos em uma jardineira que estava abandonada no prédio. Também cuidei das minhas orquídeas e, com isso, minha casa foi ficando mais colorida e alegre. Também estou fazendo arranjos florais para enfeitar a casa”, diz. Vanda destaca ainda que tudo começou a ganhar novos sentidos, pois ela parou para olhar mais para o seu lar e para ela.
“Quando quebrei a tampa de uma sopeira ela virou um cachepô e montei um arranjo de flores nela. Estou fazendo tricô, crochê, costurando e consertando algumas peças de roupas. Esse fazer manual tem sido um excelente exercício para o cérebro. Recentemente também comecei a olhar para as minhas roupas e separar o que realmente preciso e doar o que não uso mais. Todo esse processo dentro de casa tem sido muito importante para que eu possa me conectar comigo e ver que o fato de me manter produtiva e saudável tem ajudado a transformar meus dias em momentos mais felizes. Decidi que esse seria o momento de estar aberta para olhar o que estava no meu entorno, cuidar da casa e cuidar de mim”, diz.

Cores dão vida às paredes
Para que o resultado fique bonito como visto na internet, a arquiteta e urbanista Lívia Lemes Fonseca, docente na área de design de interiores do Senac Americana, dá algumas dicas para quem quer pintar parede e estimular seu novo dom. “Adesivos também são uma boa sugestão para mudar a decoração. Hoje no mercado existem vários tipos, para cozinha, dormitório... enfim para qualquer ambiente. Pode-se criar estampas, ou uma frase que você goste”, comenta. Se a intenção é criar uma parede de destaque num ambiente, ela recomenda escolher a que não possui porta ou janela. Assim, a cor será mais homogênea nesse espaço e terá o destaque desejado.

Lívia lembra que as cores quentes (tons amarelos, laranjas e vermelhos) aquecem o ambiente enquanto os tons frios (verdes, azuis e violeta) deixam o cômodo mais frio e refrescante. Para quem não quiser ousar tanto, é aconselhável optar por cores neutras, beges, cremes, cinzas, estas últimas em alta e farão uma ótima composição com qualquer cor.

Para aqueles que preferem ousar, ela recomenda a pintura geométrica com 3 cores na mesma parede, que trará um ar contemporâneo ao ambiente. “Quando se utiliza mais de uma cor, para não errar é bom usar dois tons neutros e um de sua preferência, ou que compõe melhor no seu ambiente”, explica.

Escrito por:

Daniela Nucci e Kátia Camargo