Publicado 24/06/2020 - 14h44 - Atualizado 24/06/2020 - 14h44

Por Aquiles Reis

Ô coisa boa

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Ô coisa boa

Não canso de me surpreender com CDs lançados por instrumentistas/compositores. Logo ao abrir a embalagem, já é possível sacar que o conteúdo tem força irresistível. Nele está o presente de quem assina o trabalho... e o futuro? Ora, o futuro à música pertence.
No aquário do estúdio, a atmosfera é de camaradagem. As “histórias de músico” se multiplicam. O que dizer dos personagens que abastecem os contadores desses causos – existem alguns, mas o principal talvez seja o Eloir de Moraes. Lembro-me ainda de outros que são useiros e vezeiros em fazer o estúdio rir: dentre tantos, Dori Caymmi e Gilson Peranzzetta.
Tudo isto para comentar Garçom, mais dois (independente), o CD do bandolinista Afonso Machado e do violonista Luiz Moura. Ali, a cada intérprete sua música, escolhida que foi por ter a “cara” do intérprete. Os arranjos (de Machado e Moura) têm um forte sabor brasileiro.
Abrindo a tampa, Pedro Miranda tem a acompanhá-lo Diego Zangado (batera), Tiago Machado (cavaco), Eduardo Neves (sax) e Aquiles Moraes (trompete).
Guinga canta uma música que, definitivamente, é a cara dele – harmonia e melodia fugindo do padrão. A acompanhá-lo, apenas o violão de Luiz Moura.
Coube a Miucha (saudade!) um belo samba-canção, cujo final faz referência à Inútil Paisagem. Com ela, Luiz Moura (violão), João Faria (contrabaixo), Diego Zangado (batera) e Maria Clara Valle (violoncelo).
Soraya Ravenle sola e Marcelo Caldi (piano e arranjo) canta com ela em terças.
Carlinhos Vergueiro vem com um samba com letra de Elton Medeiros. Com Luiz Moura (violão), João Faria (contrabaixo), Diego Zangado (batera), Makley Matos (percussão), Afonso Machado (bandolim) e Tiago Machado, ele que arrasa no intermezzo do cavaquinho.
Marcos Sacramento canta com um naipe de sopros: Reinaldo Godoy (trompete), Marcelo Cebukin (sax tenor), Sérgio Castanheira (trombone).
Nina Wirti está numa marchinha que empodera as mulheres. Com ela, Luiz Moura (violão), João Faria (contrabaixo), Diego Zangado (batera) e Sérgio Castanheira (trombone).
Ilessi canta um samba com direito a vocalizes no final. Com ela estão Luiz Moura (violão), João Faria (contrabaixo), Diego Zangado (batera), Tiago Machado (cavaco), Makley Matos (percussão), Rui Alvim (clarinetes) e Afonso Machado (bandolim).
Amélia Rabello dá show no choro com letra de Paulinho Pinheiro. Com ela, Luiz Moura (violão), Cristóvão Bastos (piano), Luciana Rabello (cavaco) e Afonso Machado (bandolim).
Zezé Gonzaga e Delcio Carvalho cantam um choro com letra do próprio Carvalho. Cristóvão Bastos está ao piano.
Além de homenagear o compositor Valzinho, Luiz Moura canta e toca violão, enquanto Afonso Machado está ao bandolim.
Garçom, mais dois é como o pequeno frasco de um bom perfume: ao abri-lo, sua essência vai ao mundo. Músicas e letras irmanadas pelo objetivo de serem obras definitivas. Perdoe-me, longe de mim ser grosseiro, mas se você não gosta de choro nem de samba, por favor entenda você está ouvindo o disco errado.

Escrito por:

Aquiles Reis