Publicado 28/06/2020 - 18h14 - Atualizado 28/06/2020 - 18h15

Por Daniel de Camargo

Condomínio é erguido em Campinas: Habicamp informa que os valores de venda ainda não tiveram queda, mas a tendência é que o quadro se altere

Matheus Pereira/AAN

Condomínio é erguido em Campinas: Habicamp informa que os valores de venda ainda não tiveram queda, mas a tendência é que o quadro se altere

A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa Selic de 3% para 2,25% representa um bom momento para o mercado imobiliário, analisa a Associação Regional da Construção de Campinas e Região (Habicamp).
Vice-presidente da entidade, Douglas Vargas entende que o consumidor brasileiro tem uma grande vantagem, apesar da crise econômica ter sido agravada pela pandemia da Covid-19, pois a estimativa de queda do Produto Interno Bruto (PIB) no País é em torno de 6,5%, enquanto no mundo estão falando em 9%. “O brasileiro passou por tanta crise e, por isso, tem um poder de se remodelar, de vencer os obstáculos, de se reinventar. Eu acho que isso é a nossa grande virtude. Superamos, por exemplo, o plano Collor, quando de certa forma, não tivemos isolamento social, mas sim econômico. Então, isso é um grande exemplo”, completa.
Vargas informa, entretanto, que os valores de venda ainda não tiveram queda. A explicação pode estar atrelada à demanda por necessidade. A partir da retomada, projeta, donos de empresas vão precisar de capital para manter as portas abertas. Assim, considera que “passarão a vender imóveis com uma certa desvalorização para não ter que fazer uma capitação de dinheiro em banco.”
Um efeito já provocado pela pandemia é o aumento na busca por imóveis no interior. A justificativa se baseia no fato de que as grandes cidades possuem as maiores quantidades de casos e mortes pelo novo coronavírus. Segundo uma pesquisa realizada pelo portal Imovelweb, a procura por imóveis rurais subiu 52% entre fevereiro e março deste ano. Quando comparado os meses de março de 2020, e março de 2019, o aumento foi de 124%. Segundo o estudo, as cidades com mais procura no interior são Bragança Paulista, Campinas e São José dos Campos.
De acordo com Vargas, o setor apenas reflete o momento econômico. “Nós não tivemos uma crise no mercado imobiliário, nós temos uma demanda muito reprimida ainda. Ou seja, há muitas pessoas que estão deixando de comprar por causa do isolamento social, mas tem capacidade de comprar e desejo de comprar”, disse. Para 2020, frisa, havia uma grande expectativa para o segmento no País.
Para ele, até aspectos negativos, como o desemprego, geram uma movimentação dentro do mercado. “Uma pessoa que perdeu o emprego e está morando em um apartamento de quatro dormitórios, vai migrar para um de três dormitórios. Então, tem uma movimentação”, analisa. Contudo, pondera, há um outro lado: quem, por exemplo, reside em Campinas e trabalha em São Paulo, mas, no momento, atua em regime home office, vai repensar sua necessidade de mudar para a Capital.
A tendência, em resumo, é a busca por um imóvel que seja afastado dos grandes centros urbanos e que proporcione maior comodidade à família. “As pessoas vão buscar um imóvel com menos quartos, mas com uma estrutura que assegure maior qualidade de vida, como uma varanda gourmet, um apartamento com uma metragem maior, uma casa em um condomínio, mesmo que seja mais afastado do centro, porque a gente não sabe se outras pandemias podem acontecer”, completa Vargas.
Índice de Confiança da Construção sobe em junho
O Índice de Confiança da Construção (ICST) divulgado na última quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) subiu 9,1 pontos em junho e atingiu 77,1 pontos. É a maior variação positiva da série histórica e o segundo mês seguido de recuperação. O indicador de maio e junho conseguiu recuperar 43% das perdas ocorridas em março e abril por causa da pandemia da Covid-19.
A coordenadora de projetos da construção da FGV Ibre, Ana Maria Castelo, avalia que a sondagem mostrou um cenário menos desolador para o setor em junho, mas como as incertezas prevalecem, ainda não é possível estabelecer a recuperação da atividade.
“A segunda alta consecutiva do indicador de expectativas confirma uma percepção mais favorável em relação aos próximos meses. Outro destaque positivo foi a inflexão do Indicador de Situação Atual. Vale notar que ainda é um quadro muito difícil: a insuficiência de demanda é a maior limitação à melhoria dos negócios em todos os segmentos do setor. Apesar da abertura das empresas e estandes de venda na maioria das cidades do país, a deterioração do quadro fiscal, do emprego e da renda não favorece a demanda”, afirmou.
O Índice de Situação Atual (ISA-CST) subiu 4,7 pontos, para 71,5 pontos, após registrar quedas por três meses seguidos. Contribuíram para esse resultado o aumento de 6,2 pontos do indicador de situação atual dos negócios, que chegou a 71 pontos, e o indicador de carteira de contratos, com recuperação de 2,9 pontos, para 72,1 pontos.
Segundo a FGV, o avanço do índice no mês ocorreu por causa da melhora da percepção dos empresários em relação à situação atual, apesar do pessimismo em relação aos próximos meses. O Índice de Expectativas (IE-CST) subiu 13,5 pontos e chegou em 83,2 pontos, mas ainda está 21 pontos abaixo do valor de janeiro, quando o indicador atingiu 104,2 pontos.
O indicador de demanda prevista subiu 13,5 pontos e chegou a 83,1 pontos. O de tendência dos negócios aumentou 13,6 pontos em junho, atingindo 83,5 pontos. O Nível de Utilização da Capacidade (Nuci) do setor está em 68,0%, após subir 6,3 pontos percentuais no mês. O NUCI de Mão de Obra aumentou 6,6 pontos percentuais e está em 69,4%, enquanto o NUCI de Máquinas e Equipamentos variou 4,6 pontos percentuais e atingiu 61,4%.
O Índice de Nível de Atividades da construção reflete o impacto da pandemia, mesmo o setor tendo entrado na categoria de atividades essenciais. Em abril e maio, a queda somou 28,1 pontos e a recuperação de junho foi de apenas 3,4 pontos. (com Agência Brasil)

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Daniel de Camargo