Publicado 25/06/2020 - 07h56 - Atualizado 25/06/2020 - 07h56

Por Alenita Ramirez

Débora Ribeiro Rodrigues, de 37 anos, levou seis pontos na cabeça e quebrou o tornozelo esquerdo

Wagner Souza/AAN

Débora Ribeiro Rodrigues, de 37 anos, levou seis pontos na cabeça e quebrou o tornozelo esquerdo

Uma das vítimas que foi atropelada pelo caminhão do Corpo de Bombeiros revelou que, segundos antes do acidente, um bombeiro alertou para que as pessoas se afastassem do local. No entanto, a ‘multidão’ queria acompanhar de perto o atendimento da família, que pulou do apartamento onde mora, por causa do incêndio. Seis pessoas foram atingidas pelo caminhão e todas receberam alta na manhã de ontem.
Débora Ribeiro Rodrigues, de 37 anos, é parente da família e estava perto de onde as primas eram atendidas pelos médicos, quando sentiu uma pancada nas costas e em seguida foi prensada contra um carro que estava estacionado na garagem do condomínio. Por sofrer um corte na cabeça e diversas lesões no corpo, ela foi socorrida e levada pelo helicóptero Águia da Polícia Militar ao Hospital Estadual de Sumaré (HES). Débora levou seis pontos na cabeça e quebrou o tornozelo esquerdo, além de lesões pelo corpo. “Após a pancada nas costas, achei que estava morrendo. Não senti mais nada, nem minhas pernas. Só me lembro de ter me agachado e do sangue que escorria da minha cabeça”, contou.
Débora mora nos fundos do prédio das primas e soube do incêndio por uma outra parente. Como preparava o almoço, terminou primeiro e depois seguiu até o palco da tragédia. Lá, ela se infiltrou no meio da multidão para ver como estava a família. “A Silmara gritava de dor e a pele do corpo da Thainara se soltava. Uma cena chocante. Acho que as pessoas queriam ajudar, sei lá. Mas já havia bombeiros socorrendo elas. Um bombeiro olhou para o pessoal e disse: ‘gente, vamos, se afastem, pois pode acontecer um acidente. Quando ele terminou de falar, aconteceu’”, relatou.
De acordo com a mulher, o caminhão só parou porque bateu contra a estrutura da garagem e o desnível não era tão grande como outro que existe na parte de cima do condomínio. Além disso, o carro ajudou a segurar o caminhão, que era grande e estava carregado de água.
Além dela, outras cinco pessoas foram atropeladas. Uma garota que fazia aniversário, perdeu parte de uma das panturrilhas, mas já recebeu enxerto e foi liberada do hospital. “O corte na minha cabeça foi provocado por uma barra de ferro da estrutura que caiu. Se não fosse a estrutura e o carro, com certeza o estrago seria maior. Muita gente ia se machucar. Só se machucou quem estava de costas. Que estava de frente para o caminhão, quando o viu descendo, correu”, disse.
O incêndio
O incêndio foi por volta das 13h. O casal Silmara e Edmar e os filhos, Taynara, de 20 anos, Sara, de 13 anos, e o menino de um ano e dois meses, moram em um apartamento do 2º andar do Residencial Santa Lúcia. Na hora do incêndio, a família descansava, exceto Sara que tinha saído. O fogo começou na sala e a suspeita que um disjuntor tenha sido a causa. Ainda ninguém sabe como a família descobriu o fogaréu. Na tentativa de escapar com vida, o casal decidiu tirar os filhos do imóvel pela janela.
O bebê foi o primeiro a ser jogado de uma altura de cerca de 12 metros e foi pego por um grupo de pessoas que se uniram para fazer uma espécie de rede humana. Na sequência pularam Taynara, Silmara e Edmar, que quebrou a perna com a queda. As mulheres, além de sofrerem queimaduras pelo corpo, também sofreram queimadura nas vias aéreas, segundo familiares. Elas seguiam em estado grave no Hospital de Clínica (HC) da Unicamp. Já Edmar seguia internado no Hospital PUC-Campinas. O menino ficou de observação, foi liberado e está com a madrinha, assim como a adolescente.

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Alenita Ramirez