Publicado 21/06/2020 - 12h28 - Atualizado 21/06/2020 - 12h29

Por Henrique Hein

O reitor da Unicamp, Marcelo Knobel: reestruturação para conter gastos e auxílio aos estudantes foram alguns dos desafios encarados pela Universidade

Cedoc/RAC

O reitor da Unicamp, Marcelo Knobel: reestruturação para conter gastos e auxílio aos estudantes foram alguns dos desafios encarados pela Universidade

A pandemia do novo coronavírus exigiu mudanças comportamentais em todos os setores da sociedade e com as universidades a situação não foi diferente. Ontem, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) completou cem dias de funcionamento por meio de atividades remotas. Em entrevista concedida ao Correio Popular, o reitor Marcelo Knobel destrinchou os principais desafios que a instituição vem enfrentando ao longo desse período e destacou quais tem sido as medidas implantadas para minimizar os prejuízos para alunos e funcionários. O gestor também falou sobre o papel social da Unicamp no combate à enfermidade e o tamanho do impacto financeiro que a instituição deverá ter por causa da pandemia. Confirma abaixo os principais trechos da entrevista:
Correio Popular: A Unicamp completou cem dias de atividades e aulas remotas. Como tem sido para a universidade se adaptar a essa nova realidade e como os senhores têm atuado para impedir que as atividades de pesquisa e de atendimento no Hospital das Clinicas acabem ficando comprometidas por causa da pandemia?
Marcelo Knobel: Tem sido um desafio incrível para a universidade poder manter toda a área da saúde e de pesquisas funcionando dentro de um cenário como esse, no qual a gente tem boa parte dos funcionários trabalhando de forma remota e uma situação de muita dificuldade financeira. Não foi fácil reorganizar a universidade de um dia para outro, mantendo em pleno funcionamento as atividades de assistência nos hospitais e de pesquisas. Temos mais de 70 grupos atuando no combate à Covid-19. Para isso, precisamos continuar de olho na nossa retaguarda e no funcionamento de setores importantes e que, muitas vezes, passam despercebidos pela grande maioria das pessoas, como o de compras e o de recursos humanos. Acredito que estamos dando uma demonstração muito clara da força da universidade e da possibilidade de adaptação.
Um viés muito forte da Unicamp sempre foi o de oferecer solidariedade e ajuda para os estudantes. Quais são as principais ações que os senhores tomaram ao longo desses 100 dias para que nenhum estudante tenha seus estudos prejudicados por causa da pandemia?
Essa é, sem dúvida, uma das nossas principais preocupações: não deixar nenhum estudante para trás. Para isso, a gente criou um grupo de voluntariados para arrecadar doações e ajudar os chamados estudantes carentes. Os institutos, faculdades e professores também têm emprestado equipamentos das unidades para que os alunos, que não possuem computares, possam estudar remotamente. A gente também comprou centenas de tablets e chips de internet rápida para distribuir entre aqueles que realmente precisam de ajuda nesse momento de pandemia. Além disso, nós transformamos o auxilio transporte, usado por mais de dois mil alunos, em auxilio emergencial remoto. É um auxilio da ordem de R$ 200,00, que tem ajudado o pessoal a comprar um plano de Internet. Fora isso, a gente permitiu ainda que os alunos pudessem trancar a disciplina ou o curso sem nenhum prejuízo. A nossa palavra de ordem tem sido essa: a de flexibilidade em todas as áreas.
O senhor comentou ao longo da entrevista que financeiramente a Unicamp está sendo muito afetada pela Covid-19. Qual é o tamanho desse problema? 
O financiamento da Unicamp, assim como da USP e da Unesp, é um percentual que vem do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Como ele caiu muito, a gente também teve uma queda na arrecadação e, portanto, uma queda no nosso repasse. A previsão e frustração de receitas são da ordem de R$ 300 milhões. Ou seja, a gente vai receber R$ 300 milhões a menos do Governo do Estado por causa da pandemia. A situação é bastante complicada e nós tivemos que fazer todo um plano de reestruturação para economizar o máximo possível. Mas, certamente, a gente vai viver momentos de muita dificuldade financeira.
No que consiste exatamente esse plano de reestruturação?
A gente infelizmente teve que cancelar as progressões de carreira, novas contratações que estavam sendo planejadas e investimentos em obras e em várias áreas de planejamento. Tivemos que fazer uma contenção de despesas muito forte para poder dar conta dessa diminuição de receitas.
Antes da pandemia, a previsão inicial da Unicamp era arrecadar quanto? 
É sempre algo em torno de R$ 2 bilhões. Então, temos uma frustração de receitas bastante importante.
A primeira fase do Vestibular da Unicamp foi adiada e, muito provavelmente, deverá ocorrer em janeiro do ano que vem. Lembrando que haverá ainda uma segunda fase inteira pela frente e um período para correção dessas provas, é provável que o primeiro semestre do ano que vem comece mais tarde e que o calendário de aulas de 2021 fique mais apertado do que em anos anteriores?
Sim. A agente está prevendo terminar o segundo semestre de 2020 no final de janeiro de 2021. O nosso planejamento preliminar é que as aulas das turmas do ano que vem tenham início em meados de março de 2021. Vai atrasar um pouquinho, mas também vai depender da evolução da pandemia. Nós esperamos que não seja muito tempo.

Escrito por:

Henrique Hein