Publicado 10/06/2020 - 08h00 - Atualizado 10/06/2020 - 08h01

Por Henrique Hein

Parentes podem deixar cartas para serem lidas aos pacientes da UTI

Divulgação

Parentes podem deixar cartas para serem lidas aos pacientes da UTI

Preocupadas com o sofrimento físico e psicológico de seus pacientes, duas enfermeiras do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp disponibilizaram, no começo desta semana, uma caixinha do lado de fora da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para que familiares com pacientes internados e isolados no centro de saúde possam depositar cartas para eles. A iniciativa foi idealizada pelas enfermeiras Márcia Candura e Bruna Dias e tem como objetivo ajudar os internados a superar as dificuldades do isolamento e do tratamento durante a pandemia de Covid-19. 
Parentes podem deixar cartas para serem lidas aos pacientes da UTI
As enfermeiras contam que a iniciativa ganhou força durante uma conversa que tiveram numa noite de plantão. Na ocasião, Bruna comentou para Márcia sobre uma ex-professora de português do Ensino Médio, que perdeu o filho e passou escrever textos dedicados a ele nas redes sociais. As postagens da docente, segundo ela, sempre falavam sobre a importância do saber “abraçar por dentro”.
A iniciativa ganhou ainda mais corpo depois que um pai pediu a Bruna para que ela autorizasse sua filha a visitar a mãe, que se encontrava entubada e sedada em um dos leitos de UTI do HC. Por questões de segurança, um vidro separava a enfermeira desse pai, tomado pela angústia que a situação causava. Ao presenciar a cena, Bruna se lembrou de sua professora de português e disse ao homem que a filha dele poderia escrever uma carta e que ela mesma iria ler depois para a paciente.
A partir dessa experiência, as enfermeiras montaram o que elas apelidaram de “Cantinho do Abraço Virtual”. No local, eles disponibilizaram a caixinha onde os familiares podem escrever as cartinhas para seus parentes. As mensagens são encaminhadas até Bruna para que ela as leia ao lado do leito do paciente, com o intuito de fazê-los sentirem o “abraço por dentro”. Diariamente, das 16 às 17h, Márcia faz o acolhimento das famílias do lado de fora da UTI. Uns escrevem na hora, enquanto outros trazem as cartinhas de casa, para que Bruna faça a leitura para os pacientes.

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Henrique Hein