Publicado 07/06/2020 - 12h02 - Atualizado 07/06/2020 - 12h11

Por Daniel de Camargo

A redução do poder de compra do campineiro é um retrato do cenário enfrentado pelas famílias brasileiras

Cedoc/RAC

A redução do poder de compra do campineiro é um retrato do cenário enfrentado pelas famílias brasileiras

Os efeitos da pandemia da Covid-19 reduziram o potencial de consumo de Campinas em cerca de R$ 834 milhões. Segundo dados apresentados no Índice de Potencial de Consumo Nacional (IPC Maps) 2020, o valor caiu de aproximadamente R$ 34,276 bilhões em 2019, para pouco mais de R$ 33,442 bilhões neste ano. O município, no entanto, recuperou uma posição no ranking nacional, saltando da 12ª colocação para 11ª, e manteve o segundo lugar em nível estadual, atrás somente de São Paulo, que lidera ambas as classificações com potencial de consumo estimado em R$ 311,940 bilhões.
A análise é desenvolvida com base em dados oficiais por meio de geoprocessamento, tendo como principal fonte o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São consideradas ainda estatísticas de abertura e fechamento de empresas e informes da Receita Federal, entre outros.
Segundo Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing Editora e responsável pela pesquisa, a redução do poder de compra não é exclusividade do campineiro. Mas, sim, um retrato do cenário enfrentado pelas famílias brasileiras que, de modo geral, terão o orçamento comprometido ao longo de 2020. Em nível Brasil, os patamares devem se igualar aos registrados em 2010 e 2012, descartando a inflação e levando em conta apenas os acréscimos ano a ano. A projeção é uma movimentação de cerca de R$ 4,465 trilhões na economia — um crescimento negativo de 5,39% em relação a 2019, e a maior retração desde 1995, ano em que o estudo foi iniciado —, a uma taxa também negativa do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,89%.
O levantamento aponta que, a exemplo de 2019, o cenário de consumo é liderado, em Campinas, pela classe B, representando pouco mais de R$ 14,407 bilhões dos gastos, equivalente à 43,8% do total. No ano passado, a participação, entretanto, era menor, 39,1%, totalizando quase R$ 13,179 milhões.
De acordo com critérios da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), utilizados no estudo, estão enquadradas nessa categoria famílias com renda mensal entre R$ 5.640 e R$ 11.300. Já a classe D/E, com menor poder aquisitivo (rendimentos mensais na média dos R$ 720), é consequentemente a menos participativa.
Para 2020, é calculado gasto de cerca de R$ 2,287 bilhões, representando 7% do potencial de Campinas. Segundo IPC Maps 2020, dos aproximadamente 424 mil domicílios urbanos da cidade, 120 mil (28,3%) são pertencentes a famílias da classe B e 79 mil (18,8) da D/E. Da população estimada em 1,2 milhão de habitantes, apontam os dados, pouco mais de 17 mil pessoas residem na área rural.
Dentre as categorias de gasto, a mais expressiva está definida como “habitação”. Ao todo, o montante é levemente superior a R$ 9 bilhões. Pazzini explica que são considerados nesse grupo todas as despesas para manutenção do lar, como aluguel e contas de água e luz, entre outras. O valor destinado à alimentação no domicílio caiu de R$ 3,409 bilhões em 2019, para R$ 2,686 bilhões em 2020. Já os gastos com alimentação fora do domicílio, de R$ 2,090 bilhões para R$ 1,306 bilhões. “A compra de produtos alimentícios está pesando menos no orçamento. Isso é positivo, pois há menos comprometimento na renda e, possivelmente, pode sobrar dinheiro para coisas que não são de primeira necessidade”, explicou.
As estatísticas apontam também que existem mais de 166 mil empresas em Campinas. Porém, do estudo anterior para este, quase 21 mil firmas encerraram suas atividades, sendo cerca de 14 mil delas ligadas ao setor do comércio. Pazzini contextualiza que, no Brasil, é muito fácil abrir uma empresa: há praticamente uma indústria para isso. A justificativa: pagar menos impostos. Porém, todos estão sendo afetados, principalmente o comerciante tradicional, que nos últimos anos perdeu espaço para os lojistas de shoppings e comércio eletrônico.
Sobre a retomada após a pandemia, que não tem previsão para acabar, assegura que será lenta porque a maior parte dos consumidores depende de seus respectivos salários e o desemprego só cresce.
SAIBA MAIS
Publicado anualmente pela IPC Marketing Editora, o IPC Maps destaca-se como o único estudo que apresenta em números absolutos o detalhamento do potencial de consumo por categorias de produtos para cada um dos 5.570 municípios do Brasil.
Este trabalho traz múltiplos indicativos dos 22 itens da economia, por classes sociais, focados em cada cidade, sua população, áreas urbana e rural, setores de produção e serviços etc., possibilitando inúmeros comparativos entre os municípios, seu entorno, Estado, regiões e áreas metropolitanas, inclusive em relação a períodos anteriores. Além disso, o IPC Maps apresenta um detalhamento de setores específicos a partir de diferentes categorias.

Escrito por:

Daniel de Camargo