Publicado 30/06/2020 - 23h13 - Atualizado 30/06/2020 - 23h13

Por AFP


O governo interino da Bolívia acusou nesta terça-feira (30) o ex-presidente Evo Morales de tentar "desestabilizar" o país e desatar uma campanha internacional de "desinformação" junto ao presidente venezolano, Nicolás Maduro.

"Setores afins ao senhor Morales tentam desestabilizar o país, causar o caos e aprofundar a crise sanitária, chegando inclusive a negar a existência mesma da doença, o que por sua vez é aproveitado pelo narcotráfico e o crime organizado", destacou a chancelaria em um documento.

"O sr. Morales, com a cumplicidade do regime de Nicolás Maduro, recrudesceu sua campanha internacional de desinformação e difusão de notícias falsas para tergiversar a luta do povo boliviano pela recuperação da democracia", acrescentou.

O governo da presidente Jeanine Áñez responsabiliza permanentemente o Movimento ao Socialismo (MAS) de Morales de promover o descontentamento e esfriar as declarações contra ela à medida que se aproximarem as eleições gerais de 6 de setembro.

A intensidade das acusações subiu de tom desde que o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) convocou para 6 de setembro eleições gerais na contramão da opinião de Áñez, que desejava uma prorrogação de "um mês ou dois" para dar atenção prioritária à emergência sanitária pelo novo coronavírus, que infectou mais de 32.000 pessoas na Bolívia.

Áñez assumiu o poder transitoriamente em novembro para conduzir um novo processo eleitoral após a demissão de Morales, mas decidiu no caminho se candidatar à Presidência.

Uma última pesquisa de março a situa em terceiro lugar, com 16%, atrás do centrista Carlos Mesa (18%) e do afilhado político de Morales, o economista Luis Arce, que tem 33,3% das intenções de voto.

Em meio ao confronto, no sábado passado, o ministro da Defesa, Luis Fernando López, enviou carta ao comandante-em-chefe das Forças Armadas, general Sergio Orellana, na qual diz que "Evo Morales tomou a decisão de convulsionar o país" e dividir os militares.

Enquanto isso, o MAS continua travando no Senado, onde tem maioria, as ascensões a generais propostos por Áñez, alegando que devem cumprir certos protocolos administrativos.

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