Publicado 30/06/2020 - 22h53 - Atualizado 30/06/2020 - 22h53

Por AFP


As eleições do Parlamento na Venezuela, único poder nas mãos da oposição, serão celebradas em dezembro, disseram nesta terça-feira (30) as autoridades eleitorais sem informar a data exata, ao anunciar novas normas que contemplam um aumento do número de assentos.

"Debatemos e construímos de forma unânime as normas especiais que vão reger as eleições parlamentares deste dezembro", expressou em declaração transmitida pela TV estatal a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Indira Alfonzo, que informou que os assentos da Assembleia Nacional (unicameral) aumentarão de 167 a 277.

Os principais partidos da oposição vão boicotar as eleições, que qualificam de "farsa", ao rejeitar a designação por parte do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da diretoria do CNE, encabeçada por Alfonzo em 12 de junho.

A corte, de orientação chavista, declarou uma "omissão" do Parlamento, a instituição que tem a atribuição legal de eleger reitores eleitorais.

Como presidente do Parlamento, o opositor Juan Guaidó reivindicou a presidência encarregada da Venezuela em janeiro de 2019 com o apoio de meia centena de países, entre eles os Estados Unidos; mas já desde 2016 o TSJ desconhece qualquer decisão do Legislativo, ao qual declarou em desacato pouco depois de a oposição assumir a maioria.

"Nas próximas eleições parlamentares (para o mandato) 2021-2026 aumenta-se de 167 deputados a 277, o que representa um aumento de 66%", informou Alfonzo, no cargo desde 12 de junho.

A funcionária, uma ex-magistrada do TSJ sancionada pelo Canadá, disse que 86 partidos participarão das eleições apesar do boicote opositor. São, na maioria, organizações minoritárias.

O Legislativo, chefiado por Guaidó, acusou o governo do presidente Nicolás Maduro de tentar convocar eleições sem condições mínimas de transparência.

Maduro comemorou os anúncios do CNE, assegurando que o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) já está "trabalhando" com organizações aliadas para a designação de candidaturas. "Nós nos prepararemos para que nasça uma nova Assembleia Nacional", expressou em um contato com a emissora oficial VTV.

"Não vamos nos prestar a farsas, como não fizemos em maio de 2018", ratificou mais cedo Guaidó, referindo-se às últimas eleições presidenciais, às quais a maioria da oposição não participou denunciando uma "fraude". Devido a isto, a maioria opositora do Parlamento declarou Maduro um "usurpador".

Com a oposição marginalizada, a situação tem o caminho livre para recuperar o controle da Câmara, perdido em dezembro de 2015, quando a oposição levou 112 de 167 assentos do Parlamento, quebrando 15 anos de hegemonia chavista.

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