Publicado 24/06/2020 - 17h22 - Atualizado 24/06/2020 - 17h22

Por AFP


Os contágios e as mortes pelo novo coronavírus seguem aumentando no Brasil, onde vários estados mantêm os planos de reabrir a economia, apesar do conselho dos especialistas.

O Brasil registrou nesta terça 39.436 novos casos e 1.374 mortes por COVID-19. Foi o segundo dia com as maiores cifras, tanto de contágios quanto de óbitos, desde que começou a pandemia.

O país, que tem perto de 212 milhões de habitantes, acumula 52.645 mortes e mais de 1.145.000 contágios, sendo superado apenas pelos Estados Unidos.

"A curva brasileira é ainda uma curva de ascensão forte. Ainda estamos na primeira onda, com os casos e números de óbitos crescendo de forma exacerbada", afirma o pesquisador Domingos Alves, membro do grupo científico Covid-19 Brasil e professor responsável do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Universidade de São Paulo (USP).

O vírus avança em ritmos diferentes em cada região do país, de dimensões continentais.

Mas também encontrou respostas díspares, em função da divisão política do país.

Desde o início da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro considerou as medidas de isolamento social adotadas pelos estados para freá-la como um "remédio pior que a doença", devido ao seu impacto econômico, e atribui a prefeitos e governadores as perdas humanas e econômicas da crise.

Estados como São Paulo (com mais de 13.000 mortos) e Rio de Janeiro (mais de 9.000), onde a doença chegou primeiro, registraram respectivamente 434 e 220 mortos por COVID-19 nas últimas 24 horas até a noite de terça-feira e encabeçam a lista de contágios e mortes.

Mas as capitais dos dois estados iniciaram um processo gradual de reabertura econômica, depois de mais de dois meses de uma quarentena "morna", que restringiu as atividades comerciais, mas não obrigou as pessoas a ficarem em casa.

O estado vizinho de Minas Gerais não descarta impor um "lockdown" para conter a escalada de casos e evitar o colapso do sistema de saúde, após uma flexibilização do isolamento social que levou o estado a registrar um recorde de 51 mortes em 24 horas.

Na região sul, que acaba de entrar no inverno, a situação também começa a se agravar. Na capital paranaense, as autoridades curitibanas advertem que o sistema de saúde poderia colapsar se a população não colaborar.

No norte, Manaus, no Amazonas, que viu seu sistema de saúde colapsado em maio, fechou seu hospital de campanha esta semana e registrou apenas oito mortos por COVID-19 nas últimas 24 horas.

Domingos Alves considera que os planos de abertura são precipitados e não atendem a todos os critérios indicados pela OMS, como a queda sustentada no número de casos e mortes confirmadas durante várias semanas: "A gente está mandando a população para o abatedouro", afirma.

Nas últimas duas semanas foram registradas aglomerações em ruas comerciais de São Paulo.

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