Publicado 03/06/2020 - 18h05 - Atualizado 03/06/2020 - 18h05

Por AFP


Os protestos motivados pela morte de um cidadão negro por um policial branco se intensificaram nesta terça-feira (2) nos Estados Unidos diante da indignação provocada pela ordem do presidente Donald Trump de reprimir uma manifestação pacífica e sua ameaça de mobilizar o Exército.

Apesar da pandemia do novo coronavírus, que deixou mais de 106.000 mortos nos Estados Unidos, a morte por asfixia há oito dias de George Floyd, em Minneapolis, enquanto era imobilizado pelo policial, levou multidões às ruas, nos maiores protestos registrados no país em décadas.

A cinco meses das eleições presidenciais, Trump aumentou as tensões, após ameaçar na segunda-feira mobilizar o Exército para impor a ordem depois que, à margem de protestos, se registraram distúrbios com saques em várias cidades.

"Me ofende o fato de que esteja disposto a mobilizar os militares", disse à AFP Amore, estudante do ensino médio de 16 anos, que protestava em Nova York, onde milhares de pessoas foram às ruas protestar pacificamente nesta terça.

As autoridades da cidade estenderam até 7 de junho o toque de recolher, uma medida que não era usada desde a Segunda Guerra Mundial, depois dos saques registrados na noite de segunda.

Na noite de terça-feira, apesar do toque de recolher, uma multidão permanecia reunida em frente à Casa Branca.

"Estamos cansados de ver as notícias de que matam pessoas de forma habitual (...) Isto acontece há tempo demais", disse à AFP Caleb, um manifestante que participa dos protestos há quatro dias em Washington, onde na segunda-feira à noite ocorreram mais de 300 detenções.

A cidade tinha um forte contingente de segurança depois do registro, durante o dia, de manifestações espontâneas em frente ao Capitólio e ao memorial de Lincoln. Dois helicópteros sobrevoavam os atos, enquanto a polícia pedia às pessoas a obedecerem o toque de recolher.

Trump reiterou nesta terça a ameaça de mobilizar o Exército e afirmou que na noite passada Washington "foi o local mais seguro da Terra".

O mandatário, que se apresentou como o presidente da "lei e da ordem", também atacou seus adversários e criticou a gestão da segurança em Nova York - onde democratas governam o estado e a cidade -, afirmando que cederam à "escória".

Apesar dos incidentes e das críticas do governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, que disse que a Polícia e o município "não fizeram seu trabalho", o prefeito da cidade, Bill De Blasio, se negou a mobilizar a Guarda Nacional, considerando que a Polícia podia fazer frente à situação.

Em Houston, uma cidade com uma importante comunidade negra, onde George Floyd passou a infância, cerca de 60.000 pessoas participaram de uma passeata, segundo o prefeito.

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