Publicado 24/05/2020 - 10h44 - Atualizado 24/05/2020 - 10h44

Por Da Redação da Metrópole

Ricardo Pires, junto com Gustavo Bismarchi, são sócios fundadores do escritório paulista Bismarchi, Pires e Peccinin (BPP) Sociedade de Advogados

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Ricardo Pires, junto com Gustavo Bismarchi, são sócios fundadores do escritório paulista Bismarchi, Pires e Peccinin (BPP) Sociedade de Advogados

Como uma empresa pode se recuperar judicialmente ou como se reerguer economicamente após uma crise ou uma falência? A pergunta martela a cabeça de muitos empresários neste momento de pandemia, antevendo uma possível realidade. Não existem fórmulas, mas um dos caminhos que mais potencializam as chances de recuperação é o da reestruturação por vias jurídicas aplicadas conjuntamente com ações multidisciplinares das áreas de marketing, comercial e outras. De acordo com os advogados Gustavo Bismarchi e Ricardo Pires, sócios fundadores do escritório paulista Bismarchi, Pires e Peccinin (BPP) Sociedade de Advogados, o momento de agir e planejar é agora.
Com sede em Campinas desde 2015, o BPP tornou-se referência técnica para gestão estratégica empresarial, que inclui contingenciamento de crises, recuperação de negócios e empresas de diversos portes e setores, reestruturação empresarial e turnaround. Nas palavras dos advogados, eles praticam a advocacia com visão de negócios e foco em resultados, desenvolvendo soluções customizadas para empresas. Gustavo Bismarchi e Ricardo Pires conversaram com a Metrópole sobre possíveis ações que podem salvar empresas.
De que forma um escritório de advocacia especializado em reestruturação de empresas e turnaround pode atuar como agente na recuperação de negócios e empresas?
Gustavo: Muitos empresários, executivos e profissionais de diferentes áreas possuem um conhecimento vago ou distorcido sobre o que é uma Recuperação Judicial ou como se desenvolve um processo de Falência. Um advogado especializado em crises é peça fundamental para otimizar a geração de valor dentro de um potencial processo de turnaround e reestruturação, com mais chances de viabilizar, por meio de melhores e modernas técnicas jurídicas, o soerguimento econômico-financeiro da empresa e colocá-la de volta a um lugar de destaque no mercado em que está inserida.
Na RMC, a crise econômica provocou um aumento de 503% no número de pedidos de recuperação judicial e falência na comparação do primeiro semestre de 2016 com o mesmo período de 2019, de acordo com dados do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP). É natural, portanto, que o primeiro semestre de 2020 tenha resultados ainda piores nesta circunstância de pandemia. O que uma empresa pode fazer diante de tais perspectivas para se proteger?
Ricardo: O cenário de incerteza econômica a partir da pandemia causada pelo COVID-19 com certeza trará um significativo aumento nas quebras de empresas e nos pedidos de Recuperação Judicial. Contudo, o que mais gera preocupação são as empresas que sequer terão a oportunidade de dar a volta por cima por meio de um processo recuperacional, tendo que fechar suas portas antes, em face da ausência de fluxo de caixa e principalmente pelo desconhecimento das ferramentas disponíveis para salvar seu negócio. Acreditamos que a Recuperação Judicial, em especial, ainda é pouco conhecida pelas pequenas e médias empresas, demonizada injustamente pelo mercado e, popularmente, ainda se alimenta uma ideia equivocada de que se trata de um procedimento muito custoso à empresa. Portanto, o timing para o empresário agir, neste caso, é fundamental!
Em Campinas, há algum indicador que permita fazer uma previsão do quanto as empresas serão afetadas?
Gustavo: Bom, sabemos que Campinas é a 3ª cidade mais populosa do Estado de São Paulo, sendo um importante polo econômico, científico e tecnológico para o país, tendo diversas empresas instaladas na cidade. Não há como fazer uma previsão assertiva com relação ao impacto nas nossas empresas, porém, nesse ambiente de recessão, pode-se dizer que a única certeza é de que a grande maioria das empresas, de diversos segmentos e portes, serão afetadas em alguma medida.
A ação jurídica é suficiente para salvar uma empresa ou é necessário algum tipo de trabalho conjunto de outras áreas?
Ricardo: O trabalho de reestruturação de uma empresa, para que seja bem sucedido, geralmente deve ser feito por equipes multidisciplinares, envolvendo na maioria das vezes os próprios colaboradores da empresa em crise, consultores financeiros, contadores, economistas e advogados especializados. É importante deixarmos claro que o pedido de Recuperação Judicial não faz mágica. O pedido por si só não resolve o problema, sendo necessárias diversas medidas estratégicas nas áreas de marketing, administrativa, comercial, jurídica e financeira da empresa.
Existe uma fórmula para recuperar empresas?
Gustavo: Com certeza não. Um fator de muita importância aos processos de turnaround e reestruturação é a individualização e personalização das medidas a serem aplicadas no caso concreto. O advogado especializado, conjuntamente com os demais profissionais destacados para salvar a empresa, deve analisar o mercado em que a empresa está inserida, o cenário micro e macroeconômico, a composição da dívida, os contratos em curso, os parceiros comerciais e financeiros, bem como deve dominar a legislação falimentar e possuir uma equipe técnica à altura. Esse, de fato, não é um mercado para amadores.
O escritório já atendeu algum cliente que achava que não havia solução para o seu caso?
Ricardo: Em nossa jornada já atuamos em casos bastante complexos e à primeira vista impossíveis de terem sucesso. Em alguns, inclusive, fomos contratados após a decretação da falência da empresa, sendo necessário interpor recursos ao Tribunal de Justiça para reverter a decisão e só então propor a reorganização da dívida e novas formas de pagamento aos credores. Acreditamos que a força motriz do nosso trabalho seja a função social que exercemos, a oportunidade de dar nossa contribuição ao País e salvar boas empresas, garantindo o pleno emprego, a geração de tributos e, principalmente, o desenvolvimento do Brasil.

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