Publicado 24/05/2020 - 09h02 - Atualizado 23/05/2020 - 17h16

Por Eduardo Martins/Especial para a Metrópole

As aulas on-line se tornaram tendência durante a pandemia do novo coronavírus

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As aulas on-line se tornaram tendência durante a pandemia do novo coronavírus

A suspensão das aulas presenciais nas escolas e universidades públicas e particulares durante a quarentena tornou-se mais um problema causado pela pandemia do novo coronavírus. Com os estudantes em casa e o ensino suspenso, a alternativa foi a retomada das atividades escolares por meio de videoconferências, porém as dificuldades estão aparecendo neste método de ensino, principalmente com as crianças.
Max Franco, coordenador nacional e professor do curso de metodologias ativas do Instituto Brasileiro de Formação de Educadores (IBFE), afirma que um dos grandes erros cometidos pelas escolas é tentar fazer de forma remota o que era feito no presencial. Porém, ele também pondera que existem estratégias para cativar as crianças e garantir um bom ensino a distância.
“Tem vários métodos como gamificação, transformando conteúdos em game, que a criança vai brincar e ao mesmo tempo aprender. Também é interessante trabalhar com storytelling, com a professora aparecendo, contando histórias e pedindo para o aluno buscar algo em casa que tem a ver com a história”, exemplifica.
Dificuldades em casa
Mãe da pequena Lorena, de nove anos, aluna de uma escola particular de Campinas, Glaucia Ferreira acompanha de perto os estudos da filha e explica que, inicialmente, a escola deu férias de 25 dias às crianças. As aulas retornaram nesta semana e, segundo ela, as dificuldades já começaram a aparecer.
“As aulas começam 7h40 e vão até as 12h. Algumas são com a professora falando; outras com lições, e hoje minha filha só conseguiu terminar às 13h. Ela ficou uma hora descansando e dei lanchinho. Só que aí ela se distrai e tem o computador e o celular que chamam ainda mais atenção. Eu consegui acessar as aulas, mas estou em um grupo de mães que tiveram dificuldades para acessar”, lamenta.
Coordenadora pedagógica da educação infantil de uma escola particular da Região Metropolitana de Campinas (RMC), Bianca Lazinho explica que na unidade escolar onde ela trabalha foram necessárias diversas adaptações para a realização de aulas remotas. Segundo a educadora, isso começou a ser feito já no início da pandemia e facilitou para que o método fosse aplicado o mais rápido possível.
“Com as crianças de um a três anos, estamos trabalhando apenas 20 minutos durante duas vezes na semana. Os que são um pouco maiores, de quatro e cinco anos, trabalhamos 30 minutos diários, respeitando o limite e a idade da criança”, ressalta
Bianca explica que o objetivo principal é promover interações com as crianças ao mesmo tempo em que isso ajuda na aprendizagem. “Nossa ideia é adequar nossas atividades, deixando-as mais lúdicas e interativas. Na sala de aula, a professora utiliza vários materiais para ensinar uma letra ou um número. Dentro da tecnologia, vamos dar essa orientação aos pais, mas também estamos utilizando vídeos, além de algo que seja atrativo e possa também chamar a atenção da criança”, salienta.
Escolas públicas
A dificuldade para lidar com as aulas remotas também está sendo rotina para alunos de escolas públicas. Alline Barbosa é mãe de Pedro, de nove anos, aluno de uma escola estadual de Campinas. Segundo ela, que acompanha os estudos do filho diariamente em casa, as aulas estão disponíveis em um canal na televisão, mas em alguns casos os conteúdos estão abaixo do nível escolar da criança.
“Meu filho falou que não ia mais assistir as aulas porque não era de quarto ano. Por exemplo, se vai estudar sobre música brasileira, ao invés de mostrar imagens e conteúdos que têm a ver com a idade dele, eles começam a mostrar livrinhos, fantoches e acaba sendo cansativo. A criança está no pico da ansiedade, imagina pegar uma hora e meia nessas aulas. Não funciona, é perda de tempo”, critica.
Alline lembra que também buscou alguns livros de apoio na escola do filho há algumas semanas. A ideia era que a criança fizesse os exercícios disponíveis, mas, segundo a manicure, o nível de dificuldade é grande e é complicado dar uma explicação para a criança.
“Se fosse uma aula com uma atividade complementar, facilitaria. Mas isso deixa a imaginação da criança confusa. A professora poderia gravar um vídeo no grupo da sala e dar uma breve aula, ao invés de assistirem essas aulas pela TV. On-line é uma coisa, e no livro é outra. Meu filho é elogiado na escola. Aqui em casa ele senta e chora de nervoso na hora de estudar. Isso prejudica bastante”, lamenta.
O educador Max Franco faz algumas considerações sobre o quadro atual dos ensinos, tanto público como privado. Ele pontua que o currículo escolar deste ano foi por água abaixo e o ideal é que as escolas não vivam em função dele. “O currículo deve viver em nossa função. Não adianta ter uma plataforma bacana, mas as pessoas não terem internet e os recursos necessários para acessar e estudar”, pondera o coordenador nacional e professor do curso de metodologias ativas do IBFE.

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Eduardo Martins/Especial para a Metrópole