Publicado 17/05/2020 - 10h56 - Atualizado // - h

Por Eduardo Martins/Especial para a Metrópole

Os jogos vem sendo uma forma de entreter as crianças e reunir as famílias durante a quarentena

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Os jogos vem sendo uma forma de entreter as crianças e reunir as famílias durante a quarentena

Pessoas confinadas em casa, trabalho por home office e mudança dos costumes do dia a dia. Essa é a rotina de muitas famílias que estão em quarentena há quase dois meses, desde a chegada da pandemia do novo coronavírus no Brasil. Com mães e pais em casa todos os dias, um dos desafios é encontrar a melhor forma de entreter as crianças e minimizar os efeitos do período de isolamento social no desenvolvimento dos pequenos, e também evitar que eles passem o dia todo agarrados a um computador.
Psicóloga do projeto Fortalecendo Laços e mãe de três crianças, Priscila Ribeiro afirma que o momento é de organizar uma rotina mínima para a criançada, com horário das atividades mais importantes do dia, sem deixar de pensar em formas da garotada também se divertir.

“Em crianças de até três anos, os pais vão ter que ficar mais presentes em todos os momentos e é importante muita brincadeira de interação. É bacana contar histórias, brincar de blocos de montar, empilhar, fazer torre, assistir algo na TV e fazer atividades com bonecos. Além disso, alternativas interessantes são incentivar eles a correrem, brincarem, dançarem, pularem e até colocar um colchão na sala para os pais brincarem com os filhos”, destaca.

A partir dos quatro anos, a criança já está em outro momento de desenvolvimento. Segundo Priscila, jogos de imaginação são alternativas viáveis que estimulam o cérebro nessa idade e ajudam a entreter os pequenos. “Crianças a partir dos quatro anos conseguem jogar Memória, Dominó, Quebra-Cabeça, jogos de tabuleiro mais simples, mas os pais vão ter que ficar juntos. Dá para usar muita coisa de imaginação, brincar de boneca, carrinho, escolinha, construir coisas de sucata, pintar com tinta, brincar de massinha, argila e picar papel. Mesmo com todas as possibilidades, mais uma vez é importante estabelecer a rotina”, pontua a psicóloga.
Para quem já é um pouco mais velho, com faixa etária entre sete e oito anos, os jogos continuam como boas opções, mas agora os tabuleiros e cartas como Uno e Baralho, são mais interessantes para chamarem a atenção da criançada. “Os pais podem lançar mão desses recursos, mas se não houver possibilidade, dá para pensar em alternativas. Se não tem como comprar Jogo da Memória, a criança pode desenhar, recortar, brincar de fazer cartaz e isso pode até incentivar para que elas comecem a produzir os próprios brinquedos”, afirma Priscila.

Colocar os pequenos para ajudar os pais nas tarefas de casa também é uma alternativa importante que ajuda o tempo a passar mais rápido. Desde os primeiros anos de vida, a criança já pode começar a ajudar, mas isso não pode ser feito de maneira impositiva ou por meio de brigas.

“É importante que cada pessoa da família possa ajudar. Crianças pequenas podem ajudar a guardar os brinquedos, crianças maiores podem ajudar a arrumar o lixo, lavar uma louça, arrumar a própria cama e participar da rotina da casa. Quando o pai for lavar o carro, ele pode levar a criança junto, ou ela pode ajudar até a fazer um bolo na cozinha. Isso extrapola a questão do brincar, mas ajuda no desenvolvimento global da criança”, destaca a psicóloga.

Eletrônicos
“Queridinhos” de muitas crianças, os jogos nos tablets, celulares e computadores fazem parte do dia a dia dos pequenos e se tornaram ainda mais presentes durante a quarentena. Segundo a psicóloga, tudo em excesso pode trazer prejuízos para o público infantil e é importante os pais estarem atentos ao tempo que os pequenos passam em frente aos eletrônicos.

“A Academia Americana de Pediatria (AAP) tem recomendações do tempo desejado para crianças ficarem em frente de telas. É claro que passar o tempo todo em frente ao computador atrapalha o desenvolvimento da criança. Ela ficar em frente de telas faz o cérebro agir de forma mais rápida, mas a criança pode ficar mais irritada, desatenta e a implicação maior é que ela perde o contato com as pessoas com quem ela convive”, ressalta Priscila.

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Eduardo Martins/Especial para a Metrópole