Publicado 16/05/2020 - 11h04 - Atualizado // - h

Por Delma Medeiros

Thiago Sales, o palhaço Jerônimo: Tela do vídeo em que ele interpreta de forma instrumental a música O Sol Nascerá (A Sorrir), de Cartola

Divulgação

Thiago Sales, o palhaço Jerônimo: Tela do vídeo em que ele interpreta de forma instrumental a música O Sol Nascerá (A Sorrir), de Cartola

Em momento de confinamento e isolamento social, artistas das várias linguagens, precisam se reinventar e criar alternativas de comunicação com seu público sem o contato direto. Nesse sentido, o ator Thiago Sales, do Circo Caramba, resolveu dar voz ao seu personagem, o palhaço Jerônimo, por meio de vídeos diferenciados. “Não costumava fazer vídeos para a internet, apenas teaser dos espetáculos que produzia, mas nesse contexto que estamos vivendo, nessa quarentena, senti a necessidade de manter o contato com o público, surgiu assim a ideia dos vídeos”, explica Thiago, que nesse período produziu seis vídeos.
Nos primeiros, com o mote “Fica em Casa”, fez paródias de músicas, com textos divertidos orientando sobre a necessidade do confinamento como forma mais eficaz de conter o avanço do coronavírus. A ideia se fortaleceu e Thiago partiu para um projeto que já desenvolve, da Banda do Jerônimo (a inusitada banda de um homem só), e apresenta músicas, com o arsenal de instrumentos e efeitos que domina em seus shows. A primeira música escolhida foi Smile, de Charlie Chaplin, em que ele toca, devidamente de máscara, instrumentos usuais e pouco convencionais, que vão do violão e banjo, a tuba, som em serrote. A segunda foi O Sol Nascerá (A Sorrir), de Cartola, em que acrescenta, bomba de bibicleta, percussão em timba, panelas, teclado de computador, e até a participação de ‘galos cantores de plástico’.
“É uma forma de manter vivo o trabalho, a rotina de ensaios, os estudos, a prática e o contato com o público, mesmo que virtual. Assim, surgiu o projeto inicial, com paródias exortando o público a manter a quarentena, até propostas musicais mais elaboradas”, comenta. Em paralelo, o Circo Caramba tem participado de editais e Thiago comemora que um de seus vídeos foi selecionado no Edital de Emergência Arte como Respiro - Artes Cênicas, realizado pelo Itaú Cultural. “Foi um edital bastante concorrido, fiquei surpreso e feliz por ter sido selecionado”, afirma.
Sediada em Campinas, a companhia Circo Caramba foi criada em 2009 por Thiago Sales, mas a carreira do artista teve início em 2003, quando nasceu seu palhaço, o Jerônimo.
Ao longo de sua trajetória, o Circo Caramba vem sendo reconhecido pela qualidade artística de suas produções e pela forma criativa como une a linguagem da palhaçaria a outras modalidades circenses e, em especial, à música. O trabalho de Thiago é atualmente uma das referências brasileiras na linha do palhaço excêntrico musical.
Além de integrar o elenco de diversas montagens em conjunto com grupos e artistas parceiros, o Circo Caramba vem circulando com seu próprio repertório de trabalhos, cuja primeira produção foi o espetáculo Caramba, quanta bobagem!, parceria entre Thiago Sales e Márcio Parma, que estreou em 2010 e contou com a direção de Esio Magalhães.
Em 2014, o Circo Caramba montou o espetáculo Jerônimo Show, primeiro trabalho solo de Thiago, que fez sua estreia no Circos - Festival Internacional Sesc de Circo. Já em 2016, o artista estreia a intervenção circense-musical A Banda do Jerônimo: uma inusitada banda de um homem só. Em 2019, cria mais um espetáculo solo, intitulado A Estreia, em comemoração aos 15 anos de carreira do palhaço Jerônimo.
Thiago Sales, que não nasceu em família tradicional circense, fez do circo, do palhaço e da música sua escolha artística. Teve a sorte de encontrar em sua trajetória mestres que lhe indicaram os caminhos do palco e do picadeiro. O ator estudou palhaçaria com mestres como o italiano Léris Colombaioni, filho de Nani, grande palhaço, protagonista do filme Clowns, de Federico Fellini; o argentino Chacovachi (Fernando Cavarozzi); Esio Magalhães, o palhaço Zabobrim, cofundador com Tiche Vianna no Barracão Teatro; Teófanes Silveira, o Biribinha; Hudson Rocha, o Kuxixo, que fez a preparação de Selton Mello para a produção O Palhaço; Fernando Sampaio, fundador com Domingos Montagner da companhia LaMínima e Circo Zanni; Pereira França Neto, o Tubinho, do circo de teatro homônimo; Lu Lopes, a palhaça Rubra e Ana Elvira Wuo, docente em artes cênicas da Unicamp. O ator se dedica ao estudo e à pesquisa de instrumentos musicais inusitados, como serrote musical, piano de garrafas, taças e sinos afinados e bomba de bicicleta, tendo sido orientado nesta área pelo mestre Hiran Silveira. É licenciado em Educação Física pela Unicamp e integrou o grupo CIRCUS – Grupo de Estudo e Pesquisa das Artes Circenses, da Faculdade de Educação Física da Unicamp.
Os vídeos musicais podem ser acessados no canal do Youtube: www.youtube.com/circocaramba; e no instagram@circocaramba.
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Delma Medeiros