Publicado 05/05/2020 - 13h43 - Atualizado 05/05/2020 - 13h56

Por Estadão Conteúdo e Agência Brasil

Aldir Blanc

Reprodução

Aldir Blanc

O compositor e escritor Aldir Blanc morreu, aos 73 anos, na madrugada desta segunda-feira, 4, no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio de Janeiro, com infecção generalizada em decorrência do novo coronavírus. Ele estava com Covid-19 e seu quadro de saúde era considerado grave.
O artista foi internado no dia 10 de abril, com sintomas de infecção urinária e pneumonia, e uma de suas filhas, Isabel, chegou a pedir doações para possibilitar a transferência e tratamento do artista, então no CTI do Centro Emergencial Regional (CER) Leblon, na Zona Sul. Cinco dias depois, ele foi transferido para o Hospital Universitário Pedro Ernesto, na Vila Isabel, Zona Norte. As primeiras informações descartavam a possibilidade, mas novos exames mostraram suspeita de coronavírus e o compositor foi submetido ao teste específico de covid-19, que se revelou positivo.
São parcerias dele com João Bosco muitas canções de enormes sucesso na música popular brasileira, como O Bêbado e a Equilibrista, Bala com Bala, O Mestre-Sala dos Mares, De Frente Pro Crime, Corsário, Cabaré, Rancho da Goiabada e Caça à Raposa, além de outras quatro centenas de letras e composições, e uma também extensa obra como cronista.
Além de João Bosco, Aldir fez parcerias com grandes nomes da MPB, como Guinga, Carlos Lyra, Moacyr Luz, Rosa Passos, Ivan Lins, Cristovão Bastos, Maurício Tapajós e Roberto Menescal, entre tantos outros. João Bosco, que lançaria no dia 17 de maio seu álbum Abricó-de-Macaco, nas plataformas digitais, adiou o lançamento por causa do estado de saúde de Aldir Blanc, seu parceiro e amigo de longa data.
Além de compositor, era também escritor. Entre seus livros publicados estão Rua dos Artistas e Arredores (Ed. Codecri, 1978); Porta de tinturaria (1981), Brasil passado a sujo (Ed. Geração, 1993); Vila Isabel - Inventário de infância (Ed. Relume-Dumará, 1996), e Um cara bacana na 19ª (Ed. Record, 1996), com crônicas, contos e desenhos. Escreveu, ainda, crônicas para os jornais O Dia, O Estado de São Paulo e O Globo. Apaixonado pelo Vasco da Gama, escreveu em parceria com José Reinaldo Marques o livro Vasco - a Cruz do Bacalhau.
Aldir nasceu no Rio de Janeiro em 2 setembro de 1946. Em 1966, ingressou na Faculdade de Medicina, especializando-se em psiquiatria, mas abandonou o curso em 1973 para dedicar-se exclusivamente à música, tornando-se um dos mais importantes compositores de Música Popular Brasileira. Em 1970, no V Festival Internacional da Canção classificou-se com a composição Diva, parceria comCésar Costa Filho. (Estadão Conteúdo/Agência Brasil/AAN)
ARTISTAS E AMIGOS HOMENAGEIAM ALDIR BLANC NAS REDES SOCIAIS
"Peço desculpas aos que têm me procurado hoje. Não tenho condições de falar. Aldir foi mais do que um amigo para mim. Ele se confunde com a minha própria vida. A cada show, cada canção, em cada cidade, era ele que falava em mim. Não existe João sem Aldir", escreveu João Bosco no Instagram.

“Aldir Blanc, assim como o sol, saiu de nosso campo de visão normal nessa noite. A poesia acorda triste com a partida de mais uma caneta que nos inspirou a sonhar. Obrigado por nos presentear com um país pelo qual nos apaixonamos Seu Aldir. O maior dos obrigados.” Emicida.

“Rubras cascatas / Jorravam das costas dos santos entre cantos e chibatas”. Quando morre o autor de um verso como esse, entre tantos outros memoráveis, só nos resta chorar e reverenciar. “Glória a todas as lutas inglórias”. Viva Aldir Blanc!.” Arnaldo Antunes.

“A morte de Aldir Blanc nos priva de um grande poeta e nos causa uma dor imensa, pois rouba do nosso povo uma voz que falava de nossas lutas, nossas dores e amores, nossas tristezas e alegrias.” Dilma Roussef.

"Nos momentos difíceis do país — como agora — resiste na alma brasileira uma esperança equilibrista. Esta foi uma das lições do mestre Aldir Blanc, que partiu hoje. A esperança não há de ser inutilmente, eternizou o compositor de O Bêbado e a Equilibrista. As composições de Aldir deixam um legado artístico precioso. São um tesouro da cultura popular guardado na memória afetiva do país. Como na sua canção-símbolo, o show de todo artista tem que continuar. O céu ganhou um bamba." Luciano Hulk.

“Azar! A esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar…”. Aldir, dos mestres maiores, que o sr. descanse em Luz, com a certeza do tanto que nos deixou de legado, amor, senso crítico, arte, cultura. Missão cumprida! Que farra boa o céu vai presenciar!" Maria Rita.

"Há quase dois anos tivemos o primeiro encontro com ele. Encontro esse 'tramado' pela minha amiga @priscilaprade e a esposa de Aldir, Mari. O motivo dado ao Aldir para nossa 'reunião' era para que ele me autorizasse a trabalhar em toda sua obra, musical e literária… . O que ele nunca soube de fato é que, no fundo, fui mesmo nesse encontro para me certificar de que Aldir Blanc existia de verdade. Que não era apenas uma criação do meu imaginário. Fui para ter certeza que aquele homem que escreveu aqueles livros, que fez todas aquelas poesias era mesmo de carne e osso. Saí de lá com minhas expectativas destruídas. Não vi carne. Não havia osso. Aldir era coração inteiro. Só coração. Não havia dentro daquele corpo um só órgão que não fosse somente coração. Estamos estraçalhados com sua ida. Aldir, obrigado por tudo que fez em vida, por mim e por esse país, que tanto lhe maltratou. E obrigado por tudo que ainda está por vir, pois sua obra ainda fará muito, mesmo o Brasil insistindo diariamente em não querer conhecer o Brasil." Alexandre Nero.

"Descanse em paz, Aldir! Por aqui, ficaremos com sua poesia! Muita força para a família e para os amigos desse grande compositor." Zeca Pagodinho.

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