Publicado 23/05/2020 - 08h46 - Atualizado // - h

Por Alenita Ramirez

Líderes religiosos afirmam, em vídeos divulgados nas redes sociais, que eram contra o uso de máscaras e que a doença era ?propaganda enganosa?

Wagner Souza/AAN

Líderes religiosos afirmam, em vídeos divulgados nas redes sociais, que eram contra o uso de máscaras e que a doença era ?propaganda enganosa?

Os cultos na Igreja Assembleia de Deus, em Indaiatuba, onde a aposentada Jadilce Batista da Silva, de 77 anos, frequentava foram suspensos por tempo indeterminado. A idosa morreu no último dia 15, de Covid-19. O comunicado foi feito ontem pelo pastor do templo, Fausto Teixeira Marins, e compartilhado por WhatsApp aos fiéis. Martins também foi testado com o novo coronavírus e está se tratando em casa, segundo familiares. “A pedido do pastor Fausto sob orientação, o templo do Setor 1 vai estar fechado por tempo indeterminado, os irmãos que quiserem congregar, o templo central ou outras filiais estarão abertas”, citado o comunicado.
A igreja funciona no Jardim Morada do Sol 1. Os cultos eram, realizados as terças e quintas-feiras e aos domingos. Anteontem à noite, a igreja ainda funcionou com poucos fiéis.O funcionamento das igrejas evangélicas do mesmo ministério, mesmo em período de isolamento social, gerou polêmica entre os fiéis após a morte da idosa e também de declarações dos líderes. Em vídeos que circulam nas redes sociais, o vice-presidente, Neuton Lima, afirmou que era contra o uso de máscaras de proteção e que os fiéis não eram obrigados a usar, já que a igreja é uma instituição privada. Ele também disse que havia se reunido com a Promotora Pública do município e se responsabilizou por qualquer eventual contaminação de fiéis.
Jadilce frequentava a igreja havia 33 anos, e era casada com o aposentado Manoel Rosa da Silva, de 74 anos, que também morreu em decorrência da doença. Ele estava afastado da igreja e apresentou os sintomas uma semana após a mulher dar entrada no hospital.
Segundo as filhas, os pais eram ativos e também eram diabéticos e hipertensos, mas com saúde controlada. O casal tinha o hábito de fazer caminhadas com grupo de amigos e frequentavam supermercados. Ainda conforme uma das filhas, os pais eram resistentes quanto ao uso de máscara de proteção que, ao ver dela, resultado do que a mãe ouvia nas pregações.
Em nota, o Ministério Público (MP) informou que a Promotoria de Justiça de Indaiatuba, através da área criminal, recebeu “uma notícia de funcionamento irregular justamente deste templo da Assembleia de Deus. Foi enviado ofício à Prefeitura, que informou que autuou o templo no dia 05/05”. “A denúncia sobre as citadas irregularidades também foram juntadas a procedimento da área de Saúde Pública, cujo objeto trata sobre a pandemia do coronavírus, e será apreciada no prazo legal”, cito.
A Assessoria de Imprensa da Prefeitura foi procurada na tarde de ontem para comentar sobre novas decisões, mas não houve retorno até o fechamento desta reportagem.

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Alenita Ramirez