Publicado 23/05/2020 - 08h31 - Atualizado 23/05/2020 - 12h05

Por Da Agência Anhanguera

A quarentena provocou uma drástica queda na movimentação e reduziu em 85% o faturamento do setor

Leandro Ferreira/AAN

A quarentena provocou uma drástica queda na movimentação e reduziu em 85% o faturamento do setor

A falta de linhas de crédito — seja em bancos públicos ou privados — está sufocando os donos de bares e restaurantes de Campinas e região. Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) com empresários do setor na Região Metropolitana de Campinas (RMC) mostra que dos 340 associados, 64 tentaram acessar linhas de crédito junto às instituições financeiras e nenhum pedido foi aceito. Um quadro ainda mais perverso foi identificado pela associação em uma pesquisa nacional.
“O que as empresas conseguiram foram apenas as linhas antigas, com juros bem mais elevados, com taxas na faixa de 2% a 5% ao mês”, revela o presidente da Abrasel RMC, Matheus Mason. Ele lembra que Campinas e diversas outras cidades da região completam hoje 60 dias de isolamento social.
A quarentena provocou uma queda drástica no movimento e, consequentemente, no faturamento. Com relação ao movimento de vendas na região, há uma queda estimada em cerca de 85%. Os 15% que os bares estão conseguindo manter vêm da venda através de delivery, uso de aplicativos e drive-thru.
“Muitos comerciantes estão se reinventando para manter os negócios ativos durante a quarentena, sendo que mais da metade deles jamais havia trabalhado com esses tipos de negócio. Tanto que o delivery apresentou em dois meses um crescimento que era esperado para os próximos dois anos”, diz Mason.
Para o presidente da Abrasel RMC, o momento é crítico e cada vez mais a necessidade de isolamento faz com que o setor e aproxime de um colapso. Ele diz compreender a necessidade do isolamento, mas cobra transparência quanto aos procedimentos de retomada das atividades.
Nacional
A mesma pesquisa foi feita em nível nacional e mostrou que quatro em cada cinco donos de bares e restaurantes tentaram obter empréstimos para poder sustentar seus negócios durante a pandemia, mas destes, 81% tiveram o crédito negado pelas instituições financeiras.
Os bancos privados são os que mais negam acesso a empréstimos: 57,55% dos entrevistados disseram que receberam uma negativa em instituições desse perfil, contra 42,45% que foram barrados em bancos públicos. Com este quadro, quase 20% dos entrevistados dizem ter que demitir todo o quadro de pessoal se a situação se mantiver nos próximos 30 dias.
Para o presidente nacional da Abrasel, Paulo Solmucci, os bares e restaurantes estão precisando com urgência de dinheiro barato e em adequadas condições, com carência e prazos de pagamentos ajustados para os desafios atuais. “Enxergamos muitas tentativas do Governo Federal de oferecer crédito barato e que chegasse na ponta, mas que, até agora, foram infrutíferas”, afirma.
A pesquisa mostrou ainda que o delivery foi a única saída para 55% dos estabelecimentos continuarem operando. Mesmo assim, para 64% das empresas, a queda na receita atingiu os 75%.
Além de forçar uma corrida por empréstimos, a queda de vendas obrigou os empresários a cortar custos em diversas frentes. Quase 80% das empresas já fizeram uma renegociação de aluguel.
BANCOS
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou, em nota, que, entre os dias 16 de março e 8 de maio, as concessões de crédito para pequenas empresas somam R$ 61,5 bilhões, incluindo contratações, renovações e suspensão de parcelas. Foram R$ 31,3 bilhões em novas contratações para esse segmento da economia, outros R$ 23,4 bilhões de renovações e rolagem de operações de crédito, além de R$ 6,8 bilhões de prorrogações de prazos.

"Em função da demanda os bancos estão fazendo análise de crédito de forma antecipada, de forma a oferecer linhas pré-aprovadas. Desta forma parte significativa dos créditos já tem linhas aprovadas, permitindo que a contratação seja feita de forma automatizada nos canais eletrônicos. No entanto condições diferenciadas de prazos e valores acima do pré-aprovado exigem análises complementares e condições fora da política de cada banco individualmente", diz o texto.

Por fim, a Febraban informa que os dados do Banco Central percebemos que os volumes de crédito efetivamente desembolsados cresceram no período e que as linhas de crédito estão à disposição para todas as empresa e, em especial às pequenas e micro.

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