Publicado 15/05/2020 - 07h48 - Atualizado 15/05/2020 - 11h13

Por Daniel de Camargo

Montagem do hospital de campanha de Campinas, que deve começar a funcionar neste final de semana na sede dos Patrulheiros, no Parque Itália

Leandro Ferreira/AAN

Montagem do hospital de campanha de Campinas, que deve começar a funcionar neste final de semana na sede dos Patrulheiros, no Parque Itália

Campinas registrava ontem taxa de ocupação de 69,11% para as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), o maior percentual desde o início da pandemia da Covid-19. Segundo a Secretaria de Saúde do Município, o índice é considerado crítico a partir de 80% de ocupação geral (redes pública e privada). Dos 693 leitos entre adultos, pediátricos e neonatais, públicos e privados, 479 estavam com pacientes — não necessariamente em decorrência do novo coronavírus. Em meados de abril, a taxa era de cerca de 56%. Em 30 dias, houve um crescimento em torno de 13%.
A taxa de ocupação é ainda maior se considerado somente os leitos do Sistema Único de Saúde (SUS). Dos 298 leitos disponíveis, 213, ou seja, 71,47% deles, estavam ocupados.
No que diz respeito à rede municipal, Campinas possui atualmente 76 leitos de UTI à disposição de pacientes com Covid-19, sendo 35 no Hospital Ouro Verde, cinco deles pediátricos. Os outros estão distribuídos entre o Hospital Mário Gatti (13), Hospital PUC-Campinas (12), Maternidade de Campinas (8, sendo 4 para gestantes e 4 neonatal) e Casa de Saúde (8). Existem ainda 97 leitos de enfermaria, entre o Mário Gatti (76), Ouro Verde (13) e Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Carlos Lourenço (8).
A Secretaria de Saúde prevê ainda a criação de 123 novos leitos, sendo 45 de UTI e 78 de enfermaria. A expectativa é passar a contar com mais 15 leitos de UTI no Ouro Verde, sendo cinco pediátricos, 13 no Mário Gatti, 10 na Irmandade e oito no Samaritano. Os de enfermaria serão criados no Hospital de Campanha (36), na Beneficência Portuguesa (27), Casa de Saúde (18), Irmandade (13) e Hospital PUC-Campinas (12).
Na última segunda-feira, em transmissão ao vivo pelas redes sociais, o secretário de Saúde, Carmino de Souza, falou sobre o tema e disse que, desde o início da pandemia, Campinas vem se preparando. "A ocupação de leitos está seguindo rigorosamente essa disponibilidade. Queremos dar tranquilidade à nossa cidade e à nossa região, com leitos livres para que possamos atender à população", comentou. Em suas palavras, a estrutura necessária para apoiar o aumento no número de casos está sendo administrada e o planejamento ofereceu o tempo necessário para que se pudesse discutir medidas com os hospitais, realizando pactos e contratos.
Anteontem, o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), participou de uma reunião com prefeitos da Região Metropolitana de Campinas (RMC), na sede da Agência Metropolitana de Campinas (Agemcamp). O objetivo foi sincronizar as ações de combate à disseminação da doença. Por ser a maior e cidade referência da região no atendimento de casos mais graves de saúde, ficou acertado um diálogo mais amplo entre as secretarias municipais de saúde para otimizar a ocupação de leitos de UTI e de retaguarda. Na semana passada, houve inclusive um contato com o governo paulista para conscientizar de que Campinas não tem condições de receber pacientes da Capital ou da Grande São Paulo.
Na mesma data, o secretário de Desenvolvimento Regional de São Paulo, Marcos Vinholi, informou que a região administrativa de Campinas, formada por 41 cidades e com aproximadamente 6 milhões de habitantes, é a terceira mais impactada pela doença no Estado. Contudo, considerou razoável a situação da região de Campinas, com índices de taxa de ocupação de leitos em torno de 60%.
Unicamp tinha metade dos leitos em uso
Campinas recebeu quatro dos 15 primeiros pacientes encaminhados ao Interior por falta de leitos na Grande São Paulo. Ele estão internados no Ambulatório Médico de Especialidades (AME), inaugurado antes do prazo em abril para ser exclusivo para Covid-19. O AME estava, na sexta-feira passada, com 80% de ocupação dos leitos. Já no Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) havia 19 leitos de UTI para infectados com o novo coronavírus na semana passada, com taxa de ocupação na faixa dos 50%.
Mas esse é um cenário mutante, alerta o médico Manoel Bértolo, diretor executivo da área de Saúde do complexo. Serão abertos no HC 18 novos leitos de UTI, com recursos liberados pela União, em parceria com o Estado. "A gente tem um risco, com o frio, porque não sabemos o que vai acontecer."
A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo informou, em nota, que o AME Campinas contava, ontem, com 30 leitos para casos Covid-19, sendo 15 de UTI e 15 de enfermaria. A taxa de ocupação era de 80% (12) e 40% (6), respectivamente. Procurada, para atualizar os dados, a assessoria de imprensa do HC da Unicamp não retornou o contato até o fechamento desta edição. Porém, em seu site oficial, divulga ter atualmente 26 leitos de UTI e 84 de enfermaria destinados a pacientes com a doença. (Com Estadão Conteúdo)

Escrito por:

Daniel de Camargo