Publicado 13/05/2020 - 07h50 - Atualizado 13/05/2020 - 07h50

Por Alenita Ramirez

Considerados super-heróis, trabalhadores da Saúde resgatam seu estimado valor nestes tempos difíceis

Wagner Souza/AAN

Considerados super-heróis, trabalhadores da Saúde resgatam seu estimado valor nestes tempos difíceis

Ludmila, Ivani, João, Reginaldo, Juliana. São nomes, são números, são anônimos, mas a profissão deles, a enfermagem, tem seu dia de homenagem e tem recebido reconhecimento pela atuação no enfrentamento da pandemia da Covid-19. Esses trabalhadores estão doando a vida para fazer o melhor de si e salvar vidas. Se não é o atendimento deles, vidas são ceifadas, especialmente neste período, em que a luta contra um inimigo desconhecido e invisível se tornou individual e ao mesmo tempo coletiva.
Doze de maio agora ficou na memória de muita gente. É o Dia do Profissional de Enfermagem. E o que comemorar nesta data, neste ano, logo que muitos desses trabalhadores estão distantes de seus familiares e dos amigos? "Podemos comemorar a exaltação, o reconhecimento desta classe que até então era considerada como secundária. As pessoas sempre viram o médico como o profissional de destaque na área de saúde e não olhavam para o enfermeiro. Agora não. Esse conceito mudou, pois passamos a receber mais elogios na ouvidoria e até do papa" , disse a diretora da enfermaria do Pronto-Socorro do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, Ludmila de Melo, de 34 anos, dos quais 12 dedicados à profissão.
"Ser enfermeiro ou enfermeira é um dom. Tem que amar. Em um momento como o qual estamos vivenciando, poucos decidem deixar pai, filho, marido para se dedicar a outra pessoa. É muito gratificante estar na linha de frente. Fazemos o primeiro atendimento e temos que fazer com amor, prazer e sabedoria, pois esse primeiro acolhimento faz muita diferença na vida de muitos pacientes" , destacou a enfermeira clínica do Pronto Atendimento de convênios do do Hospital PUC-Campinas, Brunieli Peroto Barbieri Fantin, de 34 anos, 13 deles vividos pela enfermagem. "Quando terminei o ensino médio, não sabia que profissão seguir. Mas meu pai e minha mãe já sabiam que a área de enfermagem me completaria. Me aconselharam e me matriculei na faculdade. Não tinha ideia de quanto o campo da enfermagem é amplo e bonito. Nos primeiros dias de aula, me encantei. Devo muito aos meus pais por esta profissão."
Ivani Genghini Nicoletti, de 58 anos e mais de 30 deles dedicados à profissão, comanda uma equipe de 808 profissionais da rede pública de saúde. No cargo de coordenadora de enfermagem da Rede Mário Gatti, desde 2015, neste período de epidemia regional, ela teve que não só ter olhos para os pacientes que buscam atendimento na rede municipal, mas também para a própria equipe. Sem citar números, Ivani viu alguns profissionais serem contaminados e também serem curados, mas sem desanimar. "Eu procuro ligar todos os dias para falar com os que foram infectados e saber como estão. Conversar com eles é muito importante. A maioria já retomou ao trabalho" , disse Ivani.
Além disso, Ivani disse que procura estar em todos as unidades para acompanhar no que está acontecendo no trabalho social, junto as comunidades. "Tenho orgulho de ser enfermeira. Sou muito grata a Deus pela minha profissão. É um prazer ajudar e fazer a diferença no cuidado de um paciente, até mesmo nas ações mais simples como o de dar banho, ajudar na alimentação e conversar" , comentou.
Atuando na linha de frente ao atendimento de casos suspeitos da Covid-19, Brunieli, Ludmila e Ivani falaram de suas amarguras diante da angustia do próximo. Ludimila é solteira e mora sozinha, mas se comove com seu isolamento social. Segundo ela, nos últimos tempos sua vida se resume de casa para o trabalho e vez ou outra no mercado ou farmácia. Tem orgulho do trabalho feito no HC.
Ivani tem uma filha que também é enfermeira. Brunieli é casada, mãe de uma menina de 3 anos. Como vive longe do restante da família, ela não se isolou do marido e da filha, mas toma todos os cuidados para não levar contaminação para casa. "Somos seres humanos. Na frente do paciente, a gente se segura, procura ser forte. Mas quando chegamos em casa, a gente chora e sofre. A gente sente a dor daquela pessoa que ficou no hospital e que também sentiu medo. A gente aprende todo os dias para sermos melhor cada vez mais e passar segurança aos pacientes e seus familiares" , resumiu Brunieli.
Homenagens
Para lembrar o Dia do Profissional de Saúde e do Enfermeiro, o Hospital PUC-Campinas elaborou uma série de ações, mas seguindo as normas de segurança para enfrentamento do coronavírus, tais como exposição de Fotos; presença do Capitão América e Homem-Aranha (voluntários); Campanha nas Mídias Sociais com o tema ‘Acolher com os Olhos" . Também foi entregue uma máscara de tecido para cada profissional com a mensagem "Cuide-se, você é importante" . Segundo o gerente de Recursos Humanos, Nilo Nery, o Hospital conta com aproximadamente 2,4 mil profissionais, sendo 300 médicos, 980 da equipe de enfermagem (190 enfermeiros, administrativos e área de apoio. Para completar esse quadro da assistência, o Hospital conta também com cerca de 700 médicos convidados.
O HC da Unicamp também fez a entrega de doces para os profissionais e uma série de palestras e orientações para os profissionais da área, também seguindo a mesma orientação da Saúde.
Já a rede municipal, por conta da pandemia, a Semana de Enfermagem que ocorre todo ano neste período, com palestras e atividades culturais teve que ser cancelada. No entanto, os funcionários receberão flores e mensagens motivacionais e de agradecimento nos hospitais. Na Rede Mário Gatti, está sendo feito treinamento com pequenas equipes.A força de trabalho na rede municipal conta com 8.407 profissionais, sendo 2.245 entre enfermeiros e técnicos.

Escrito por:

Alenita Ramirez