Publicado 05/05/2020 - 09h43 - Atualizado 05/05/2020 - 09h43

Por Estadão Conteudo

Tenda de atendimento e triagem montada próxima à entrada do HC da Unicamp: referência no tratamento

Wagner Souza/AAN

Tenda de atendimento e triagem montada próxima à entrada do HC da Unicamp: referência no tratamento

A Unicamp anunciou nesta semana plano para reduzir gastos e minimizar impactos gerados pela Covid-19. A pandemia fez aumentar despesas extras com atendimentos médicos no Hospital de Clínicas (HC) — a unidade, em Campinas (SP), é referência para tratamento de casos graves no interior paulista — e vai diminuir suas receitas orçamentárias. A estimativa é de queda de até R$ 220 milhões no repasse previsto do governo do Estado pela redução calculada de ICMS — o imposto é a principal fonte de recursos da universidade. Apesar da situação, os gastos da saúde estão mantidos.
"A gente não tem condições de bancar essa conta sozinho", afirmou o reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcelo Knobel, após cálculo superficial, feito para a reportagem, dos gastos extras que o enfrentamento à pandemia da Covid-19 trouxe. São gastos em leitos especiais no HC, isolamento de área, insumos adicionais para as unidades de saúde e de pesquisa, como máscaras e luvas, reagentes e equipamentos de testes, estudos e atendimento ao público, além de remédios, gastos com pessoal, entre outros.
A Unicamp é uma das três universidades públicas do Estado que desde o início da crise direcionou suas estruturas de atendimento médico e projetos de pesquisa e desenvolvimento de conhecimento científico para o enfrentamento à covid-19 — as outras são USP e Unesp.
Foi uma das primeiras autorizadas a fazer testes de detecção do coronavírus, pelo Instituto Butantã, e criou uma força-tarefa multidisciplinar de pesquisadores. Esse grupo trabalha em estudos sobre reagentes alternativos para identificar a doença, em terapias para o tratamento de pacientes, como o uso de plasma de doentes recuperados em pacientes graves e moderados, estuda a ação do vírus no cérebro, o impacto da pandemia na sociedade, entre outros.
Na área de saúde, o HC da Unicamp destinou 40 leitos de UTI apenas para pacientes com a doença. A ocupação está na faixa de 50%. "Tranquilo não é. Estamos sempre sobrecarregados, a situação no HC era crítica antes da Covid-19 e agora ficou ainda mais grave", afirma. Diferente das duas outras universidades públicas de São Paulo, o HC e demais áreas de saúde integram o orçamento geral da Unicamp, já deficitário para 2020 - previa R$ 2,7 bilhões de despesas e R$ 2,5 bilhões de receitas.
Isso faz com que os "gastos extras" com a covid-19 pesem ainda mais no caixa da universidade. A perspectiva de pico de atendimentos no interior paulista e o anúncio de envio de pacientes da capital agrava o quadro de alerta. "O sistema de saúde é único e nós somos parte do SUS. Vamos responder ao sistema dentro das nossas possibilidades", explica.
Segundo o reitor, o HC da Unicamp vai atender os pacientes que forem transferidos de outras regiões pelo sistema de regulação de vagas da Secretaria Estadual de Saúde. Mas avisa: "Naturalmente, dentro dos nossos limites e da nossa capacidade de atendimento, senão, seria, realmente, colocar em risco a vida das pessoas."
Cortes
O reitor também é o atual presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Ele afirma que a situação nas demais instituições também não é tranquila. "Entendemos que precisamos receber os recursos necessários para colaborar", alerta. "Com a diminuição geral do ICMS, certamente as universidades vão sofrer bastante. A gente não tem condições de bancar a conta sozinho."

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