Publicado 22/05/2020 - 21h23 - Atualizado 22/05/2020 - 21h23

Por AFP


O Peru foi o primeiro país da América Latina a adotar medidas para conter o coronavírus, mas nove semanas depois os números da COVID-19 são exorbitantes. O que deu errado?

O país de 32 milhões de habitantes fechou suas fronteiras e decretou o confinamento nacional obrigatório desde 16 de março, quando havia apenas 86 infecções. Atualmente, os casos confirmados estão perto de 110.000, os mortos ultrapassam 3.100 e apenas na última semana mais de 28.000 pessoas foram infectadas.

"O principal aqui foi o fracasso da administração. Houve falhas e improvisações do governo do presidente Martín Vizcarra", diz Luis Benavente, diretor da consultoria Vox Populi.

O governo "teve fevereiro e março para fazer um plano estratégico [contra a pandemia] e não o fez", acrescentou o analista à AFP.

O Peru é o segundo país da América Latina com mais casos após o Brasil e o terceiro em mortes após o Brasil e o México.

Vários fatores favoreceram a disseminação desenfreada do vírus no Peru:

Ao decretar o confinamento, o governo manteve atividades econômicas essenciais, incluindo a venda de alimentos nos mercados. Estes, que não adotaram nenhuma medida de proteção - ao contrário de redes de supermercados ou pequenas lojas de bairro - tornaram-se surtos silenciosos do vírus até que o governo agisse sobre o problema.

Assim, vários dos 2.000 mercados foram fechados. No mercado de frutas do distrito de La Victoria, 86% dos comerciantes tiveram resultado positivo no teste rápido para COVID-19.

"Eram comerciantes que manipulavam alimentos, uma cadeia explosiva de infecções", diz Benavente. "Apenas dois meses depois, o estado enviou os militares para os mercados, mas já era tarde demais".

Os bancos se tornaram outro foco de contágio. Os peruanos se aglomeraram fora das agências bancárias para receber fundos de emergência emitidos pelo governo.

As autoridades também implementaram medidas tardias nestes estabelecimentos, autorizando a retirada de pensões a partir de agora com transferências eletrônicas.

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