Publicado 22/05/2020 - 20h34 - Atualizado 22/05/2020 - 20h34

Por AFP


A divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, na qual o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro diz que foi pressionado pelo presidente Jair Bolsonaro a trocar o comando da Polícia Federal, mostra os integrantes do primeiro escalão do governo brasileiro utilizando termos pouco amenos sobre os principais temas do momento, como a pandemia de coronavírus.

Em uma parte do vídeo, Bolsonaro descreve o governador de São Paulo, João Doria, como "bosta" e o governador do Rio de Janeiro, Wilson Wietzel, como "estrume" por promoverem medidas de confinamento social que, aos olhos do presidente, são prejudiciais para a economia.

Por outro lado, o pedido do juiz do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, de apreensão do celular de Bolsonaro gerou uma reação forte por parte do governo.

Uma decisão que, se aceita pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, teria "consequências imprevisíveis" e comprometeria a "estabilidade nacional", segundo o chefe do Gabinete de Segurança Nacional (GSI), general Augusto Heleno.

Tanto o pedido de apreensão do celular, apresentado por partidos da oposição, quanto a divulgação do vídeo da reunião ministerial fazem parte da investigação aberta depois que Sérgio Moro pediu demissão do ministério da Justiça renunciou ao cargo, alegando que o presidente tentou interferir nas investigações da Polícia Federal para proteger sua família e amigos.

Bolsonaro garante que a gravação não o incrimina. Apesar de admitir que na reunião tenha se referido a amigos e familiares, ele afirma que estava falando sobre a segurança deles e não os protegendo de investigações.

O vídeo liberado pelo STF teve excluído apenas trechos com referências a "certos estados estrangeiros".

Na reunião, é discutida a estratégia e combate à COVID-19, que já estava em plena expansão no Brasil.

O então ministro da Saúde, Nelson Tech, que renunciou ao cargo em 15 de maio, insiste na necessidade de tranquilizar a população para dominar o fator "medo".

"Enquanto não mostrarmos à sociedade que controlamos a doença, qualquer tentativa econômica será ruim, porque o medo impedirá que a economia seja considerada uma prioridade", diz.

Bolsonaro ataca virulentamente os governadores dos dois principais estados do Brasil.

"Que os caras querem é a nossa hemorroida! Nossa liberdade! Isso é uma verdade. Que esses caras fizeram com o vírus, esse bosta do governador de São Paulo, o estrume do Rio de Janeiro", exclama.

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