Publicado 05/04/2020 - 10h05 - Atualizado 03/04/2020 - 17h23

Por Kátia Camargo

Denize Ribeiro é psicóloga e trabalha no Programa de Orientação de Pais Fortalecendo Laços

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Denize Ribeiro é psicóloga e trabalha no Programa de Orientação de Pais Fortalecendo Laços

O que as crianças sabem ou precisam saber sobre coronavírus? O assunto é delicado e está a todo o momento nos noticiários, nas conversas por telefone com familiares e amigos e também nos comentários dentro de casa. Além disso, de um dia para o outro, as crianças deixaram de ir à escola, de encontrar os amigos, de visitar os avós, perderam a liberdade de ir aos parques, fazer passeios ao ar livre, ver e estar com pessoas que vão muito além do núcleo familiar. Ou seja, são muitas mudanças de rotas, em um curto período tanto para adultos quanto para as crianças. Claro que os pequenos ficam atentos a tudo o que está ocorrendo ao redor deles. Então, nada melhor que explicar de forma leve, clara e verdadeira sobre a realidade atual, mas filtrando o que deve ser falado.
A psicóloga Denize Ribeiro, que trabalha com o Programa de Orientação de Pais Fortalecendo Laços, conta que esses questionamentos familiares têm sido um dos principais assuntos nos atendimentos virtuais e que, nos últimos dias, a procura por consulta on-line aumentou muito. O tema mais recorrente tem sido como trabalhar esse assunto com as crianças de forma mais assertiva. “Estamos vivendo um momento atípico, tem muitas pessoas assustadas e sem saber ainda como lidar com isso. Mas é preciso ter muito cuidado de como vamos passar esse conteúdo para as crianças. E é muito importante que elas se sintam calmas, seguras e protegidas ao lado da família neste momento”, diz a especialista.
Denize explica que antes de falar do coronavírus os pais precisam checar o que as crianças já sabem sobre o assunto, ouvir as dúvidas e os medos. “As crianças não têm maturidade cognitiva para lidar com situações muito assustadoras. Portanto, os pais devem evitar que elas fiquem muito expostas a informações dos noticiários ou que recebam excesso de informações desnecessárias. Cabe aos pais e responsáveis tentar protegê-las e filtrar o que elas estão vendo, escutando. Após apurar o que elas sabem deve-se introduzir o assunto de forma mais leve, levando em conta a idade e maturidade do seu filho, filtrando o que vai falar”, afirma.
A especialista dá algumas dicas de como o assunto deve ser introduzido de acordo com as diferentes faixas etárias:
Até os dois anos
Ela destaca que até os dois anos o mais importante é falar, por exemplo, que a criança não vai à escola ou creche e vai ficar em casa com os pais ou responsáveis. “Nesta faixa etária não é preciso dar muita explicação. A família vai conduzir o dia a dia em casa, brincando e colocando a nova rotina. Algumas escolas estão, por exemplo, enviando vídeos dos professores cantando músicas que já são conhecidas na rotina da criança, mandam mensagens carinhosas aos alunos. Isso traz um conforto e ligação com a escola e os professores”, diz.
Dos três aos cinco anos
Dos três aos cinco anos, a dica é trabalhar com o lúdico. Pode explicar sobre o coronavírus por meio de desenhos, vídeos, falar também da importância dos cuidados com a higiene para evitar ficar doente, destacar para a criança sobre a importância dela não levar as mãos na boca, olhos e nariz. “Tem um vídeo muito interessante circulando na internet de uma experiência com água e orégano, mostrando que quando se lava as mãos a gente consegue se proteger e afastar os ‘bichinhos’, dá para repetir a experiência em casa. A explicação tem de ser simples, básica e concreta”, diz.
Dos seis aos 10 anos
Para as crianças de seis até 10 anos, é possível detalhar um pouco mais. “Dá para contar a história de que o vírus é algo invisível, dando como exemplo a gripe ou resfriado que a criança já teve para explicar sobre o que é um vírus. Mas deixando claro que é algo bem mais forte, potente, por isso a importância de ter tanto cuidado com a higiene e ficar em casa nesse momento, não poder ir às aulas ou visitar e brincar com os amigos. A criança terá que aprender a lidar com essa frustração nesse período.
Outra dica para essa faixa etária é mostrar o calendário, falar do tempo previsto para que isso passe. Se quiser ressaltar a empatia na criança vale a pena dar exemplo de pessoas que estão tendo gestos de bondades e generosidade com os outros que passam dificuldades. Além disso, contar histórias de profissionais de saúde, cientistas que estão trabalhando arduamente para interromper o surto e manter a comunidade segura. Esses relatos de como as pessoas estão agindo podem trazer um grande conforto e mostrar exemplos de amor, generosidade e humanidade para as crianças”, diz.

Escrito por:

Kátia Camargo