Publicado 05/04/2020 - 10h01 - Atualizado 03/04/2020 - 14h51

Por Daniela Nucci

A rinite e o novo coronavírus possuem diferenças

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A rinite e o novo coronavírus possuem diferenças

Com a chegada do Outono e o tempo mais seco, sintomas tão conhecidos, e que fazem parte do cotidiano dos alérgicos, começam a aparecer como coceiras no nariz, espirros, coriza, vermelhidão nos olhos, até uma tosse. Nada seria diferente exceto pela presença concomitante do novo coronavírus (Covid-19), doença respiratória causada pelo vírus responsável pela pandemia atual, originária da China em 2019.
O natural aumento da ansiedade junto ao medo causado pelo número crescente de infectados resulta em uma preocupação dos médicos perante a possibilidade de muitos portadores de alergias confundirem suas reações costumeiras com sintomas de coronavírus e, assim, sobrecarregarem um sistema de saúde já exaurido por pessoas levadas pelo pânico. “Existem diferenças importantes entre o vírus e as alergias respiratórias. A rinite alérgica não dá febre e nem dificuldade respiratória aguda. Já a doença que o vírus Sars –Cov- 2 (Covid-19) provoca é uma infecção respiratória com sintomas de febre, tosse seca que piora, provocando falta de ar”, explica a otorrinolaringologista Juliana Bertoncello.
Segundo ela, recentemente saíram alguns estudos reportando a perda súbita do olfato, como um sintoma isolado do coronavírus, assim a parte de olfato entra como sintoma importante relacionado à infecção por coronavírus. “De acordo com a médica Claire Hopkins, da Associação Britânica de Otorrinolaringologia, o sintoma pode ser considerado até um marcador do coronavírus”, diz Juliana. E o que fazer?
“Os pacientes riníticos que já fazem tratamento, não devem interromper o tratamento ou a prevenção já recomendada por seu médico”, alerta a profissional. Outro ponto importante é a higienização dentro de casa. “Fazer a limpeza do ambiente e tapetes para evitar poeira e não usar produtos de limpeza com cheiro forte”, diz a profissional.
Independentemente do quadro respiratório, Juliana destaca a importância de praticar a etiqueta respiratória. “Além de manter uma distância mínima de contato de um metro, se espirrar ou tossir, usar um lenço ou o antebraço para a proteção, lavar sempre as mãos após tossir ou espirrar e passar álcool em gel para evitar a transmissão desses ou demais vírus para pessoas ou ambientes”, alerta a profissional.
Tratamentos
Alergias como a rinite devem ser tratadas por um médico especialista. O profissional pode prescrever medicamentos como anti-histamínicos, com ou sem congestionantes, além de corticoides e broncodilatadores. No caso do coronavírus, se os sintomas forem leves, a recomendação é ficar em isolamento dentro de casa.
“Agora, caso a pessoa esteja com febre alta persistente, falta de ar e muito mal estar, é importante procurar o serviço de emergência”, completa Juliana. “Vale lembrar que, na maioria das vezes, as crianças mesmo infectadas não apresentarão sintomas e, caso ocorra, de maneira geral, desenvolvem um quadro muito leve de resposta ao coronavírus. Em compensação, elas são transmissoras em potencial. Já os idosos e as pessoas com a imunidade comprometida, com doenças crônicas como quimioterapia, tem grande potencial para desenvolver quadros graves, com mortalidade alta”, pontua a profissional.
Pequenos detalhes dos sintomas da rinite alérgica e o coronavírus
Rinite alérgica
Os sintomas comuns são espirros, coceira no nariz e garganta, vermelhidão nos olhos, congestão nasal e coriza. "Fiquemos atentos, rinite não dá febre e nem dificuldade para respirar", diz Juliana.
Coronavírus
Os sintomas mais comuns são febre, tosse, dor no corpo, também pode ter congestão nasal, coriza, dor de garganta, cansaço, diarreia e a dificuldade de respirar, estes três últimos são considerados mais graves.

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Daniela Nucci