Publicado 25/04/2020 - 11h45 - Atualizado 25/04/2020 - 11h50

Por Daniel de Camargo e Maria Teresa Costa

Tenda para triagem de pacientes montada ao lado do pronto-socorro do Mário Gatti, que teve 40 leitos de UTI habilitados pelo Ministério

Wagner Souza/AAN

Tenda para triagem de pacientes montada ao lado do pronto-socorro do Mário Gatti, que teve 40 leitos de UTI habilitados pelo Ministério

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), anunciou ontem que 108 leitos de hospitais da cidade, sendo 90 pertencentes à rede municipal e 18 do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foram habilitados pelo Ministério da Saúde para receber recursos. De acordo com o órgão federal, serão em torno de R$ 15,5 milhões. Com habilitação desses leitos, somada a outras ações da Prefeitura, o secretário de Saúde, Carmino de Souza, classificou como “robusta” a estrutura para a sequência do enfrentando à pandemia de coronavírus, que tende a ter aumento no número de casos confirmados.
O valor a ser repassado é para cobrir o equivalente a 90 dias, podendo ser prorrogado enquanto houver emergência em saúde pública no Brasil decorrente da Covid-19. “Por cada leito serão pagos R$ 1,6 mil de diária do leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o dobro do que normalmente é repassado”, informou o Ministério da Saúde. Para validar a ampliação da quantia, uma portaria foi publicada no início deste mês.
De acordo com o Executivo, a habilitação de mais leitos está sendo pleiteada e a verba já confirmada abrangerá o custeio tanto de leitos novos quanto a conversão de leitos de enfermaria existentes em UTIs para Covid-19. Campinas registrava ontem taxa de ocupação de 61,43% para as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Segundo dados da Secretaria de Saúde do Município, são 682 leitos entre adultos, pediátricos e neonatais, distribuídos nas redes pública e privada. Desse total, 419 estavam com pacientes — não necessariamente em decorrência da Covid-19.
Dos leitos ocupados, informou Carmino, 17% são pacientes com Síndrome Respiratória Aguda (SRAG). Esse cenário, ponderou, é o melhor possível para o momento. Sobre a crítica de algumas pessoas, que inclusive gravaram vídeos que viralizaram nas redes sociais, mostrando hospitais vazios em Campinas e outras cidades da região, Jonas foi enfático ao assegurar que as medidas certas estão sendo tomadas. “É melhor termos um leito disponível do que passarmos por cenas que temos observado em outros lugares: pessoas precisando de socorro e não terem onde ser socorridas”, frisou o chefe do Executivo.
Há 40 dias, recordou o secretário de Saúde, essa condição foi vislumbrada. “Não é ócio, mas reserva estrutural. Estamos nos preparando para um eventual aumento do número de casos”, explicou. O secretário pediu, entretanto, que a população continue respeitando o isolamento social. Independentemente de como as coisas evoluírem na cidade, considerando inclusive a possibilidade de reabertura da economia, esclareceu ser fundamental as pessoas que puderem permanecerem em suas casas. Além disso, recomendou atenção também aos hábitos de higiene, como lavagem das mãos e limpeza no ambiente doméstico, e o impreterível uso da máscara de proteção.
Leitos
Segundo o Ministério da Saúde, os 108 leitos habilitados em hospitais de Campinas estão distribuídos da seguinte maneira: Hospital Mário Gatti (40), HC da Unicamp (18), Hospital Ouro Verde (15), Beneficência Portuguesa (13), Hospital PUC-Campinas (12), Irmãos Penteado (10). O maior valor será pago ao Mário Gatti — em torno de R$ 5,7 milhões. O menor ao Irmãos Penteado — cerca de R$ 1,4 milhão.
Esses leitos compõem o total de 1.134 de UTI habilitados pelo órgão federal, anteontem, voltados exclusivamente para atendimento aos pacientes graves ou críticos do coronavírus. “Esse quantitativo soma-se aos 322 leitos habilitados em outras duas ocasiões no mês de abril. Com isso, o País passa a ter um reforço de 1.456 leitos de UTI no combate à pandemia”, informou o MS.
Segundo a Secretaria de Saúde de Campinas, a rede municipal possuía, ontem, 56 leitos de UTI para enfrentamento da Covid-19, sendo 35 (seis deles pediátricos) no Hospital Ouro Verde, 13 no Mário Gatti e oito na Maternidade, divididos igualmente para gestantes e neonatal. Existem ainda 89 leitos de enfermaria, distribuídos entre os hospitais Mário Gatti (76) e Ouro Verde (13). A Pasta prevê ainda a criação de 143 novos leitos, sendo 65 de UTI e 78 de enfermaria.
“Não estão nesta conta os leitos de gestão estadual e o futuro Hospital de Campanha, cuja previsão é de 108 leitos, sendo cinco de UTI e 103 de retaguarda clínica”, encerra a nota.
Cidades da RMC mantêm baixos índices de isolamento
As dez cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC), monitoradas pelo Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi-SP) do Governo de São Paulo, ainda não conseguiram avançar no isolamento social para o enfrentamento da disseminação do novo coronavírus. Na quinta-feira, 70% das cidades monitoradas na região mantiveram os mesmos índices de isolamento registrados no dia anterior. Na média, o isolamento foi de 47%, abaixo da média do Estado de 48%, que também se manteve.
Hortolândia, Paulínia e Sumaré aumentaram o isolamento em um ponto percentual, e registraram 50%, 48% e 44% respectivamente, na quinta-feira. Campinas se manteve em 46%, Americana em 45%, Itatiba em 44%, Vinhedo em 52%, Santa Bárbara d´Oeste em 44%, Valinhos em 48% e Indaiatuba em 49%.
O Simi-SP é viabilizado por meio de acordo com as operadoras de telefonia Vivo Claro, Oi e TIM para que o Estado possa consultar informações agregadas sobre deslocamento nos 645 municípios paulistas. As informações são aglutinadas e de forma anônima, sem desrespeitar a privacidade de cada usuário. Os dados de georreferenciamento servem para aprimorar as medidas de isolamento social para enfrentamento ao coronavírus.
Na conjuntura atual, em decorrência da pandemia provocada pelo novo coronavírus, o isolamento social é, segundo autoridades sanitárias, uma das soluções mais eficazes para evitar seu contágio e proliferação. Assim, a iniciativa de se isolar socialmente, até que as chances de contágio diminuam, consiste em responsabilidade social.
<CW-9><IR0.1>As dez cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC), monitoradas pelo Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi-SP) do Governo de São Paulo, ainda não conseguiram avançar no isolamento social para o enfrentamento da disseminação do novo coronavirus. Na quinta-feira, 70% das cidades monitoradas na região mantiveram os mesmos índices de isolamento registrados no dia anterior. Na média, o isolamento foi de 47%, abaixo da média do Estado de 48%, que também se manteve.Hortolândia, Paulínia e Sumaré aumentaram o isolamento em um ponto percentual, e registraram 50%, 48% e 44% respectivamente, na quinta-feira. Campinas se manteve em 46%, Americana em 45%, Itatiba em 44%, Vinhedo em 52%, Santa Bárbara d´Oeste em 44%, Valinhos em 48% e Indaiatuba em 49%.O Simi-SP é viabilizado por meio de acordo com as operadoras de telefonia Vivo Claro, Oi e TIM para que o Estado possa consultar informações agregadas sobre deslocamento nos 645 municípios paulistas. As informações são aglutinadas e de forma anônima, sem desrespeitar a privacidade de cada usuário. Os dados de georreferenciamento servem para aprimorar as medidas de isolamento social para enfrentamento ao coronavírus.Na conjuntura atual, em decorrência da pandemia provocada pelo novo coronavírus, o isolamento social é, segundo autoridades sanitárias, uma das soluções mais eficazes para evitar seu contágio e proliferação. Assim, a iniciativa de se isolar socialmente, até que as chances de contágio diminuam, consiste em responsabilidade social.(Maria Teresa Costa/AAN)</CW></IR>

Escrito por:

Daniel de Camargo e Maria Teresa Costa