Publicado 07/04/2020 - 10h28 - Atualizado 07/04/2020 - 10h28

Por Estadão Conteudo

Movimentação no HC da Unicamp: notícia foi recebida com alívio pela equipe médica na pediatria

Wagner Souza/AAN

Movimentação no HC da Unicamp: notícia foi recebida com alívio pela equipe médica na pediatria

A semana começou com uma boa notícia em meio ao avanço do novo coronavírus em São Paulo. Cinco bebês internados na pediatria do hospital da Unicamp, que na semana passada eram suspeitos de terem contraído a Covid-19, testaram "negativo" para a doença. Dois deles seguem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e três foram para a enfermaria.
O resultado dos exames mostra que as cinco crianças, todas com idade abaixo de dois anos, entre elas duas que necessitavam de ventilação mecânica na UTI, não têm a doença. A notícia foi recebida com alívio pela equipe médica chefiada pelo emergencista pediátrico Fernando Belluomini.
Na semana passada, Belluomini relatou ao jornal O Estado de S. Paulo a preocupação da equipe em razão de suspeita de contaminação das crianças hospitalizadas. A pediatria da Unicamp tem uma UTI com 20 leitos, onde estavam as crianças e bebês, e uma enfermaria, com cerca de 30 leitos.
"Daqueles cinco, três já tiveram alta para a enfermaria. Outros dois continuam na UTI porque ainda têm insuficiência respiratória grave, um deles em ventilação mecânica", informou o chefe da unidade. O critério médico é o grau de dificuldade que os bebês têm para respirar. "Se é mais leve, fica na enfermaria no oxigênio; se é mais grave, vai para a UTI", explicou Belluomini.
Dez crianças
Na enfermaria da pediatria da Unicamp, segundo o especialista, havia ainda outras dez crianças internadas aguardando resultados para exames da Covid-19. "Já soube que quatro desses da enfermaria também já tiveram exames negativos", disse o médico. "Do ponto de vista prático, não isolamos ainda nenhuma criança com coronavírus", afirmou.
Homem de 78 anos morre na madrugada de domingo no HC
O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) registrou na madrugada de domingo o primeiro óbito confirmado decorrente de Covid-19. O paciente tinha 78 anos, era do grupo de risco com comorbidades e residia em Águas de Lindóia — cidade 60 quilômetros de Campinas.
O hospital informou ontem em nota que a detecção do coronavírus neste paciente foi através do teste de biologia molecular PCR-RT desenvolvido pela força-tarefa da Unicamp e realizado pelo Laboratório de Patologia Clínica do HC.
O homem apresentou os sintomas da doença no dia 24 de março. O quadro se agravou rapidamente e ele acabou sendo internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no dia 28 de março, onde permaneceu até a morte, no domingo. A secretaria de Saúde de Campinas informou que essa morte não entra na contagem de vítimas fatais do município, já que o paciente é proveniente de outra cidade.
A secretaria lembra ainda que o HC é um hospital referência para os casos de coronavírus e que muitos dos pacientes da região deverão ser levados para lá. O HC conta hoje com 80 leitos de enfermaria disponíveis para receber os casos suspeitos de Covid-19, em situações menos graves ou moderadas. A UTI conta com 20 leitos ativos para receber os pacientes com a suspeita da doença em estado grave, e 13 desses leitos estavam ocupados até o último final de semana.
A coordenadoria de Assistência do hospital espera para esta semana que mais 13 leitos de UTI sejam liberados para os pacientes com suspeita de Covid-19, totalizando 33 leitos de UTI exclusivos para o atendimento da pandemia.
Nas últimas semanas, o HC da Unicamp tem passado por mudanças estruturais de grande porte em sua rotina assistencial, já apontadas pelos profissionais que atuam na unidade como a maior missão do hospital em toda a sua história. Cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais foram cancelados, rotinas administrativas foram alteradas e novos padrões de escalonamento de equipes foram criados de forma a se aderquar ao processo de enfrentamento à Covid-19. (Da Agência Anhanguera)

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