Publicado 04/04/2020 - 12h19 - Atualizado 04/04/2020 - 12h19

Por Francisco Lima Neto

Falta de testes gera subnotificação

Wagner Souza/AAN

Falta de testes gera subnotificação

Campinas tem três mortes confirmadas em decorrência da Covid-19 e 53 casos confirmados da doença, além de 796 esperando o resultado dos exames. No entanto, os números podem ser bem maiores por conta da subnoticação dos casos, segundo a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC). A subnotificação ocorre porque há falta de kits para a realização dos testes em larga escala, que só são feitos em pacientes graves e em profissionais da saúde que apresentam sintomas da doença, mesmo que leves.
De acordo com Giuliano Dimarzio, diretor científico em Campinas da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, as subnotificações acontecem por causa da baixa testagem.
Essa dificuldade de notificar corretamente ocorre porque tem baixo número de testagem e pela demora da confirmação diagnóstica do laboratório. "Só fazem o exame se o paciente chegar na unidade de saúde com quadro grave ou se for profissional da saúde sintomático. O gargalo está na quantidade de testes e na demora do resultado", afirma.
O profissional aponta que é impossível afirmar o número de subnotificações. "Não dá para estimar. Não temos como medir porque as pessoas não estão sendo testadas. A dificuldade de precisar o número de pessoas subnotificadas é por conta da pouca testagem vigente", diz.
Dimarzio explica que a orientação é que as pessoas que apresentam sintomas leves devem permanecer em casa e só procurar atendimento médico se houver agravamento do quadro. "Logo, essas pessoas não são testadas. Pode ser que tiveram a doença, já se curaram e não houve a notificação", exemplifica.
Ele aponta que o momento é de lidar com a incerteza. "A melhor ação no momento é o isolamento. A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade reforça a importância do isolamento para evitar a transmissibilidade", ressalta.
O médico alerta que não há leitos suficientes para atender à demanda se toda a população for contaminada pelo novo coronavírus. "A Covid-19 representa um risco de colapso dos serviços de saúde à medida que podem não dar conta dos doentes graves que precisam de leito de UTI", explica.
No entanto, ele ressalta que mais do que nunca está comprovada a relevância do Sistema Único de Saúde (SUS) para o enfrentamento da pandemia e no cuidado da população. "Se não fosse o SUS, o caos estaria instalado. É imprescindível a importância do Ministério da Saúde na coordenação das ações de enfrentamento, tanto na testagem quanto no cuidado das populações vulneráveis, a fim de evitar a transmissão, para que o sistema não entre em colapso", afirma.

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Francisco Lima Neto