Publicado 03/04/2020 - 11h12 - Atualizado 03/04/2020 - 11h13

Por Daniel de Camargo

Área do laboratório de patologia clínica do HC da Unicamp onde serão realizados os testes para o coronavírus: força-tarefa na universidade

Wagner Souza/AAN

Área do laboratório de patologia clínica do HC da Unicamp onde serão realizados os testes para o coronavírus: força-tarefa na universidade

O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade de Campinas (Unicamp) foi habilitado para realizar diagnóstico da Covid-19. A expectativa é que a partir da semana que vem, serão feitos, pelo menos, 300 testes por semana, com resultados no prazo máximo de 48 horas. Coordenador do laboratório de patologia clínica do HC, Magno Santos afirmou ontem que essa estimativa é inicial e que a quantidade de exames deve ser ampliada gradativamente mediante o recebimento de novos insumos.
O credenciamento do HC foi publicado anteontem no Diário Oficial do Estado de São Paulo. O comunicado também habilitou para o diagnóstico da Covid-19 a Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto. Com isso, estima-se que haja um desafogamento na fila de testes do Instituto Adolfo Lutz (IAL), o laboratório referência no Estado para a detecção da doença. O IAL possuía, até a última terça-feira, uma fila com mais de 14 mil testes aguardando resultado.
Santos comentou que o processo para validação dos procedimentos no HC levou em torno de 15 dias. No período, a equipe da força-tarefa montada trabalhou "incessantemente" para essa padronização. Amostras cegas foram enviadas pelo IAL e, posteriormente, devolvidas com as análises feitas em Campinas. Depois da confirmação do credenciamento, anteontem, imediatamente já foram realizados 10 testes. Os resultados, destacou, ficaram prontos em menos de 24 horas. Porém, não foram divulgados pelo hospital.
Num primeiro momento, os exames irão atender as pessoas internadas no HC, funcionários da Unicamp e profissionais da saúde. Em seguida, naturalmente, o serviço deve ser expandido para os hospitais públicos de Campinas e região. Sempre, com objetivo de fornecer resultados em até 48 horas. Anteontem, o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel disse que negocia com o governo paulista a possibilidade de realização de até 180 mil testes. A declaração foi dada em uma reunião do Conselho Universitário (Consu).
Os testes foram desenvolvidos pela força-tarefa Unicamp contra a Covid-19, liderada pelo professor Marcelo Mori, do Instituto de Biologia (IB). A condução dos diagnósticos está a cargo do Laboratório de Patologia Clínica do HC e pelo professor Alessandro Farias, coordenador da frente de diagnósticos da força-tarefa. O docente explica que o trabalho segue o "padrão ouro" preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O teste do HC usa as amostras das narinas e da faringe.
Um problema para ampliação da capacidade de realização de testes, frisa Farias, são os insumos, pois poucas empresas fabricam esses reagentes no Brasil, a importação é necessária. Por isso, a força-tarefa busca validar fornecedores nacionais para alguns materiais necessários.
Governo lança plataforma para acelerar
O Governo do Estado de São Paulo lançou, ontem, uma plataforma de laboratórios para acelerar o diagnóstico da Covid-19. Ela será coordenada pelo diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas. Integram a rede, o Instituto Adolfo Lutz (central e regionais), Instituto Butantan, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, Hemocentro de Ribeirão Preto, Laboratório de Análises Clínicas e Patologia do Hospital de Clínicas da Unicamp e o Hemocentro de Botucatu.
A capacidade de realização de exames será de até 10 mil por dia. Se houver necessidade, o turno do IAL poderá ser dobrado para a realização dos testes. Os laboratórios da rede privada poderão ser integrados à plataforma de laboratórios estaduais mediante credenciamento da Secretaria de Estado da Saúde. Com a nova rede, haverá prioridade para os resultados de testes relativos a mortes pela Covid-19 e aos pacientes graves internados.

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Daniel de Camargo